Deixo a reflexão a todxs, homens e mulheres que sempre vem com o argumento "nossa, mas não entendo o porque de tanto alarde", "feminismo está na moda", "tudo é problema".
Mulher: espero que você NÃO tenha que passar por uma situação desta para perceber como somos colocadas na sociedade. Espero MESMO que você não seja alvo de tamanha violência pra só perceber quantas meninas também o são, depois de desabafar com as amigas.
Homem, e aí sim, por favor, a maioria dos meus amigos, pq são homens em sua maioria: vocês realmente se colocam no DIREITO de QUESTIONAR sobre o quanto tem se falado em feminismo hoje? Acham mesmo engraçadinho fazer brincadeiras com a nossa luta? Vocês realmente acham que ALGUM DIA compreenderão essa opressão, essa violência? Muitos amigos homens se afastaram de mim a partir do momento em que passei a racionalizar, a criticar, a não aceitar determinados comentários. "Amigos". Queria saber o que vocês sentem ao ler esse tipo de relato (link para relato ao final do email que encaminho). Se vocês estão prontos a todo momento pra me zuar*, alfinetar, será que existe essa mesma prontidão para uma única vez lerem esse relato e dizer qual é o o sentimento? Vocês se identificaram em algum momento no texto? Em qual? Porque EU ME IDENTIFIQUEI, nesse parágrafo ao qual inicio meu e-mail. E é por isso que eu luto. É por isso que eu sou hoje uma "feminista chata". E que por mais incômodo eu lhes cause porque vocês tem que pensar na "brincadeirinha" que farão pra não me ofender, não acho nenhuma injustiça para com vocês, pois nós nos calamos com essas brincadeirinhas, e pra mim quando fazemos isso, é exatamente pelo mesmo motivo que nos calamos quando somos violentadas. São essas brincadeirinhas sem intenção que trazem a tona o verdadeiro sentimento que cada um guarda em seu eu mais profundo. Com assunto sério, não se brinca.
*deixo claro que não são todos os meus amigos homens que tem essa postura, mas como envio este e-mail pra minha lista no geral, generalizei a partir do que acontece na maioria das vezes.
Date: Sat, 20 Apr 2013 10:08:48 -0300
Subject: Relato de uma violência sexual transformada em Ato Político de Denúncia
From:
marchadasvad...@gmail.com
To:
Ativismo feminista, manifestações de repúdio, exposições e campanhas em redes sociais são feitas para denunciar estupros como o cometido pela banda New Hit, os abusos sexuais como do Gerald Thomas, os feminicídios como do assassino goleiro Bruno.
Porém, como nos manifestamos politicamente sobre as diferentes formas de abusos e agressões que mulheres anônimas sofrem cotidianamente? Como denunciamos os agressores? Como tirá-los da zona de conforto?
Não são celebridades, muitas vezes cometem abusos que nem são considerados "agressões" pela sociedade. Além disso penalidades legais nem sempre são a solução para as diferentes histórias de violência que vivemos cotidianamente, mas ao mesmo tempo não queremos silenciar!
Mais uma mulher foi violentada. Ainda que ela seja forte o suficiente pra falar de sua experiência de agressão e reação em texto publicado no Escreva Lola Escreva, seria demais pedir que ela se expusesse pessoalmente para tirar seu agressor daquela zona de conforto.
Assim, apoiamos aqui sua denúncia, para que ela siga anônima ... mas não seu agressor.
MEXEU COM UMA, MEXEU COM TODAS
O relato dessa violência:
http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2013/04/guest-post-quando-gritos-de-guerra.html
"(...) Portanto, Fernando Calegare Vaz, se você precisa de um analista, 99,9% das pessoas do sexo masculino também precisam. Todos vocês acometidos por um transtorno mental peculiar que só acomete homens. Seu problema eu conheço muito bem e posso diagnosticar: você me violentou em primeiro lugar porque você é homem e eu sou mulher, por poder, por ter certeza que meu corpo te pertence. Em segundo lugar porque lá no fundo você sabia que podia fazer isso diante de centenas de pessoas e que ainda assim ia ser aceito. Em terceiro lugar (e talvez o que mais me assusta) porque eu estava desacordada, pelo senso de oportunidade, de aproveitamento, de abuso, pelo ímpeto violento de fazer o que quiser com uma pessoa independentemente da vontade dela. (...)"
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