O Estado do mundo_Novo Paradigma

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Mateus Timoteo

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Jun 22, 2007, 12:05:22 PM6/22/07
to Comunidade cacadores de Gambozinos

O Estado do mundo_ Novo Paradigma

 

J.J Gomes Canotilho*

*Jurista, Constitucionalista, catedrático da Faculdade de Coimbra, Prémio Pessoa

 

«O diálogo intercultural
contra os fundamentalismos, os
novos conquistadores, as novas
bestialidades, os novos riscos civilizacionais, talvez deva levar
a sério os textos básicos laicos do constitucionalismo ocidental»

Se existem áreas de trabalho em que se exige uma nova narrativa sobre o estado do mundo essa é a do Direito e, mais concretamente, o Direito Constitucional. Por vários
mo­tivos. Assinalaremos apenas alguns.
O primeiro é o da proposta de um novo paradigma no mundo constitucional: as constituições deixam de ter lugar no mundo global da governance pública e privada. Neste contexto, a globalização vem transmutar em problema quase todas as categorias do nosso mundo Jurídico-politico como «estados», «democracia», «constitui­ção", «legitimação do poder». O problema das constituições nacionais era o da limitação jurídica do poder e da afirmação dos direitos individuais;
o problema
da governance global é a regulação de dinâmicas sociais mundiais relacionadas com a digitalização, a privatização e a rede global.

 

As constituições assentam num paradigma cultural antropocêntrico: o dos direitos e liberdades individuais. O terrorismo glo­bal veio lançar o terror sobre as constituições:
ao erguerem-se como redutos incontornáveis, no paradigma do Direito Constitucional ocidental, dos direitos, liberdades e garantias, elas cor­rem o risco de se cristalizarem como cartas de alforria dos cri­minosos. Em vez de protegerem as vítimas - argumentam alguns - sustentam perversamente as novas mensagens dos «direitos contra o inimigo» e contra o maximalismo libertário dos textos constitucionais.
Por último, um simples olhar para a palavra cultura. A constituição como cultura não é apenas um requinte intelectual de combate aos demónios do passado como o estatismo, o formalismo, o abuso de poder, a aniquilação dos direitos. Ela serve de eixo à interculturalidade, articulando as dimensões estruturantes das culiuras plurais e abertas.
muitas «forças do mal» a acrescentar pecados ao pecado original. O diálogo intercultural contra os fundamentalismos, os novos conquistadores, as novas bestialidades,
os novos riscos civilizacionais, talvez deva levar a sério os textos básicos laicos do constitucionalismo ocidental.

 

 

Fonte: Jornal de Letras, Artes e Ideias_6-9 de Junho de 2007

+ Informação sobre o «O estado do Mundo» em:

www.estadodomundo.gulbenkian.pt/index.htm?no=00001
www.o-estado-do-mundo.blogspot.com

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"É a motivação que nos faz começar. E o habito que nos faz prosseguir"
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