Minha filha Sulamita,de 32 anos, com formação superior quase completa, mãe de um filho de 6 anos e que vinha levando uma vida relativamente normal nos últimos tempos está desaparecida desde o dia 16 de setembro de 2010, quando, em surto, muito provavelmente por ter parado bruscamente de tomar medicamentos anti-depressivos - ou de tê-los misturado com "drogas para emagrecimento rápido" - foi vista entrando em um "Monte", desses para os quais algumas seitas evangélicas orientam seus fiéis para orar, de onde deve ter saído de alguma forma, porque, depois de 5 dias de intensas buscas em suas matas, a polícia especializada de São Paulo considerou que ali ela não estava mais, nem viva, nem morta; fato que aumentou as nossas esperanças de encontrá-la com vida. O monte fica em São Bernardo do Campo - cidade onde ela vinha vivendo já há 2 anos - nas margens da Via Anchieta.
Meu pedido quase em desespero, em meu nome e em nome da minha família, é de ajuda da Coordenação Nacional de Saúde Mental, juntamente com as coordenações estaduais e os serviços locais, no sentido de tentar localizar e identificar a minha filha. Nosso pedido especialmente dirigido para vocês se baseia no fato de que, em nossa observação, a maioria das pessoas desaparecidas, em particular as adultas, estão com problemas mentais, muitas vezes com ocorrência de perda de memória ou equivalente, fato que dificulta o reencontro com a família.
Não sei explicar tecnicamente, mas meu raciocínio, quero crer, é claro e facilmente compreensível. Nesses casos, temos sabido que, por vias as mais diversas, as pessoas que têm sido encontradas, a maioria o são pelo caminho do Setor de Saúde, especialmente da Saúde Mental.
Sendo assim, no caso particular da procura pela Sulamita, estou repassando para vocês duas fotos, em forma de cartazes, em word, que poderão inclusive ser impressos, um apenas do rosto, com ela numa situação de aparente depressão, por isso talvez mais próxima da sua realidade atual; e outra com diversas pequenas fotos onde ela poderá ser identificada, COM ESPECIAL ATENÇÃO PARA A PRESENÇA DE UMA GRANDE TATUAGEM COLORIDA NAS COSTAS, marca essa que certamente ela não perderá com o desgaste da rua.
Não consegui obter o endereço eletrônico da maioria das unidades locais de Saúde Mental do país, por isso, peço-lhes encarecidamente, que nos ajudem a atingi-las, pois são elas que lidam com a realidade do dia a dia.
Como SUGESTÃO MAIS AMPLA, gostaria de motivá-los a tomar a iniciativa - juntos aos organismos policiais, Secretarias de Direitos Humanos dos governos federal, estaduais e municipais, com apoio da imprensa, etc, etc, - no sentido de se criar uma REDE PERMANENTE DE BUSCA DAS PESSOAS DESAPARECIDAS em todo o país. Mais um dos nossos "problemas invísiveis", que têm contribuído para aniquilar a existência de tantas famílias por todo o país, independente das condições sociais, ideologias, crenças, etc, etc. Temos visto mães, pais e irmãos procurando seus entes queridos há 15 anos, sem ao menos serem percebidos pelas autoridades e por quem não vive o problema.
Pedindo desculpas pela tom desesperado e quase apelativo desse pedido de socorro, fico aguardando, com meus familiares o retorno de V. Senhorias.
Desde já muito obrigado!
moacyr pinto da silva
telefones (12) 3913-5466 e (12) 9731-1708