Expressões e seus significados. Curiosidade

1,887 views
Skip to first unread message

Franklin Alves

unread,
Dec 16, 2010, 3:18:16 PM12/16/10
to Grupo CABCHB
De: Karen
 CALCANHAR DE AQUILES
 De acordo com a mitologia grega, Tétis, mãe de Aquiles, a fim de tornar seu filho indestrutível, mergulhou-o num lago mágico, segurando-o pelo  calcanhar. Na Guerra de Tróia, Aquiles foi atingido na única parte de seu corpo que não tinha proteção: o calcanhar. Portanto, o ponto fraco de uma  pessoa é conhecido como calcanhar de Aquiles.
 
VOTO DE MINERVA
 Orestes, filho de Clitemnestra, foi acusado pelo assassinato da mãe. No julgamento, houve empate entre os acusados. Coube à deusa Minerva o voto  decisivo, que foi em favor do réu.  Voto de Minerva é, portanto, o voto decisivo.
 
CASA DA MÃE JOANA
 Na época do Brasil Império, mais especificamente durante a menoridade do  Dom Pedro II, os homens que realmente mandavam no país costumavam se  encontrar num prostíbulo do Rio de Janeiro, cuja proprietária se chamava Joana. Como esses homens mandavam e desmandavam no país, a frase casa da  mãe Joana ficou conhecida como sinônimo de lugar em que ninguém manda.
 
VÁ SE QUEIXAR AO BISPO!
 Durante o Brasil Colônia, a fertilidade de uma mulher era atributo fundamental para o casamento, afinal, a ordem era povoar as novas terras  conquistadas. A Igreja permitia que, antes do casamento, os noivos mantivessem relações sexuais, única maneira de o rapaz descobrir se a moça era fértil. E adivinha o que acontecia na maioria das vezes? O noivo fugia depois da relação para não ter que se casar. A mocinha, desolada, ia se  queixar ao bispo, que mandava homens para capturar o tal espertinho.
 
CONTO DO VIGÁRIO
 Duas igrejas de Ouro Preto receberam uma imagem de santa como presente. Para decidir qual das duas ficaria com a escultura, os vigários contariam  com a ajuda de Deus, ou melhor, de um burro. O negócio era o seguinte:  colocaram o burro entre as duas paróquias e o animalzinho teria que  caminhar até uma delas. A escolhida pelo quadrúpede ficaria com a santa. E foi isso que aconteceu, só que, mais tarde, descobriram que um dos
 vigários havia treinado o burro. Desse modo, conto do vigário passou a ser sinônimo de falcatrua e malandragem.
 
FICAR A VER NAVIOS
 Dom Sebastião, rei de Portugal, havia morrido na batalha de Alcácer-Quibir, mas seu corpo nunca foi encontrado. Por esse motivo, o  povo português se recusava a acreditar na morte do monarca. Era comum as pessoas visitarem o Alto de Sa
nta Catarina, em Lisboa, para esperar pelo rei. Como ele não voltou, o povo ficava a ver navios.
 
NÃO ENTENDO PATAVINAS 
 Os portugueses encontravam uma enorme dificuldade de entender o que falavam os frades italianos patavinos, originários de Pádua, ou Padova,  sendo assim, não entender patavina significa não entender nada.
 
DOURAR A PÍLULA
 Antigamente as farmácias embrulhavam as pílulas em papel dourado, para melhorar os aspecto do remedinho amargo. A expressão dourar a pílula, significa melhorar a aparência de algo.
 
CHEGAR DE MÃOS ABANANDO
 Há muito tempo, aqui no Brasil, era comum exigir que os imigrantes que chegassem para trabalhar nas terras trouxessem suas próprias ferramentas. Caso viessem de mãos vazias, era sinal de que não estavam dispostos ao trabalho. Portanto, chegar de mãos abanando é não carregar nada.
 
SEM EIRA NEM BEIRA
 Os telhados de antigamente possuíam eira e beira, detalhes que conferiam status ao dono do imóvel. Possuir eira e beira era sinal de riqueza e de cultura. Não ter eira nem beira significa que a pessoa é pobre, está sem grana.
 
ABRAÇO DE TAMANDUÁ
 Para capturar sua presa, o tamanduá se deita de barriga para cima e abraça seu inimigo. O desafeto é então esmagado pela força. Abraço de tamanduá é sinônimo de deslealdade, traição.
 
O CANTO DO CISNE
 Dizia-se que o cisne emitia um belíssimo canto pouco antes de morrer. A expressão canto do cisne representa as últimas realizações de alguém.
 
ESTÔMAGO DE AVESTRUZ
 Define aquele que come de tudo. O estômago do avestruz é dotado de um suco gástrico capaz de dissolver até metais.
 
LÁGRIMAS DE CROCODILO
 É uma expressão usada para se referir ao choro fingido. O crocodilo, quando ingere um alimento, faz forte pressão contra o céu da boca,  comprimindo as glândulas lacrimais. Assim, ele chora enquanto devora a vítima.
 
MEMÓRIA DE ELEFANTE
 O elefante lembra de tudo aquilo que aprende, por isso é uma das principais atrações do circo. Diz-se que as pessoas que se recordam de tudo tem memória de elefante.
 
OLHOS DE LINCE
 Ter olhos de lince significa enxergar longe, uma vez que esses bichos têm a visão apuradíssima. Os antigos acreditavam que o lince podia ver através  das paredes.
 



--
Franklin José Oliveira Alves, Fortaleza, Ceará, Brasil
Email:    franklinol...@gmail.com
Site:       http://www.franklinalves.com.br
Blog:      http://franklinalves.blogspot.com
Skype:   franklinalves2

Arlan Mendes Mesquita

unread,
Dec 20, 2010, 1:24:58 PM12/20/10
to cab...@googlegroups.com
Cara Karen apud Franklin,

se vivo fosse, o poeta e escritor português Fernando Pessoa não concordaria com a origem da expressão "conto do vigário" consignada na sua mensagem eletrônica. Em 30/10/1926, no Diário Sol, de Lisboa, com o título "Um Grande Português", Fernando Pessoa narrou a procedência da expressão. Posteriormente, em 18/08/1929, a narrativa foi publicada novamente, no "Notícias Ilustrado", com o título de "A Origem do Conto do Vigário". Transcrevo, abaixo, a narrativa de Fernando Pessoa.

Abraços,
Arlan
P.s.: há o livro "Um grande português ou a origem do conto do vigário", de Fernando Pessoa (Ed. Ática).

"Vivia há já não poucos anos, algures, num concelho do Ribatejo, um pequeno lavrador, e negociante de gado, chamado Manuel Peres Vigário.

Da sua qualidade, como diriam os psicólogos práticos, falará o bastante a circunstância que dá princípio a esta narrativa. Chegou uma vez ao pé dele certo fabricante ilegal de notas falsas, e disse-lhe: «Sr. Vigário, tenho aqui umas notazinhas de cem mil réis que me falta passar. O senhor quer? Largo-lhas por vinte mil réis cada uma.» «Deixa ver», disse o Vigário; e depois, reparando logo que eram imperfeitíssimas, rejeitou-as: «Para que quero eu isso?», disse; «isso nem a cegos se passa.» O outro, porém, insistiu; Vigário cedeu um pouco regateando; por fim fez-se negócio de vinte notas, a dez mil réis cada uma.

Sucedeu que dali a dias tinha o Vigário que pagar a uns irmãos negociantes de gado como ele a diferença de uma conta, no valor certo de um conto de réis. No primeiro dia da feira, em a qual se deveria efectuar o pagamento, estavam os dois irmãos jantando numa taberna escura da localidade, quando surgiu pela porta, cambaleando de bêbado, o Manuel Peres Vigário. Sentou-se à mesa deles, e pediu vinho. Daí a um tempo, depois de vária conversa, pouco inteligível da sua parte, lembrou que tinha que pagar-lhes. E, puxando da carteira, perguntou se, se importavam de receber tudo em notas de cinquenta mil réis. Eles disseram que não, e, como a carteira nesse momento se entreabrisse, o mais vigilante dos dois chamou, com um olhar rápido, a atenção do irmão para as notas, que se via que eram de cem.

Houve então a troca de outro olhar.

O Manuel Peres, com lentidão, contou tremulamente vinte notas, que entregou. Um dos irmãos guardou-as logo, tendo-as visto contar, nem se perdeu em olhar mais para elas. O vigário continuou a conversa, e, várias vezes, pediu e bebeu mais vinho. Depois, por natural efeito da bebedeira progressiva, disse que queria ter um recibo. Não era uso, mas nenhum dos irmãos fez questão. Ditava ele o recibo, disse, pois queria as coisas todas certas. E ditou o recibo – um recibo de bêbedo, redundante e absurdo: de como em tal dia, a tais horas, na taberna de fulano, e «estando nós a jantar (e por ali fora com toda a prolixidade frouxa do bêbedo...), tinham eles recebido de Manuel Peres Vigário, do lugar de qualquer coisa, em pagamento de não sei quê, a quantia de um conto de réis em notas de cinquenta mil réis. O recibo foi datado, foi selado, foi assinado. O Vigário meteu-o na carteira, demorou-se mais um pouco, bebeu ainda mais vinho, e daí a um tempo foi-se embora.

Quando, no próprio dia ou no outro, houve ocasião de se trocar a primeira nota, o que ia a recebê-la devolveu-a logo, por escarradamente falsa, e o mesmo fez à segunda e à terceira... E os irmãos, olhando então verdadeiramente para as notas, viram que nem a cegos se poderiam passar.

Queixaram-se à polícia, e foi chamado o Manuel Peres, que, ouvindo atónito o caso, ergueu as mãos ao céu em graças da bebedeira providencial que o havia colhido no dia do pagamento. Sem isso, disse, talvez, embora inocente, estivesse perdido.

Se não fosse ela, explicou, nem pediria recibo, nem com certeza o pediria como aquele que tinha, e apresentou, assinado pelos dois irmãos, e que provava bem que tinha feito o pagamento em notas de cinquenta mil réis. «E se eu tivesse pago em notas de cem», rematou o Vigário «nem eu estava tão bêbedo que pagasse vinte, como estes senhores dizem que têm, nem muito menos eles, que são homens honrados, mas receberiam.» E, como era de justiça foi mandado em paz.

O caso, porém, não pôde ficar secreto; pouco a pouco se espalhou. E a história do «conto de réis do Manuel Vigário» passou, abreviada, para a imortalidade quotidiana, esquecida já da sua origem.

Os imperfeitíssimos imitadores, pessoais como políticos, do mestre ribatejano nunca chegaram, que eu saiba, a qualquer simulacro digno do estratagema exemplar. Por isso é com ternura que relembro o feito deste grande português, e me figuro, em devaneio, que, se há um céu para os hábeis, como constou que o havia para os bons, ali lhe não deve ter faltado o acolhimento dos próprios grandes mestres da Realidade – nem um leve brilho de olhos de Macchiavelli ou Guicciardini, nem um sorriso momentâneo de George Savile, Marquês de Halifax."

Fernando Pessoa


--
Você recebeu esta mensagem porque está inscrito no Grupo CABCHB formado por ex-cahbistas do Banco do Nordeste do Brasil S/A - BNB.
Para postar neste grupo, envie um e-mail para cab...@googlegroups.com
Para visualizar o nosso blog acesse http://cabchbagenda.blogspot.com
Para acessar nossos ÁLBUNS DE FOTOGRAFIAS clique nos links abaixo:
http://picasaweb.google.com.br/cabchbagenda/CABCHB00?feat=directlink
http://picasaweb.google.com.br/cabchbagenda/CABCHB01?feat=directlink
http://picasaweb.google.com.br/cabchbagenda/CABCHB02?feat=directlink
http://picasaweb.google.com.br/cabchbagenda/CABCHB03?feat=directlink
http://picasaweb.google.com.br/cabchbagenda/CABCHB04?feat=directlink

francisco jose silveira

unread,
Dec 20, 2010, 1:32:35 PM12/20/10
to cab...@googlegroups.com
Grande Arlan,

Para todos o que significa e qual a origem da expressão:

NADAR E MORRER NA PRAIA?

Abrs
Silveira



2010/12/20 Arlan Mendes Mesquita <arlanm...@gmail.com>

marcoa...@fortalnet.com.br

unread,
Dec 20, 2010, 1:59:50 PM12/20/10
to cab...@googlegroups.com

Para todos a minha colaboração. Origem a significado da expressão:

EU NÃO POSSO E COMER COMO PINTO E CAGAR COMO PATO.

Abraços

Marco Antonio

----- Mensagem original -----
De: "francisco jose silveira" <silve...@gmail.com>
Para: cab...@googlegroups.com
Enviadas: Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010 15:32:35
Assunto: Re: [CABCHB] Expressões e seus significados. Curiosidade

Grande Arlan,

Abrs
Silveira


Cara Karen apud Franklin,

Fernando Pessoa

De: Karen

FICAR A VER NAVIOS
Dom Sebastião, rei de Portugal, havia morrido na batalha de Alcácer-Quibir, mas seu corpo nunca foi encontrado. Por esse motivo, o povo português se recusava a acreditar na morte do monarca. Era comum as pessoas visitarem o Alto de Sa nta Catarina, em Lisboa, para esperar pelo rei. Como ele não voltou, o povo ficava a ver navios.

Franklin Alves

unread,
Dec 21, 2010, 6:05:26 AM12/21/10
to cab...@googlegroups.com
Valeu Arlan, obrigado pelo esclarecimento.   Abraços.  Franklin.
Reply all
Reply to author
Forward
0 new messages