As emissoras estão passando pelo mesmo dilema que você: também têm que se preocupar em trocar o equipamento para aproveitar a nova tecnologia. E, como muitos dos telespectadores, as redes vão manter, ao menos temporariamente, um sistema híbrido. Com o tempo, antenas, câmeras, iluminação, ilhas de edição serão aposentados para dar lugar a novos aparelhos e técnicas de produção. Mas, por enquanto o mundo analógico e o digital ainda convivem nos bastidores das TVs.
"É
preciso migrar todos os processos e isso é caro", diz o gerente de
Engenharia de Produção da Rede Globo, Celso Araújo. Por causa do custo
- e da desconfiança de que a TV digital demore para "pegar" - cada
emissora está em um estágio diferente. Entre as mais adiantadas, o SBT
diz possuir equipamentos para produzir todas as atrações em HD. A
estréia deve ser com o Qual é a Música. A Band diz que, em janeiro, sua
faixa nobre já será no formato.
A Globo, ainda que venha produzindo a novela Duas Caras em HD e tenha feito testes em jogos de futebol, é cautelosa em relação à mudança de outros programas. A emissora deve esperar a disseminação do sistema para ampliar a grade digital.

A Record deve ter programas próprios em HD só em 2008. Já a MTV calcula três anos para estar toda digitalizada. Gazeta e Cultura estão um pouco atrás. A primeira começou agora a comprar equipamentos e promete programação em alta definição para o meio de 2008. Esse também é o prazo da Cultura para exibir algumas atrações em HD. "Mas a emissora adotará a transmissão de dois canais: um com programação normal e outro com atrações educativas", adianta o diretor de Engenharia da Cultura, José Chaves.
Nenhuma emissora, porém, terá 100% de alta definição este ano - e talvez nem em 2008. Quem possuir uma TV Full HD verá mudanças repentinas de qualidade e de tamanho das imagens na tela. Para minimizar isso, os canais usarão um software que simula a alta definição. "Não é perfeito, mas melhora muito", diz o diretor de Engenharia do SBT, Roberto Franco.
As produtoras seguem a transição. A Mixer possui equipamento digital por exigência internacional. "Há redes como a NHK (Japão) que só aceitam produtos em full HD", diz o sócio Fernando Dias. Para atrações nacionais, a aparelhagem ainda não será usada. O2 e Conspiração, que atuam em TV, cinema e publicidade, continuam produzindo em película e finalizando em HD.

No mercado publicitário, há
expectativa do aumento da audiência - por causa da mobilidade - e
cautela em relação à interatividade, recurso que não virá tão cedo.
"Precisamos nos aperfeiçoar para lidar melhor com isso", afirma o
diretor de Mídia da DPZ, Flávio Rezende."
COM BRUNA FIORETI E ETIENNE JACINTHO.
Fonte: O Estado de São Paulo