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De: Anabela Mota <
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Enviada: 27 de abril de 2026 16:47
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Assunto: Por que é que o cancro do coração é tão raro? A causa é surpreendente
Por Soraia Ferreira (2026-04-26)
Uma equipa de cientistas descobriu que a pressão exercida sobre o coração enquanto este bombeia sangue impede que as células cancerígenas se multipliquem nos corações de ratos.
Sabe-se que quase todos os órgãos e tecidos do corpo podem desenvolver tumores, no entanto, são raros os casos de cancro no coração, sendo mais comuns os tumores secundários do que os primários.
Uma das causas já conhecidas é a pouca divisão que as células do coração adulto têm após o nascimento, sendo que a divisão diminui drasticamente após os 20 anos . Isto significa que metade das células cardíacas com que nasce ajudarão a bombear sangue durante toda a sua vida, o que serve como defesa contra o cancro .
Segundo a Nature , em humanos, tumores primários foram identificados em menos de 1% das autópsias, enquanto cancros secundários, nos quais o tumor primário ocorre numa parte diferente do corpo, foram encontrados em até 18% das autópsias.
Num novo estudo , publicado esta quinta-feira na revista Science , os cientistas transplantaram corações para o pescoço de ratos geneticamente modificados. Estes corações não batiam, mas recebiam ainda assim um fornecimento de sangue e eram funcionais.
A equipa i njetou então células cancerígenas nos corações transplantados no pescoço dos ratos e nos corações “nativos” dos animais. Em duas semanas , as células cancerígenas multiplicaram-se e substituíram a maioria das células saudáveis nos corações transplantados. Em contrapartida, cerca de 20% do tecido nos corações nativos era cancerígeno.
A equipa também cultivou tecido cardíaco modificado a partir de células de ratos numa placa de Petri. As células só batiam se os investigadores expusessem o tecido ao cálcio — iões que ajudam a impulsionar os batimentos cardíacos dentro do corpo.
A equipa injetou então células de cancro do pulmão no tecido cardíaco.
Seguidamente, foi observado que o número de células cancerígenas cresceu e ocupou mais espaço no tecido estático do que no tecido que batia.
Além disso, a equipa descobriu que as células cancerígenas estavam distribuídas por todo o tecido estático, mas que apenas se agrupavam nas camadas externas do tecido que batia.
Num outro estudo , publicado em 2007 na The Journal of Thoracic and Cardiovascular Surgery, os cientistas já tinham descoberto que a
pressão exercida sobre o coração quando este bate também possui um papel importante.
A equipa está agora a investigar se a força exercida sobre o coração poderia ser replicada noutras partes do corpo para impedir o crescimento de tumores, como na pele e na mama. Também estão a analisar se doenças que aumentam a pressão sobre o coração têm um efeito protetor contra o crescimento do cancro.
“O estudo poderá ter implicações para outras doenças cardíacas, como a fibrose, que leva a uma cicatrização excessiva do músculo”, diz o biólogo celular, Alexander Pinto .
“A tensão mecânica exercida sobre o coração poderá explicar por que razão o tecido cicatricial se desenvolve apenas em partes do coração, da mesma forma que as células cancerígenas se agruparam nas camadas externas do tecido cardíaco”, conclui.