Jorge Larrosa Pedagogia Profana Pdf Download

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Sabina Gream

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Jul 23, 2024, 8:16:55 AM7/23/24
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Quais habilidades treinamos ao escrever ensaios?
Duas so fundamentais. Uma a capacidade de escrever, algo que no nada fcil. Eu sou professor universitrio e vivo num pas onde a maioria dos jovens tem sido altamente escolarizada e, no entanto, no sabe escrever. Um colega, professor do curso de jornalismo, me disse que, de 50 alunos que ele tem, s quatro sabem escrever. Outra a organizao do pensamento, a sensibilidade para buscar a frase adequada. Escrever sempre uma prtica interessante para expor o pensamento e pensar no que se diz.

Para o professor, escrever ensaios pode ser uma forma de autoavaliao?
Sim, porque a escrita de qualquer tipo produz certa exteriorizao do prprio pensamento. Ler o que voc mesmo escreve uma das coisas mais horrveis que existem. Voc sempre tem a sensao de que no conseguiu escrever o que queria e v que poderia melhorar aqui e ali. Pode ser um sofrimento, mas o resultado disso pode ser bom.

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Na sua obra, o senhor expe que os romances de formao so muito importantes para percebermos o que somos e como nos tornamos o que somos. Conhecer essa literatura pode ajudar professores e gestores escolares a repensar como a escola se tornou o que ?
Eu creio que sim. Trabalho sempre com a filosofia, mas sempre fazendo relaes com o cinema, a literatura e tentando buscar uma forma de expresso que d certa ideia do singular e do concreto. Pode ser literatura, cinema, artes plsticas, qualquer coisa. E estou cada vez mais convencido de que se poderia organizar uma graduao completa de formao de professores somente com literatura, cinema e filosofia, sem psicologia, sem didtica, deixando de fora a lngua dos especialistas. Estou cada vez mais convencido de que tudo est na literatura e na arte.

Como elas podem ser educativas?
Quando se usam para o comum. Uma aula construir uma conversao sobre algo comum. E uma conversao pode ser construda com vrios elementos: com textos, com tecnologia, com artes, com o que for. Mas o importante que tudo isso construa algo comum e no algo particular de cada um. E a creio que no uma questo de tecnologia; se tecnologia ou no. Tem a ver com a individualizao. A educao no mundo moderno vai a favor de um individualismo, da separao das pessoas. Ento as tecnologias unem as pessoas ou as separam? Unem as pessoas porque as conectam e as separam, porque cada um est com seu computador, com seu Facebook, com sua televiso. Unem e separam ao mesmo tempo. Ento as tecnologias so educativas quando unem e no quando separam; quando separam so outra coisa.

Em seu livro Pedagogia profana [Autntica, 2001], o senhor prope uma pedagogia emancipadora, libertria. Nesse sentido, qual a importncia do humor, do riso, na escola?
Eu escrevi uma vez sobre a dessacralizao, como algo que profana o solene, o sagrado. Quando voc vai a um evento sobre educao, h vdeos com crianas sorrindo sempre. uma imagem que virou publicitria demais: o sorriso das crianas, que esto se divertindo, passando bem, felizes. E quando eu escrevi sobre o riso, no foi nesse sentido. Foi sobre a capacidade do riso de dessacralizar saberes. Quando algo se mostra demasiadamente solene, preciso pr um nariz de palhao.

Nesse cenrio, qual o papel das avaliaes externas?
Existe uma obsesso por avaliao que muito perigosa. Eu creio que se dedica mais energia e dinheiro para avaliar o funcionamento dos procedimentos do que aos prprios procedimentos. No faz muito tempo que um professor universitrio dedica 70% de seu tempo a avaliar e ser avaliado, a fazer relatrios para ser avaliado ou a formar comits de avaliao. E me parece que isso est comeando a ser feito na escola primria e na escola secundria, que passam a dedicar mais tempo a avaliaes do que a fazer coisas. E isso no pode acontecer, porque a avaliao no pode se converter em uma finalidade em si mesma. Parece que h uma obsesso perversa por avaliao, que tem a ver sempre com o mercado, que diz ser preciso determinar o valor das coisas, dizer que isso vale mais do que aquilo.

Os especialistas Jorge Larrosa, Maria do Rosrio Longo Mortatti, Ricardo
Azevedo e Regina Zilberman, todos conferencistas do 16 Cole, falam
sobre o papel da leitura e da educao na sociedade contempornea

A leitura assume hoje um papel crucial, deixando de ser apenas sinnimo de conhecimento. Ela passou a significar, dentre outras coisas, incluso e maior capacidade de compreenso dos mecanismos – e fenmenos – que regem o mundo contemporneo. Nesse sentido, considerando o programa do 16 Cole, quatro dos conferencistas do congresso fazem uma leitura dos seguintes temas:

Maria do Rosrio Longo Mortatti – Atualmente, em sociedades letradas, saber ler (e escrever), saber utilizar a leitura (e a escrita) nas diferentes situaes do cotidiano so necessidades tidas como inquestionveis tanto para o exerccio pleno da cidadania, no plano individual, quanto para a medida do nvel de desenvolvimento de uma nao, no nvel sociocultural e poltico. Mas a justificativa da necessidade da leitura (e escrita) centrada em finalidades de ordem pragmtica, apenas, nem sempre se apresenta to inquestionvel assim. De fato, comparativamente ao que ocorria h algumas dcadas, por exemplo, a leitura e a escrita (da palavra escrita) parecem ser, contemporaneamente, menos importantes no cotidiano de imensa maioria da populao brasileira, no que se refere seja sobrevivncia pessoal, seja obteno de informaes e conhecimento. No saber ler (e escrever) no impede, por si s, a sobrevivncia de um indivduo, seu acesso maioria das informaes de que necessita, um emprego digno; do mesmo modo, saber ler (e escrever), por si s, no garante que se obtenham meios mais dignos de sobrevivncia, ou informaes mais precisas para as necessidades cotidianas.

De fato, finalidades pragmticas so muito pouco para convencer pessoas e mov-las a suprir a necessidade dessas habilidades. Penso que a primordial e fundadora justificativa para a necessidade da leitura (e escrita), que antecede a satisfao de necessidades pragmticas, centra-se no fato de se tratar de atividades especificamente humanas, que se relacionam com a formao do ser humano, com a constituio dessa condio de ser humano, que envolvem sua interao com outros seres humanos, sua insero em um grupo social, sua insero na histria, sua conscincia de si, do mundo e dos outros.

Regina Zilberman – A leitura um processo de interao entre o sujeito e o mundo, em que esse aparece na condio de texto a ser decifrado. Que o real um texto sugerem-no tanto a reflexo de Walter Benjamin sobre a origem da linguagem, quanto a pedagogia de Paulo Freire, que parte da leitura do mundo para que se desenvolva a habilidade da leitura da escrita.

Ricardo Azevedo – fundamental que nossa escola consiga formar pessoas que saibam ler e escrever com desenvoltura, o que nem sempre tem acontecido. Mais que isso: preciso formar pessoas que tenham pensamento crtico e saibam no s ler a vida e o mundo como comecem a dar idias e propor interpretaes a respeito da vida e do mundo.

Maria do Rosrio Longo Mortatti – No Brasil muitas tm sido as dificuldades para que se efetivem plenamente esse dever do Estado e direito do cidado, como vm revelando, de forma alarmante, resultados de avaliaes de estudantes e sistemas de ensino, nos ltimos anos. Os avanos quantitativos em relao incluso educacional no tm sido suficientes para garantir, sobretudo a crianas e jovens, ao menos o ensino fundamental completo e de qualidade, especialmente no que se refere leitura e escrita, dificultando assim, o acesso efetivo aos conhecimentos considerados socialmente bsicos e indispensveis. E, em conseqncia, no tm contribudo para formar letrados...

Essas dificuldades evidenciam, dentre tantssimos outros aspectos, uma das principais dentre as muitas armadilhas que ameaam certas tentativas de busca de soluo dos problemas de (falta de) leitura em nosso pas: aquela em que se aprisionam os que buscam solues facilitadoras.

Muitas vezes cheios de boas-intenes, outras vezes saturados de ingnua arrogncia, muitos dos responsveis pela educao e pela formao de leitores no pas tendem a propor e implementar processos perversos de achatamento de horizontes de expectativa de leitores e de educadores. o que ocorre quando, visando adaptao s precrias condies da maioria dos que se querem formar como leitores, razo, se sobrepem falaciosas e demaggicas determinaes de necessidades e finalidades de leitura assim como de oferta de textos e condies de leitura. Em outras palavras: a quem pouco tem, pouco deve ser dado.

Considerando a misria social e cultural que assola este pas, podemos concluir que vivemos em uma sociedade semiletrada. Assim, tornam-se muito frgeis no apenas as demandas e as justificativas pragmticas em relao necessidade de saber ler (e escrever) mas tambm as propostas e prticas relativas ao incentivo e ao ensino da leitura (e escrita) fundamentadas no falso suposto da mera adaptao ao gosto, aos usos e s funes pragmticas dessas atividades, como ocorrem em nosso pas, atualmente. Tais justificativas podem ser bastante eficientes para a proposio de metas que gerem bons resultados estatsticos e polticos; mas certamente so ineficientes para contribuir para alcanarmos, no uma situao ideal, mas uma situao de predomnio da razo crtica, ao menos.

Ricardo Azevedo – So muitas mas uma das mais ardilosas diz respeito poltica. No Brasil, o debate e a reflexo poltica andam escassos. Fomos transformados numa sociedade despolitizada e isso muito ruim. A poltica a forma que os homens inventaram para construir o futuro. Uma pessoa despolitizada fica confusa, ctica e desesperanada, seja ela jovem ou no.

Maria do Rosrio Longo Mortatti – Saber ler (e escrever) e saber utilizar a leitura (e escrita) supem aquisio e utilizao de habilidades e conhecimentos que precisam ser ensinados e aprendidos, estando relacionados tambm com a escolarizao e a educao e abrangendo processos educativos que ocorrem em situaes tanto escolares quanto no-escolares.

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