Marcha das Vagabundas - 18/06, Praça XV, 13h

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Willian Conceição

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Jun 13, 2011, 8:08:48 PM6/13/11
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MANIFESTO DAS VAGABUNDAS DE FLORIANÓPOLIS


Depois de reunir mais de três mil pessoas no Canadá, onde tudo começou, a Marcha das Vadias se disseminou por Chicago, Boston, São Paulo, Belo Horizonte, Recife e agora, em Florianópolis. Pra quem não viu, na Universidade de Toronto (Canadá), o policial Michael Sanguinetti afirmou em uma palestra que as mulheres deveriam evitar se vestir como putas para não serem vítimas de estupros. A declaração do policial gerou revolta e foi motivo de protesto em Toronto, pois feriu diretamente a autonomia de todas as mulheres.

A frase no Brasil certamente não gera muito impacto já que nossos ouvidos estão bem familiarizados com frases semelhantes e bem habilitados pela “educação” machista que nos é apresentada. Que também não cause espanto, neste caso, a marcha das vagabundas desta vez em Florianópolis!

Nossa idéia é estender o protesto a Florianópolis não só em forma de apoio às canadenses, mas expor nossa revolta chamando atenção ao fato de que no Brasil posturas como estas são corriqueiras e o mesmo argumento já foi usado para culpar mulheres em situações de estupros graças ao lugar privilegiado que o machismo impera. Situações de violência estão vinculadas a relações de poder, não a sexo. 

Muitas mulheres ainda são vistas e tratadas como inferiores aos homens. O sexismo ainda molda as relações e as desigualdades perpetuam-se nas relações entre os gêneros. Ao mesmo tempo em que as mulheres conquistam espaços profissionais, políticos, acadêmicos, entre outros, se nota que o corpo demarca as limitações de liberdade das mulheres, desconsiderando-as enquanto sujeitas autônomas para com seu corpo e sexualidade.

Mais ainda, mulheres proporcionam controle sobre elas mesmas, integrando uma ideologia machista onde existem apenas duas opções: santa ou puta. Papéis que lhe cabem, papeis que estão sendo desconstruídos, por uma maior liberdade, com muito esforço, há anos, mas que ainda continuam impregnados em suas peles e mentes. Queremos o direito de nos vestir e comportar da maneira que acharmos interessante sem que isso seja colocado de forma a justificar nossa desqualificação ou violência. Culpabilizar a mulher por sua roupa, é perpetuar essa forma de pensar. É isso mesmo que queremos?

Usar ou não usar uma mini-saia, decotes, “mostrar a barriga”, usar as roupas nos tamanhos que preferirem e sentirem-se bem não autoriza intervenções masculinas ou de qualquer outra ordem em suas vidas! Estamos aqui para denunciar o machismo que dá respaldo às ações das moralidades que controlam o corpo.

A intenção da marcha não é reafirmar a idéia da mulher como objeto de desejo, mas sim torna-la SUJEITO, agente de sua própria sexualidade, corpo e escolhas estéticas.

Manifestamos nossa aversão e desprezo pelas formas de opressão física, psicológica, verbal e simbólica que cerceiam nossa liberdade e nos responsabiliza por situações de violência. Marchamos como forma de resistência!

 

Para contradizer todas estas bases condicionantes, convidamos todas e todos para marcha das vagabundas para expressar nossas discórdias!

Att,

Vagabas!



               Marcha das vagabundas em Florianópolis
                              18 de junho (Sábado)
              Praça XV - Concentração: 13h; Saída: 14h
                   (Junto com a Marcha da Liberdade)
               Organização: vagabund...@gmail.com

vagaba colorido a4.pdf
RELEASE.doc
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