Massaud Moisés Literatura Portuguesa Pdf

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Arnaude Kubiak

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Jul 24, 2024, 12:22:43 PM7/24/24
to behamanec

O documento resume a literatura portuguesa desde suas origens at o sculo XX de acordo com Massaud Moiss. A literatura portuguesa nasceu quase simultaneamente com a nao no sculo XII e foi marcada pela influncia de culturas estrangeiras. O perodo do Trovadorismo entre 1198-1418 foi caracterizado por cantigas de amor, amigo, escrnio e maldizer. A poesia foi o gnero mais forte, com destaque tambm para o romance aps o sculo XIX.Read less

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1 Moderno um vocbulo ambguo, para no dizer polissmico. Designa o contemporneo de quem fala ou escreve: o moderno para Zola era o cientificismo, as teorias de Claude Bernard, enquanto para os romnticos consistia no gosto pela melancolia e pelas runas. Mas tambm nomeia o novo que se anuncia por entre as brumas do aqui e agora, ou a proposta revolucionria capaz de romper a cadeia do convencionalismo. Nessa acepo, o moderno o signo das vanguardas, da inconformidade e do futuro que se esboa no ramerro do presente: o moderno era Claude Monet, com o seu ousado projeto realista, enquanto Dlacroix representava o passado digno de repdio, mas em pouco tempo Van Gogh que passaria a ser moderno. E assim por diante.

Se desde sempre a palavra moderno sofreu dessa mobilidade semntica, uma poca parece ter levado s ltimas consequncias a crise do moderno: precisamente o sculo XX. O emprego do apelativo modernismo, no raro para assinalar tendncias dissonantes, ainda que animadas pelo mesmo sopro iconoclasta, exprime nitidamente esse estado de coisas. E a resistncia que o termo ofereceu ao longo dos anos atesta que, de provisrio, entrou a ganhar foros de permanente falta de uma alternativa satisfatria que resumisse as facetas culturais daquela centria. [ 1 ]

Simbolismo, Impressionismo, Imaginismo, Vorticismo, Ultrasmo, Futurismo, Expressionimo, Dadasmo, Interseccionismo, Sensacionismo, Surrealismo, Neorrealismo so alguns dos ismos enfeixados na rubrica geral Modernismo. Complexos, cada um de per si, do uma ideia do entrelaamento esttico que caracteriza a poca. Por meio deles, isoladamente ou no, o esprito moderno se internacionalizou, como poucos: de Chicago a Moscou, de Nova York a Paris, de Milo a Lisboa, de Madri ao Rio de Janeiro, de Paris Amrica Central, o modernismo alongaria tentculos poderosos e duradouros.

Genericamente encontrando na Belle poque o seu momento de exploso, como bem atestam esses ismos, a modernidade no apresenta uma cronologia rigorosa. Remontando a Baudelaire e Rimbaud (Il fault tre absolument moderne, de Adieu), inicia-se por volta de 1880, segundo consenso da crtica, e avana pelo sculo XX at uma data que varia de 1925 a 1950. [ 2 ] Na verdade, embora o seu pice possa ser localizado entre 1910 e 1930, a hegemonia do moderno permanece at os nossos dias, nas numerosas mutaes que vm revestindo, numa sequncia de ismos ainda longe de esgotar-se e igualmente longe de sugerir um deles para rotular a totalidade.

Identificado com as vanguardas, [ 3 ] que se sucedem na voragem do tempo, durando o instante efmero das novidades e descobertas, o modernismo, ainda compreendido como movimento internacional, mergulha razes na insatisfao geral perante o estado do mundo que as cincias descortinavam em meados do sculo XIX. Refletindo, por outro lado, o sentimento de euforia caracterstico da Belle poque, trazia no bojo o gosto pela aventura e pelo individualismo, que o vincula cosmoviso romntica: conquanto repelisse a sentimentalidade reinante na literatura oitocentista, o moderno no disfarava os nexos secretos com o Romantismo. Menos que ruptura com esse movimento de rebelio e egolatria, a modernidade manifesta-se como uma retomada, em diversa escala e registro, das suas teses centrais. Dessa perspectiva, o iderio romntico perdura at os dias de hoje, nas vrias metamorfoses que vai assumindo no transcurso da centria, como Proteu de mil faces a revelar outras tantas medida que as exibe luz do sol.

No estranha que a modernidade, alm de assinalar uma idade apocaltica, vertiginosamente correndo para o Nada (por momentos, inclusive, tornada matria de filosofia e reflexo, como se sabe, no Existencialismo), possa ser considerada uma grande ciso histrica, superior s demais da cultura ocidental, conforme prope C. S. Lewis (De Descriptione Temporum, 1954), ou ao menos superior aos cinco sculos anteriores de histria da arte. [ 5 ]

Nesse quadro se inscreve o nosso modernismo: os seus antecedentes gerais encontram-se na Europa do tempo constituindo desse modo o subsolo em que se nutre, o que desde logo previne o equvoco de consider-lo autctone, independente. Por outro lado, foroso levar em conta a conjuntura local, os antecedentes nacionais que prepararam a irrupo da Semana de Arte Moderna, em 1922. E na cola desta, bem como do esprito moderno (Graa Aranha), que o vocbulo ganhou consenso. No entanto, o mais acertado seria acompanhar Mrio de Andrade, quando proclamou, em alto e bom som, no Prefcio Interessantssimo de Pauliceia Desvairada, tambm de 1922 [ 6 ]: est fundado o Desvairismo.

Se, de um lado, a Belle poque, ou os germes simbolistas que nela se disseminam, constitui perodo anunciador da revoluo operada a partir de 1922, de outro, no seu decurso se observam sinais que apontam nessa direo. Em 1912, simbolicamente a meio caminho entre a publicao de Cana e a Semana de Arte Moderna, Oswald de Andrade regressa da sua primeira viagem Europa, trazendo notcias diretas do impacto nos arraiais literrios, causado pelos manifestos futuristas de Marinetti. Parecia a chegada do pormenor que faltava para completar a modernidade da Belle poque, ao mesmo tempo que lhe decretava a superao. Inspirado nas novidades europeias, Oswald de Andrade compe, naquele ano, um poema em versos livres, ltimo Passeio de um Tuberculoso pela Cidade, de Bonde, cujo original foi perdido ou at jogado fora, em virtude das arreliaes que provocara. [ 7 ] De qualquer modo, entravam na moda, e assim se manteriam por algum tempo o vocabulrio futurismo e cognatos, vindo mesmo a identificar-se com o prprio modernismo.

Em 1914, Anita Malfatti quem retorna de um longo estgio europeu e realiza, com xito, uma exposio das suas telas; ainda no ser dessa vez, porm que a sua arte desencadear agitao nos crculos intelectuais paulistanos. de registrar tambm a publicao, nesse mesmo ano, de um artigo, As lies do Futurismo, do prof. Ernesto Bertarelli. No ano seguinte, Ronald de Carvalho junta-se aos modernistas portugueses e dirige, com Lus de Montalvor, o primeiro nmero de Orpheu, que inauguraria a modernidade em Portugal. A ideia da revista teria surgido numa das conversas que ambos travavam, nos anos em que Lus de Montalvor permaneceu no Rio de Janeiro como secretrio da embaixada do seu pas. [ 8 ] Tornando-se uma espcie de mediador entre os dois modernismos em vernculo, Ronald de Carvalho se caracterizaria, igualmente, como elo de unio entre a Belle poque e a Semana de Arte Moderna. Mais relevncia assume, ao ver de Wilson Martins, a data de 1916: funda-se a Revista do Brasil, publica-se Rondnia, de Roquette-Pinto, Casos e Impresses, de Adelino Magalhes, Histria da Literatura Brasileira, de Jos Verssimo. Era, realmente, o fim do sculo XIX na literatura brasileira, diz o referido crtico, acrescentando: "a partir desse momento, comea a histria modernista". [ 9 ]

Criava-se assim, o caso Anita Malfatti, acesa polmica momentaneamente desastrosa para a artista, merc da aura de escndalo que lhe cercou o nome, mas benfica para a instaurao da arte moderna entre ns.

estvamos na era industrial e em funo dela os problemas se proporiam. A greve era um sinal da nova conjuntura social, poltica e econmica. A situao literria seria mudada logo, tambm. E de modo tambm conflituoso. [ 11 ]

est marcado pelo nacionalismo. Hora em que o pas se prepara para comemorar, da a dois anos, a independncia, h como que uma revivescncia do mesmo sentimento que, no sculo anterior, gerara o romantismo e levara os nacionais a uma atitude antiportuguesa, jacobina at. A exacerbao patritica, agora como no passado, atingia o velho Portugal. [ 12 ]

A animosidade vinha, como bem registra o historiador do nosso Modernismo, desde 1915, quando se organiza a Ao Social Nacionalista, de cunho francamente xenfobo e hostil aos portugueses, integrada por Afonso Celso, Jackson de Figueiredo e outros. Face sombria do nacionalismo, mais virada para o passado que para o futuro, nem por isso deixou de exercer influncia na atmosfera preparatria da Semana de Arte Moderna. Os futuristas atacam o purismo gramatical de feio lusitana; o caboclismo de Monteiro Lobato em Juca Mulato. Respirava-se ufanismo, em meio s questes sociais que a ascenso dos imigrantes suscitava junto aos detentores do poder, paulistas de 400 anos. Ideias polticas avanadas, de tendncia socialista, comeam a circular nos meios intelectuais; escritores iniciantes, contagiados por essas ideias, dentre os quais Afonso Schmidt, organizam o Grupo Zumbi. A indstria paulista, incluindo a editorial, por iniciativa de Monteiro Lobato, expande-se: S. Paulo sente orgulho de parecer uma cidade europeia, de ser a capital industrial do Brasil, de remeter para Santos, diariamente, 150 vages de caf. [ 13 ]

No mesmo ano de 1920, Mrio de Andrade escreve Pauliceia Desvairada, j de carter modernista, mas que aguardaria dois anos para vir a pblico. O Futurismo, mal ou bem interpretado, conforme as faces em luta, torna-se o vocabulrio-chave para rotular o grupo vanguardista. Anita Malfatti expe novamente, sem o impacto, contudo, da mostra anterior. Oswald de Andrade e seus companheiros se encontram em diversos lugares, incluindo o ateli da pintora, para debater a literatura futurista, numa inquietude que logo chegaria aos jornais, pela voz de Menotti del Picchia. Em pouco tempo, a ruptura com o passado se mostraria inadivel.

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