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Um
roteiro que começa em Santo Amaro
Há
ainda uma safra de canções despachadas para o Brasil e que entrariam
somente em álbuns de 1971. Maria Bethânia lança "A Tua Presença" no
álbum homônimo, e Erasmo Carlos, "De Noite na Cama", que estoura no
país inteiro com o disco Carlos, Erasmo. A história de
"Como Dois e Dois" é comovente. Visto como alienado pela patrulha
ideológica da luta artística contra a ditadura, Roberto Carlos
visita o colega Caetano Veloso no exílio. Num encontro extremamente
emocionante para os dois, Caetano dá a ele a inédita "Como Dois e
Dois", que o Rei não somente grava, mas transforma num dos maiores
sucessos daquele ano. Como retribuição, compõe com Erasmo uma canção
de esperança chamada "Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos",
incluída também no mesmo álbum. Um sucesso nacional de enorme
alcance, ecoando também debaixo dos quepes dos
generais.
No
início do mesmo ano, Caetano consegue permissão para permanecer um
mês no Brasil para comemorar os quarenta anos de casamento de seus
pais. De quebra, grava participação no programa Som Livre
Exportação. Mas o preço foi passar pelo desprazer de ter sido
encomendada a ele, em interrogatório pelo regime de Garrastazu
Médici uma música homenageando a Transamazônica em construção. Em
outra benesse, Caetano volta em junho, visita a família,
apresenta-se na TV Globo e na Tupi, e deixa gravado o próximo
sucesso do carnaval, o frevo "Chuva, Suor e
Cerveja".
Enquanto
Caetano Veloso - seu primeiro álbum no exílio - era lançado
no Brasil, ele gravava em Londres o cultuado Transa - um
grande álbum, cheio de citações de canções brasileiras entremeadas
às músicas compostas em inglês que bem poderiam servir como rotas de
fuga inconscientes para o Brasil.
Janeiro
de 1972 traz Caetano de volta do exílio. Comtemporânea a "Debaixo
dos Caracóis dos Seus Cabelos", a canção "Mano Caetano", que Jorge
Benjor compôs e cantou em dueto com Bethânia, já anunciava a volta
de um filhos mais amados do Brasil: "Lá vem o mano, meu mano
Caetano/ Ele vem sorrindo/ Ele vem cantando/ Ele vem feliz, pois ele
vem voltando". Em fevereiro e março, respectivamente, saíram o
Barra 69 com o show de despedida do Brasil, e, em
março, Transa - o disco de despedida de Londres. Duas
pontas de uma triste trajetória lançadas no mesmo ano, como que para
exorcizar para sempre o fantasma do exílio.
Depois
de ter lançado um compacto com Gil do dueto bem-sucedido de "Cada
Macaco no Seu Galho", compõe para São Bernardo, de Leon
Hirszman, uma trilha premiada no ano seguinte como Melhor Música do
Festival de Cinema de Santos, e dá vazão à sua porção produtor
fazendo para Maria Bethânia um de seus melhores álbuns, Drama -
Anjo Exterminado. |
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1. Lua de São
Jorge (Caetano Veloso)
2. Oração ao
Tempo (Caetano Veloso)
3. Beleza
Pura (Caetano Veloso)
4. Menino
do Rio (Caetano Veloso)
5. Vampiro
(Jorge Mautner)
6. Elegia
(Péricles Cavalcanti / Augusto de
Campos)
7. Trilhos
Urbanos (Caetano Veloso)
8. Louco
por Você (Caetano Veloso)
9. Cajuína
(Caetano Veloso)
10.Aracaju
(Vinícius Cantuária / Tomas Improta / Caetano
Veloso)
11. Badauê
(Moa do Catende)
12. Os Meninos
Dançam (Caetano Veloso)
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Pinta uma estrela na lona azul do céu Pinta uma
estrela lá Pinta um malandro E no malandro outro malandro
flutua angelical Um por um, um por um, um por um, um por um, um
por um
Agora a moça esboça um salto, vai mas não
vai Todos sabem voar Baby, Boca, Charles A tribo blue,
nomadismo, tenda templo, circo trancendental Jorge, Pepeu, Bola,
Didi
A história do samba, a luta de classes, os melhores
passes de Pelé Tudo é filtrado ali Naquele espaço
azul Naquele tempo azul Naquela tudo azul
Eles dançam, eles dançam, eles dançam Todos eles
dançam Dança-moenda, dança-desenho, dança-trapézio,
dança-oração Moenda-redenção. |