De: Anabela Mota <anabela...@gmail.com>
Enviada: 26 de fevereiro de 2026 16:09
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Assunto: Os nossos dedos guardam o segredo do tamanho do nosso cérebro - ZAP Notícias
O “rácio digital” é um indicador visual da exposição a estrogénio e testosterona durante a gestação
Os rapazes com maior exposição pré-natal ao estrogénio apresentam tamanho de cabeça maior ao nascer, apontando para um possível estímulo hormonal por trás do crescimento do cérebro humano — e chamado “rácio digital” é um surpreendente indício visível dessa exposição.
Uma das características mais marcantes da evolução humana é a expansão contínua do cérebro. Novos resultados sugerem que este crescimento poderá estar, em parte, ligado a níveis mais elevados de estrogénio antes do nascimento.
Surpreendentemente, parece haver um indício visível dessa exposição: a relação entre o comprimento dos dedos de uma pessoa, explica o Sci Tech Daily.
O professor John Manning, da equipa de investigação Applied Sports, Technology, Exercise and Medicine (A-STEM), da Universidade de Swansea, especializa-se no estudo do chamado rácio digital. Esta medição compara o comprimento do dedo indicador com o do dedo anelar e é conhecida como rácio 2D:4D.
Este rácio reflete o equilíbrio entre estrogénio e testosterona a que o feto é exposto durante o primeiro trimestre da gravidez.
As pessoas que, antes de nascerem, estiveram sujeitas a uma proporção mais elevada de estrogénio em relação à testosterona tendem a ter o dedo indicador (2D) mais comprido do que o anelar (4D), o que resulta num valor 2D:4D mais alto.
Como o perímetro craniano dos recém-nascidos está estreitamente associado ao tamanho do cérebro e a medições posteriores de QI, os investigadores analisaram, em 225 bebés, tanto os rácios dos dedos como as medições da cabeça — 100 rapazes e 125 raparigas.
Os resultados do estudo, conduzido por Manning em colaboração com investigadores da Universidade de Istambul, foram apresentados num artigo publicado na revista Early Human Development.
A análise encontrou uma associação clara nos rapazes: valores mais elevados de 2D:4D, que indicam estrogénio pré-natal elevado, estavam ligados a um maior perímetro craniano. Nas raparigas, não se observou o mesmo padrão.
O professor Manning explicou as implicações mais amplas destes resultados: “Este achado é relevante para a evolução humana porque o aumento do tamanho do cérebro surge lado a lado com a feminização do esqueleto, no que é conhecido como a hipótese do macaco estrogénico“.
“Valores elevados de 2D:4D em homens foram associados a taxas mais altas de problemas cardíacos, contagens de espermatozoides baixas e predisposição para a esquizofrenia”, acrescenta o investigador.
“No entanto, o aumento do tamanho do cérebro pode compensar esses problemas. Assim, o impulso evolutivo para cérebros maiores nos humanos pode, inevitavelmente, estar ligado à redução da viabilidade masculina, incluindo problemas cardiovasculares, infertilidade e taxas de esquizofrenia”.
A equipa de investigação afirma que estes resultados reforçam a evidência crescente de que o estrogénio pré-natal poderá ter desempenhado um papel benéfico na expansão evolutiva do cérebro humano, mesmo que essa mudança tenha tido custos biológicos.
Estudos anteriores de Manning também exploraram como o rácio digital se relaciona com outras características e desfechos.
O seu trabalho analisou ligações ao consumo de álcool, à recuperação após infeção por COVID-19 e à utilização de oxigénio em jogadores de futebol.
Em conjunto, este corpo de investigação sugere que o comprimento dos dedos pode oferecer pistas sobre as fortes influências hormonais que moldam o desenvolvimento ainda antes do nascimento.
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