É muito triste imaginar que nos anos 20 do século passado, portanto há 100 anos, crianças interagiam com a família e com as comunidades na língua materna, a polonesa.
Esse belo fenômeno era visível principalmente nos redutos de imigração polonesa densa.
Hoje, descendentes de poloneses, em 5ª e até 6ª geração, nascem fadados ao desuso total da língua, pois o entorno familiar e comunitário está por demais afastado do nobre idioma polonês.
No entanto, entre os idealistas e utopistas sobrevive a imaginação de que o patrimônio imaterial cultural brasileiro, a língua polonesa, sobreviverá em um mínimo de brasileiros descendentes de poloneses, distinguidos pela garra e apreciação do diferente, em homenagem aos, entre outros, implantadores do desenvolvimento material e imaterial desta Pátria, Brasil, pioneiramente iniciado em 1869 em SC, 1871 no PR e em 1875 no RS.
Em vários endereços, de forma muito humilde, a língua polonesa é ensinada aos pequenos e aos grandes. No momento atual, a pandemia impede. No RS em Carlos Gomes, Áurea, Guarani das Missões, Santa Rosa, Nova Prata, Veranópolis, Nova Roma do Sul, Porto Alegre ... havia, periodicamente, oficinas de aprendizagem do polonês.
“Somente peixes mortos nadam com a correnteza”. Existem aguerridos “atletas” que insistem em nadar contra essa “correnteza” e estudam o polonês. Deixa de ser o polonês materno, transmitido por professores sem diploma que foram a mãe, o pai e os avós, mas é um polonês de comunicação, próprio para a dinâmica do cotidiano, principalmente, quando se chega à Polônia, pátria de nossos ancestrais.
Oxalá possam esses “nadadores” forjar-se como polônicos e chegar a serem capazes de sentir arrepiar sua pele e o gotejar suas lágrimas diante de alguma poesia clássica polonesa, declamada na língua de nossos ancestrais.
Concluiremos, então, que o patrimônio imaterial da língua polonesa permanece enriquecendo o Brasil.
25.08.2020
BRASPOL – RS
andré hamerski
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