Fábio,
O que eu li até hoje fala sobre isso, que o lag-time é diminuído com uma temperatura mais alta, e na verdade, sempre vi recomendações de temperaturas mais altas tanto pra hidratação, lag-time, ou mesmo no caso dos starters. Assumindo que a temperatura atua diretamente na velocidade com o que fermento faz quase tudo, não consigo ver como uma temperatura mais baixa poderia acelerar o lag-time, mas, se achares o texto, poste para que a gente possa ler também.
Gabriel, interessante essa sua prática. Acho que uma coisa importante muitas vezes não é se o que fazemos está de acordo com a teoria mais comum, mas sim de acordo com os resultados que estamos esperando.
Eu sinceramente nunca tive problemas inoculando em temperaturas mais altas, e então deixando que a geladeira abaixe a temperatura ao longo das próximas horas... desde que comecei a fazer isso, o lag-time diminuiu bastante e consigo os perfis de fermentação que desejo. No entanto, eu não faço isso pra acelerar o processo como um todo, ou pra que a cerveja fique pronta mais rápido, mas sim porque sabidamente, um lag-time menor tem uma série de vantagens para a cerveja em si.
No entanto, também não faço isso por contaminação e por diminuir a possibilidade de crescimento de bactérias, é uma coisa que, sinceramente, nem me importo. Não que não seja uma boa prática, mas é que eu já repeti meus processos de limpeza e sanitização tantas vezes sem nunca ter tido uma contaminação que a última coisa que eu espero é uma bactéria ou levedura selvagem voadora caia no mosto e ainda assim consiga se reproduzir a ponto de afetar a cerveja. É o tipo daquelas coisas que eu recomendo por ser uma boa prática, mas que eu nem levo em conta.
Sobre a oxigenação, eu tenho uma posição bem "fria" sobre o assunto, lógica, então pra mim isso depende completamente da cerveja que estou fazendo (OG, sobretudo), e do tipo de fermento (seco, líquido, slurry).
Digo friamente pela necessidade básica do oxigênio, que serve para que o fermento consiga sintetizar ácidos graxos, esteróis, para que então tenha biomassa suficiente para se replicar e atingir a população necessária para fermentar. Nesse sentido, levando em conta cervejas normais, nos seus 1050 de OG, utilizando fermento seco em quantidade suficiente a minha preocupação é zero com oxigenação, porque o fermento seco já tem suas reservas suficientes para 3 ou 4 replicações, que é o caso das cervejas dessa OG. No caso de maior OG, além de compensar a população de fermento, aí sim eu me preocupo com oxigenação e de fato faço via splash juntamente com spray na mangueira que sai da bomba para transferir para o fermentador.
Já no caso de fermento líquido ou slurry, eu capricho bastante no starter, fazendo-o de tamanho adequado, utilizando nutrientes e, no caso do meu stir plate que um monstro, a oxigenação que ele promove é muito melhor do que qualquer tipo de splash, spray ou sacudir o fermentador. Não tenho como medir isso, mas visualmente é impressionante. Sei que a teoria de alguns é que o Stir Plate não causa aeração, mas a teoria de vários outros é que sim, tanto que comprovadamente a taxa de crescimento é muito maior, por vezes o dobro com o mesmo mosto, volume, e no mesmo tempo, e eu acredito que certamente isso tem a ver com oxigenação. Meu stir plate, para um Erlenmeyer de 6 litros quase cheio, consegue fazer com que o cone formado chegue até o fundo e encoste na barra magnética intermitentemente, tipo 1 segundo sim, 1 não, e quando isso acontece, a quantidade de microbolhas espalhadas por todo o erlenmeyer é impressionante.
Ou seja, para cervejas normais, eu praticamente conto só com a oxigenação do próprio starter. Em volumes muito grandes, eu tiro o excesso de líquido depois de deixar decantar, e minutos antes de inocular ligo novamente para oxigenar esse mosto (cerveja já no caso) e inoculo.
Já para cervejas com alta OG, aí sim, eu utilizo as duas técnicas.
A única coisa que eu queria acrescentar ao que o Nei disse, e então ele pode me corrigir, é que no caso dos ésteres (a banana que o Gabriel citou), a geração deles pode ser aumentada não só pela temperatura mais alta na fase de lag, mas também por underpitching (tendo mais consequências, nesse caso).
Ou seja, se a geração de ésteres está acima do que queremos, a solução não precisa ser somente baixar a temperatura durante a fase de lag, mas também pode ser somente reavaliar a quantidade de fermento que estamos usando.
Eu sempre tendo a usar um pouco mais de fermento do que o recomendado, justamente para compensar alguma baixa viabilidade que fuja das minhas projeções. Talvez esse seja o motivo de eu utilizar prática de lag-times com temperaturas mais altas mas não ter esse excesso de ésteres a ponto de me chamar atenção.
A discussão está ótima. :)
Abraço,
Guenther