O Estado do mundo_Horizontes de expectativas

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Tim

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Jun 25, 2007, 6:41:35 AM6/25/07
to Caçadores de Gambozinos
Horizontes de expectativas

Fernando Catroga*
*Historiador, ensaísta, catedrático da Faculdade de Letras de Coimbra


«Os mundos não são coisas, mas horizontes de expectativas construídos
pelos homens concretos e socialmente condicionados. Pelo que há mundos
e estados de mundos»


A história ensina-nos, que as representações do mundo (mesmo as feitas
em nome da ciência) não exprimem com a veracidade que proclamam.
Desfasamento que se torna mais visível quando elas assentam em
preconceitos, à luz dos quais o presente surge sempre condenado a ser
um momento de decadência. E quem isto decreta não deixa de insinuar
que possui um indubitável saber prognóstico, que estará fora do
objecto que analisa, tal como o do médico perante o corpo do seu
enfermo. Ora, dificilmente o pensamento sobre a crise não é
manifestação da crise do pensamento. No entanto, os desmentidos, que
resultam do confronto entre o dito pelos planificadores da existência
e aquilo que vem acontecendo parecem não descredibilizar quem o
profere, talvez devido à nova fé na razão instrumental que impera nos
nossos dias. Para outros, ao contrário, continua
a ser necessário ira a Delfos ouvir vozes mais pítias, e por isso,
mais adequadas à índole ambígua e contraditória da aventura humana no
tempo. Lição que convida à humildade na perscrutação do estado das
coisas e a passar pelo crivo da critica as suas evidências, mormente
as que tendem a naturalizar o mundo e a proclamar que a natureza,
incluindo a sua dimensão social, e desde que entregue ao seu livre
jogo, é o caminho que conduzirá
à harmonia. Só que o contraste que existe entre tal promessa, nunca
cumprida, e a massa de mortes que ela vai deixando na beira da estrada
exige a assunção da responsabilidade ética como um imperativo. Recorde-
se que, em Leibniz, é um princípio não natural - o Deus transcendente
e bom - que afiança ser este o melhor dos mundos possíveis. Todavia,
no actual mercado ocidental das convicções, essa garantia está
depreciada e em queda. Como alternativa sucedânea, assiste-se a uma
nova entificação da ordem natural, como se esta tivesse um
funcionamento mecânico, premissa que só poderá desembocar na já velha
redução do homem a homo aeconomicus. Daí que a bondade que decorrerá
da sua presumida suficiência auto-reguladora apareça, na lógica da
história, como lobo da estória do capuchinho vermelho.

Ora, importa levar em conta o lugar de onde se fala, pois sabe-se que
o teor da pergunta condiciona o da resposta. Na verdade, os olhares
sobre o mundo, lançados de um rancho do Texas, ou da avidez predadora
das elites dos países com economias emergentes, ou, ainda, a partir da
lazarenta pobreza dos povos de África, dão origem a distintas
representações da vida. O que suscita esta dúvida: Será pertinente
falar-se em
«estado do mundo»? É que, sem mais, a frase soa a uma abstracção que
pode ocultar este facto: os mundos não são coisas, mas horizontes de
expectativas construídos pelos homens concretos e socialmente
condicionados. Pelo que há «mundos» e «estados de mundos». E se estes
são interdependentes, também os subjugam implacáveis relações de poder
que os condenam ao anacronismo civilizacional, impelindo-os de serem
contemporâneos uns dos outros, não obstante habitarem o mesmo
presente. Prova de que o meridiano do tempo não pautado pela
humanidade do homem. Nesta perspectiva, a substantivação singularizada
do mundo aponta para a existência de uma homogeneidade universal, que
é falsa, embora se adapte bem às sedutoras previsões do fim da
história.

É certo que tudo isto será lícito para o olho que se julga localizado
no centro do mundo, ponto geodésico de onde a Europa, dolorosamente,
se foi despedindo no decurso do século XX. Mas o luto dessa perda
ainda não terminou. Quando se equaciona o lugar do Velho Continente na
balança dos mundos, verifica-se que muitos ainda não deram conta de
que estão a «oriente» de outros «ocidentes», e que, se pertencem ao
«norte» instalado na riqueza, também estão a «sul» de outros «nortes»
bem mais poderosos. Diz-se, igualmente, que é parte constituinte da
precariedade hodierna a falta de um paradigma que funciona como
referência estabilizadora tanto dos saberes como da conferição de
sentido, lamento em que aquele é caracterizado como se fosse um deus
normativo e adunante. Daí a sua vocação para a hegemonia. Porém, não
se pode olvidar que esta ideologia do paradigma, mesmo quando se
declara como anti-poder, aspira a ser poder, isto é, pretende elevar-
se, como outrora o seu antecessor, cânone e, por conseguinte, a
instância castradora do desejo de se acrescentar mundos ao mundo. E
não se deve menosprezar esta outra verificação: o paradigma chega
sempre atrasado
à festa do nascimento do novo. Logo, defender que se vive uma
transição, que culminará num novo paradigma, obriga a perguntar se
estas saudades do futuro não revelam, afinal, uma inconfessada
nostalgia pelo paradigma perdido.

Fonte: Jornal de Letras, Artes e Ideias_6-9 de Junho de 2007

+ Informação sobre o «O estado do Mundo» em:
www.estadodomundo.gulbenkian.pt/index.htm?no=00001
www.o-estado-do-mundo.blogspot.com

Alfredo Abambres

unread,
Jun 25, 2007, 9:27:03 AM6/25/07
to cacadoresd...@googlegroups.com
E que tal uma tertúlia (FÍSICA E VIRTUAL) sobre este tema "O Estado do Mundo"???

A física é só organizarem.

A virtual é ainda mais simples... definem o dia e a hora (de noite),
enviam os convites ao pessoal (se for feito pelo GCalendar ainda
melhor - e que tal marcar uma data certa e que se repete?) e
aparecemos todos (pelo menos os interessados) na sala de chat dos CG
ou mesmo da TABERNA

http://www.meebo.com/room/taberna/

ou

http://chat.cacadoresdegambozinos.com/ - ups, ainda ninguém configurou
este subdomínio, é melhor irmos por este:
http://wwwl.meebo.com/room/cacadoresdegambozinos/

Toca a "tertuliar"??? Quem está com os caçadores em movimento???


--
Alfredo Abambres { Let's Play! }

"Moving, always moving, and living inside movement". Rainer Maria Rilke

www.mybase.org | www.baselocal.com | www.maisvalor.com | www.maisbeleza.com

Mateus Timóteo

unread,
Jun 25, 2007, 10:31:51 AM6/25/07
to cacadoresd...@googlegroups.com

Olha é uma GRANDE IDEIA! FANTASTICA, a virtual.

Eu ainda tenho + 6 artigos sobre a temática do 
<< Estado do Mundo>> e penso coloca-los, com uma periodicidade de dois em dias, para que as pessoas os possam ler e reflectir.

Vou começar a sondar os outros "caçadores", para saber qual disponibilidade ou a receptividade deles sobre este assunto. Mas eu estou interessado!



 
Em 25/06/07, Alfredo Abambres <alfredo...@gmail.com > escreveu:

Alfredo Abambres

unread,
Jun 25, 2007, 11:33:04 AM6/25/07
to cacadoresd...@googlegroups.com
Gracias. Mas nada q já não tenhamos falado antes :)

Para experimentar - já foi o convite enviado para a Taberna Online a
acontecer na quarta à noite (e repete-se semanalmente) - e como isto é
INTERNET, não existem horas de entrada nem de saída, nem se paga
bilhete.

Sala de Chat: http://www.meebo.com/room/taberna/ ou se quiserem dar
uma vista de olhos à dos CG:
http://www.meebo.com/room/cacadoresdegambozinos/

E por falar em ideias:

Acho q os CG deveriam pensar mesmo a sério em lançar uma OPA à marca
"Taberna" (TPT) - agora acho q a TPT encontrou a "casa" q precisava
para ressuscitar, e os CG a marca q precisam para realmente despertar
nos outros um "movimento social" mais real.

Mas claro... para o ano apercebemo-nos disso - eu espero :) (mauzinho)

PS1: Parabéns Timo

PS2: Dava jeito colocarem os links deste textos todos, dos festivais e
eventos na sala de chat dos CG - como agora foi lançado o "CHAT LOGs"
- as pessoas q lá entrarem poderão sempre ter alguma coisa para ver,
mesmo q não encontrem ninguém para falar.

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