Sobre a argumentação da direção acadêmica justificando a retirada do benefício da Ponte ORCA e dos ônibus fretados

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Guilherme Guedes

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Mar 3, 2015, 7:01:27 AM3/3/15
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Sobre a argumentação da direção acadêmica justificando a retirada do benefício da Ponte ORCA e dos ônibus fretados

O diretor acadêmico Daniel Vazquez justificou, em nota divulgada recentemente via e-mail a toda a comunidade acadêmica, a retirada do sistema pelo fato de o Governo do Estado ter concedido o passe livre para estudantes de escolas públicas, técnicas e que possuam baixa renda (renda familiar de até 1,5 salário mínimo por pessoa) nas universidades, com abrangência em zonas metropolitanas onde a EFLCH está incluída. Assim, 70% dos estudantes do campus poderiam usufruir do benefício, segundo seus cálculos. Além disso, não seria responsável, do ponto de vista de um gestor público como ele, gastar R$ 2 milhões ao ano para manter o sistema.

As objeções que têm sido apresentadas pelos estudantes, como percebi ao acompanhar um desafiante protesto de ingressantes no campus contra a retirada da Ponte ORCA, são as seguintes:

- O cartão BOM demora três meses para chegar.
- Há estudantes cuja família tem a renda superior ao previsto na nova lei, que assim mesmo não conseguiriam arcar com os custos (transporte, moradia, alimentação) da formação, sendo obrigados a cancelar a matrícula.
- O transporte público demora muito a chegar, além de ter a frota escassa e superlotada.
- Para onde iriam os R$ 2 milhões economizados? Vazquez respondeu que primeiro era preciso saber se chegariam os 2 milhões, uma vez que o MEC cortou 30% das verbas para as universidades federais previstas para os primeiros meses do ano.

A síntese disso tudo:

- A direção acadêmica está retirando um benefício de todos os estudantes em prol de outro que beneficia apenas a uma parcela, deteriorando a política de permanência estudantil.
- Desde o ano 2000, quando foi implantado o sistema Ponte ORCA em São Paulo, sua utilidade foi facilitar à população, com a gratuidade da passagem, a integração entre estações de trem e metrô que não possuíssem ligação. Foi o caso da que ligava as estações Vila Madalena (da Linha 2-Verde do Metrô) e Cidade Universitária (da Linha 9 da CPTM), desativada apenas quando se iniciou a integração da linha amarela do metrô com a CPTM.
São incontáveis os casos em que a população, especialmente da que gasta muito dinheiro com tarifas para se transportar para bairros afastados das áreas centrais de sua cidade (com infra-estrutura viária muito mais precária do que a da Zona Oeste de São Paulo), ou mesmo de uma cidade para outra, mereceriam semelhante benefício. Guarulhos é um caso drástico, pois nem mesmo possui estações de metrô, a Ponte ORCA foi concedida apenas após seis meses de greve no campus Guarulhos em 2012 (ano da greve nacional dos servidores públicos), e ainda assim apenas para os estudantes da Unifesp.
- Longe de assumir uma postura proativa diante do MEC para exigir mais recursos para o campus, como prometeu a atual direção acadêmica durante a consulta pública que a escolheu, em 2012, para um mandato que expira em 2016, aceita hoje deixar de custear um sistema de transportes que afirma custar de R$ 7 a R$ 8 por passagem. Em prol de um transporte público cujo custo pode ser menor, tendo-se em conta que a qualidade do serviço se deteriora. E quem sai perdendo com tudo isso são os estudantes, em especial aqueles que não podem continuar os estudos sem a garantia do transporte.

Estudo onde a direção acadêmica discorre sobre o ´´alto`` custo do sistema de transportes da EFLCH: http://www.unifesp.br/campus/gua/images/documentos/informativos/EstudoTecnico_TransporteUnifespGRU_11.pdf


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