-----Mensagem original-----
De: Anabela Mota <
anabela...@gmail.com>
Enviada: 21 de maio de 2026 16:05
Para: destinatários não revelados : <=?UTF-8?Q?destinat=C3=A1rios_n=C3=A3o_revelados?= :>
Assunto: O bocejo é tão contagioso que até apanha fetos no ventre
Por Soraia Ferreira (2026-05-17)
Entre os seres humanos, o bocejo é notoriamente contagioso. Basta estar ao pé de alguém que o faça para o imitarmos, sendo que isto ocorre principalmente devido à empatia e ao nosso cérebro, que imita automaticamente o comportamento de outros.
Já não é novidade que o bocejo é contagioso , e até afeta os animais .
Há algum tempo que os cientistas andam a tentar encontrar explicação
para o fenómeno.
Agora, uma equipa de cientistas acredita que os fetos podem bocejar a seguir às suas mães, mesmo no útero .
Num novo estudo , publicado a semana passada na Current Biology , os investigadores descobriram que, quando as mulheres grávidas bocejam, é muito provável que os seus fetos imitem o gesto pouco tempo depois.
Segundo o ZME Science , os fetos bocejam no útero, por vezes logo no primeiro trimestre. Os bocejos fetais seguem um padrão e tornam-se menos frequentes à medida que a gravidez avança, sugerindo um papel no desenvolvimento cerebral e motor precoce.
Os investigadores recrutaram 38 mulheres grávidas , tendo posteriormente analisado dados de 36 delas. As mulheres encontravam-se entre a 28ª e a 32ª semana de gravidez.
Cada uma delas assistiu vídeos curtos feitos para provocar bocejos, juntamente com vídeos de controlo que mostravam pessoas a abrir e a fechar a boca. Os rostos das mães foram gravados, enquanto a ecografia captava os movimentos da boca do feto.
Três codificadores examinaram as gravações. Um bocejo tinha de ter duração suficiente e seguir o padrão adequado, sendo que movimentos mais curtos foram considerados simples aberturas e fechos.
Durante os vídeos de bocejos, quase dois terços das mães bocejaram pelo menos uma vez. Na mesma condição, pouco mais de metade dos fetos bocejou e, tanto as mães como os fetos, bocejaram muito menos durante os vídeos de controlo.
“Estas descobertas desafiam a visão do comportamento fetal como sendo puramente reflexivo ou inteiramente autónomo. Ainda assim, o feto não está a dar um bocejo da mesma forma que outra pessoa. Afinal, o feto não consegue ver o rosto da mãe”, explicam os investigadores.
Um bocejo materno altera a respiração, o movimento da mandíbula, o movimento do diafragma e a pressão no interior do abdómen. As hormonas e outros sinais internos também podem sofrer alterações. Em conjunto, esses sinais poderiam criar o que os autores chamam de um contexto biológico partilhado .
Por fim, a equipa também utilizou um modelo treinado com base nos movimentos da boca materna de modo a reconhecer os bocejos fetais, e um modelo treinado com dados fetais para identificar os bocejos maternos.