Divisão de férias gera nova tensão entre Alckmin e professores*Paula Thomaz*
*26 de julho de 2011 às 11:08h*
[image: ma das inúmeras assembleias realizadas pela Apeoesp em 2010 contra
os baixos salários, a violência e outros problemas enfrentados nas escolas
estaduais de SP. Foto: Robson
Martins/Divulgação]<http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/07/GREVE-2010_edit.jpg>
Uma das inúmeras assembleias realizadas pela Apeoesp em 2010 contra os
baixos salários, a violência e outros problemas enfrentados nas escolas
estaduais de SP. Foto: Robson Martins/Divulgação
O governo do Estado de São Paulo trava mais uma queda de braço com os
professores da rede pública paulista. Com o anúncio da divisão dos 30 dias
de férias de janeiro em dois períodos durante o ano, o sindicato dos
professores se organiza para, a partir desta semana, fazer uma campanha em
protesto contra a decisão. “Vamos lutar por todos os meios pela revogação
dessa medida”, avisa Maria Izabel Noronha, presidente da Associação de
Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp).
Na resolução que determina novas diretrizes para a elaboração do calendário
do ano letivo, divulgada no último dia 18, os 30 dias de férias corridos que
eram tirados em janeiro, passarão, em 2012 a serem dividos: 15 tirados em
janeiro e 15 em julho. A ideia do governo é melhorar o planejamento anual e
diz atender a reivindicações de representantes dos profissionais da educação
por ocasião de visitas do secretário Herman Voorwald a alguns pólos
regionais.
Maria Izabel Noronha rebate a afirmação dizendo que esses pólos envolvem
cerca de 20 mil pessoas escolhidas pela própria Secretaria de Educação do
Estado (SEE). Segundo ela, a Apeoesp, que envolve diretamente 180 mil
associados, “não foi procurada para dialogar antes da adoção da medida”.
Ainda assim, a própria SEE reconheceu que, na reunião, houve pedidos para
melhor organização de calendário e não para divisão de férias, de acordo com
a presidente da entidade.
[image: A atual presidente da Apeoesp, Maria Izabel Noronha, em assembleia.
Foto: Robson Martins/
Divulgação]<http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/07/maria_izabel_apeopes_edit.jpg>
A atual presidente da Apeoesp, Maria Izabel Noronha, em assembleia. Foto:
Robson Martins/ Divulgação
Segundo a diretora da Apeoesp, os professores “necessitam de um período
ininterrupto de férias, suficientes para que possam estar com suas
famílias”. Também as escolas precisam ficar totalmente vazias por período
equivalente para que possam ser realizados os trabalhos de manutenção
necessários ao seu bom funcionamento.”
Para o professor da faculdade de Educação da Universidade de São Paulo
(USP), Ocimar Munhoz Alavarse, está claro que nenhum governo vai pedir
licença para um sindicato quando for decidir o que vai fazer, “mas o
sindicato precisa ser levado em conta. Essa decisão sobre a divisão das
férias retoma a má relação do governo com o professorado”, acredita.
Alavarse afirma ainda que as férias não precisariam ser mudadas como forma
de garantia do planejamento do começo do ano. “Esse argumento não me parece
o mais pertinente. É possível você ter alterações no regime de planejamento
mantendo as férias. De qualquer maneira, foi uma decisão unilateral.”
Desde o início da administração tucana em São Paulo, os professores já
entraram em conflito com o governo diversas vezes. O mais emblemático
ocorreu em março do ano passado em frente ao palácio dos Bandeirantes, que
terminou com dezenas de feridos entre professores e policiais. A classe
entrou em greve para reivindicar reajuste salarial de 34%, incorporação
imediata das gratificações e o fim das provas dos temporários e do programa
de promoção. Na época, a SEE informou que não mudaria os programas
criticados pelos sindicalistas, como o de Valorização ao Mérito e a criação
da Escola Paulista de Professores. Para a secretaria “são esses os programas
que estão permitindo melhorar a educação de São Paulo”, dizia a nota.
Nesta terça-feira 26 ocorre uma planfletagem nas sub-sedes da Apeoesp, para
ouvir a opinião dos professores sobre as férias divididas.
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