Inglês na Guiana

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Feb 28, 2006, 1:58:19 AM2/28/06
to Brazil-Guyana
Inglês da Guiana
* Paulo Nunes da Mata

"A Guiana oferece inglês como língua estrangeira e já que é
posicionada como o único país de língua inglesa no continente
sul-americano, os brasileiros são convidados para aproveitarem desta
oferta." (Stabroek News, 2003). Estas foram as palavras do
Presidente da República Cooperativa da Guiana, Bhrarrat Jagdeo, que
esteve em Brasília em 30 de julho de 2003 e oferceu o seu país para
estudantes brasileiros aprenderem inglês. (Agência Brasil, 2003).
Embora geograficamente a Guiana está posicionada no continente
sul-americano, cultural e economicamente ela faz parte da comunidade
caribenha. Na comunidade caribenha anglo-fônica, o inglês é
apenas a língua oficial e na Guiana não é diferente. O
linguista de origem guianense, John R. Rickford (1983) diz que "o
inglês padrão é a língua oficial do país e é usada pelo governo,
educação e predominante nos meios de comunicação." (Hollbrook,
2001, p. 16). Segundo Hollbrook(2001) o inglês padrão é também
frequentemente falado no comércio e na igreja e nos demais domínios
se fala creolese.
Couto(1996) nos informa que creolese é o nome do crioulo de base
inglesa falado na Guiana.
Assim, o creolese é um dos crioulos de base inglesa da família
linguística caribenha anglo-fônica.

"Há muitos crioulos diferentes no Caribe - jamaicano, bahamense,
crioulo das ilhas Leeward, das ilhas Windward, barbadense e outros -
que podem ter sotaque e vocabulário diferentes, mas são unidos por
uma estrutura gramatical comum. Os crioulos caribenhos são,
portanto, como uma única língua dividida em número de dialetos
regionais." Revista Speak Up (1997)

Nas palavras de Couto(1996, p.234) "O crioulo inglês da Guiana
(creolese), ex-Guiana Inglesa apresenta muitas semelhanças com os
crioulos de Barbados." E no dicionário de Caribbean English
Usage do linguista guianense, Richard Allsopp está escrito que o
creolese compartilha palavras e frases com os crioulos de Trinidad &
Tobago, Barbados, Jamaica e Granada. (Hollbrook, 2001, p, ).
Couto (1996) afirma que em todas as sociedades crioulas, a língua
crioula está sempre em contato com a língua oficial.
Embora reconheça que o creolese é uma língua independente da
língua inglesa, Walter Edwards, línguista guianense chama o creolese
de versão da língua inglesa. (Caribvoice, 2004).

" Most ah dis website gon be in we native creolese, yeah man (an
homan too)! Ah know dem gat nuff, nuff, GT website in English, but ah
doan see none in creolese. Suh, fuh de real guyanese dem who love we
native tongue --- well, all meh gat fuh seh to yuh is, welcome home
bannah, welcome home binnie!"

Linguagem como esta retirada da página eletrônica do Real Guyana
(2005) é também usada por cidadãos guianenses conversando na sala de
bate-papo virtual cujo endereço eletrônico é
www.guyanapalace.com/chat
Para a maioria das pessoas ignorantes em línguas crioulas, a
primeira impressão é de que se trata da língua inglesa deformada, em
outras palavras, do inglês errado, "broken English" em inglês.
Opinião compartilhada inclusive por cidadaos guianenses como pode
ser lido na passagem abaixo retirada do jornal Guyana Chorinicle em sua
versão eletrônica:

"We should then, not refer ourselves as na English-speaking country,
but rather as a broken-English speaking country." Guyana Chronicle
(2005)

A Sociedade para a Linguística Caribenha (SCL) citando Ian
Robertson(2002) afirma que embora a língua crioula seja lexicalmente
dependente da língua inglesa, semântica e gramaticalmente, elas são
independentes uma da outra.
Portanto, as língua crioulas (como o creolese) não podem ser
rotulada de "broken English". (SCL, 2004)

Para Thomason e Kaufman (1986:35, apud Couto, 1988, p.6) a história
sociolinguística dos falantes é a parte mais importante quando se
trata de entender a língua crioula.
De acordo com a página eletrônica da Guyana News and Information,
os holandeses levaram nos anos de 1650 a 1800 em torno de 900.000
escravos africanos para as Guianas e Caribe das regiões onde hoje se
localizam Senegal, Níger, Congo, Angola e a antia Costa do ouro.
Por possuírem línguas ininteligíveis, pois pertenciam a tribos
diferentes, o holandês, a língua dos senhores, foi adotada para se
comunicarem entre si.
No início, a comunicação ocorreu por meio de um pidgin
holandês rudimentar, ao qual os africanos adicionaram algumas palavras
e expressões de suas línguas. Ä medida que novas gerações
íam nascendo, o pidgin que já se denominava crioulo era a primeira
língua da comunidade.
Quando os britânicos invadiram a Guiana, passando a ser os novos
senhores, o crioulo guianense mudou por completo de filiação do
holandês para a língua inglesa.
Os britânicos libertaram os negros da escravidão e trouxeram
povos de Portugal, China e principalmente da Índia para trabalharem na
Guiana. Acredita-se que palavras das línguas portuguesa, chinesa e
indiana foram incorporadas ao creolese, o crioulo guianense.
A formação do creolese não difere do ciclo vital formulado por
Hall(1962:p.151-156, apud Couto, 1998, p, 6), holandês e inglês como
línguas dominantes, línguas de superstrato, também chamadas de
lexificadoras, em contato com as línguas africanas, as línguas de
substrato. Nichols (2001) menciona que todos usam o léxico da
língua da população dominante e a sintaxe das línguas dominadas.

Portanto, o creolese é constituido de vocabulário da língua
inglesa e gramática das línguas africanas como os demais crioulos da
comunidade caribenha anglo-fônica conforme assegura outra linguista
guianense, Hubert Devonish. (McCrum, Cran, MacNeil, 1986,1992, p.346).
Apesar do creolese e o inglês padrão serem as línguas mais
faladas na Guiana, não há dados que comprovem que os cidadãos
guianenses sejam falantes fluentes das duas línguas como declara
Hollbrook (2001, p. 19), mas Richard Allsopp comenta que "Não há
criança na Guiana Britânica...que não entenda o inglês padrão."
(Allsopp, 1953:235 apud Hollbrook, 2001, p, 19).
Walter Edwards (2002) fala em situação rurual quando fala em
creolese e Hollbook(2001 diz que a maioria dos guianenses que dominam o
inglês padrão mora nas zonas urbanas da Guiana.
A Guiana é uma país de população predominantemente rural;
apenas 30% dos guianenses moram na zona urbana. Isto leva a
acreditar que 70% dos guianenses falam o creolese, já que esta língua
está mais associada com a zona rural. (Hollbrook, 2001, p.19)
Hollbrook(2001) comenta que mesmo os falantes monlingues do
creolese não vêem qualquer valor no uso do creolese, pensamento em
existência com relação a outros crioulos caribenho como o jamaicano:

" O apelo da língua padrão cai em sua associação com dinheiro e
sucesso. O mundo externo, o mundo do dólar e do comércio
internacional fala inglês padrão e o Caribe, dependente da boa
vontade dos Estados Unidos e em menor proporção da Inglaterra precisa
entrar neste mundo. Advogados, médicos, homens de negócios,
estudantes e economistas têm pouco incentivo para promoverem as formas
mais fortes do inglês jamaicano ou outro caribenho."
(McCrum, Cran, MacNeil, 1986,1992, p.).

Embora contra a vontade de uma grante parte da população,
inclusive do próprio Ministério da Educação da Guiana, que está
com um projeto de descrioulizar o creolese dentro de 20 a 30 anos
(Hollbrook, 2001, p,) e tornar a Guiana em um centro de aprendizagem de
língua inglesa para povos da América do Sul,(Guyana SNDP, 2005) há
movimentos que lutam para a estabilização da língua crioula como a
língua oficial da comunidade caribenha anglo-fônica. Nas palavras de
Devonish, "a língua inglesa é a língua de uma elite separada da
massa da população caribenha." (McCrum, Cran, MacNeil, 1986,1992,
p.).
Um leitor do jornal Guyana Chronicle expressa a sua opinião em
creolese:

"Me a waan proud Guyanese na me proud a me language na me cultcha, me
only wish dat me coulda speak mo betta rural Creolese but me teacha in
school bin tell me fuh taak praparly. So now me gat fuh taak wan
'standard' speech, but guess wha? Dat 'standard'is de urban
Creole. Only ting is dat it sound like English."


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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República Cooperativista da Guiana, Bharrat Jagdeo. 2003.
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HOLBROOK,David J;HOLBROOK,Holly A. SIL INTERNATIONAL. Guyanese Creole
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http://www.guyana.org/features/guyanastory/chapter61.html . Acessado em
17.08.2005


* DA MATA, Paulo Nunes, Inglês da Guiana. Google: 2006
http://spaces.msn.com/eltprofessionalpaulo

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