Estamos em mobilização junto com as nações indígenas por uma nova relação da sociedade com os índios, pelo fim da prática etnocida do Estado e o pleno reconhecimento aos direitos originários.
Acreditamos que os interesses dos povos indígenas constituem interesse coletivo e não individual; a Constituição atribui às nações a função de depositárias fieis do bem público, a água, todos os recursos da vida, animais, remédios, patrimônio da humanidade. Querem nos fazer pensar o contrário, que a mineração e o latifúndio são interesses coletivos, que os povos indígenas estão internacionalizando as terras; ameaçando a soberania do estado brasileiro em crise. Quem está do lado dos índios contra o Brasil? Quem está ao lado do Brasil contra os índios? Os acordos de campanha dos deputados ruralistas nomeiam as multinacionais do agrotóxico e da monocultura instalada em terras indígenas. O cartel do transporte público arrendado pelo governo vai até a Suíça. Ora, quem está destruindo a nossa sociedade e a sua riqueza em benefícios de poucos grupos sustentado pelo capital internacional. Em defesa do interesse coletivo, queremos o fim do estado etnocida e o reconhecimento pleno do direito originário dos povos indígenas.
Sem nenhum fundamento e utilizando argumentos ideológicos, setores do parlamento e do governo pressionam violentos ataques aos direitos indígenas comprometendo gerações futuras de brasileiros de todas as nações. Nesse momento gritamos pela defesa dos direitos originários e demarcação de todas as terras indígenas. Em defesa da vida e da riqueza das nações originárias. Em luta por seus direitos ou vendo a cidade invadir os territórios indígenas, mais de 40% dos índios está em algum tipo de área considerada urbana. Para a ideologia ruralista os índios foram aculturados. O cidadão colonizado, por isso colonizador, com sua frágil identidade histórica afronta sem o menor pudor, com estupidez cínica, a identidade e a cultura indígena. O que é comum e verdadeiramente tradicional em todos povos é a invenção do futuro; a cultura é dinâmica, tanto a dos índios como a nossa, herdeira da colônia e do império. Depois de 500 anos as nações indígenas, ventre dos brasileiros, resistem com suas tradições. Repetimos cegamente o dogma da colonização que nos obriga a perceber o sentido dessa relação como um caminho reto, direcionando sempre para o lado ocidental. Mas o pensamento livre, que envereda pelos caminhos da descolonização sabe que a dinâmica verdadeira da cultura não é um gráfico. Por isso quereremos pensar que no mais das vezes, esses milhares de índios vivendo nas cidades, antes de ficarem menos índio (se isso é possível), indianizam mais o seu novo lugar. E quanto não há de pensamento indígena nas formas de protestar que aumentam se espalham pelo território brasileiro.
A luta do Santuário pelos seus direitos desafia todos os problemas políticos e sociais que o DF tem historicamente apresentado. O crime e a baderna administrativa do governo do Distrito Federal além de aprofundar esses problemas, ha décadas está destruído o patrimônio coletivo e a riqueza da região. O monstro devorador, a hidra do GDF tem nome: Terracap. A Terracap é a prova de que chegamos no limite da crise do Estado, pois, por mais incrível que pareça, essa empresa pública tem a função de agência de desenvolvimento do Distrito Federal. Depois de vender e arrendar milhares de hectares, fechar negócios internacionais e gerir diversos recursos, o cofre da Terracap está vazio! Diante da situação, hipotecaram a terra indígena Tapuya pegando emprestado R$ 20 milhões com o Banco do Brasil; assim a Terracap honra a sua dívida pública, pagando com dinheiro público; na renovação do ciclo que patrocina a pilhagem da riqueza coletiva. Enquanto centenas de hectares são regularizados para igrejas, condomínios e doações; o Santuário dos Pajés, terra sagrada e patrimônio da construção da capital e da memória indígena ancestral do Planalto enfrenta a destruição do seu território. O jogo da especulação imobiliária fomentado pela Terracap ataca não só a terra indígena mas diversos outros interesses legítimos da sociedade.
Para o final dessa gestão o GDF vai receber R$ 5 bilhões do governo federal do orçamento do PAC. Será que esse dinheiro vai ser usado para investir mais ainda na destruição dos nossos recursos naturais? Será que algum centavo está destinado para o etnodesenvolvimento da terá indígena Tapuya de Brasília? Temos que lutar para esses recursos sejam utilizados para realmente desenvolver a nossa cidade e o cerrado, pelo fortalecimento da justiça social no DF e pela preservação dos nossos patrimônios coletivos!
Assim como os índios, a sociedade do Distrito Federal luta pela verdade coletiva; queremos o fim da baderna dos empreendimentos e contratos da Terracap; pela gestão coletiva e racional do desenvolvimento público. A demarcação da Terra Indígena Tapuya é um objetivo importante para a preservação do patrimônio ambiental, cultural e histórico da sociedade do Distrito Federal.
Demarcação da terra indígena Tapuya Santuário dos Pajés!
