Boa tarde, amigos e amigas, com desejos ardentes de uma semana cheia de luz para todas (os) nós!
Hoje ao ler um artigo no Jornal O Povo sobre a inauguração do Centro de Eventos na Av. Washington Soares (sem acesso a plataformas para pedestres), senti uma imensa vontade de me expressar impulsionada pelo teor do artigo.
Não pretendo contrapor à postura do autor no que diz respeito à programação de inauguração do famoso Centro de Eventos, cuja construção se deu à base de muita polêmica que não vale a pena ressaltar aqui até porque o assunto é cultura musical, sobre a participação do tenor espanhol Plácido Domingos, convidado especial na programação do evento. Também defendo a mesma opinião de que essa apresentação deveria ser aberta ao público para quem quisesse ouvi-lo, já que, segundo a informação no artigo, o dinheiro sai dos cofres públicos.
Mais que indignada, porque sua aparição será para um grupo seleto, fico é triste já que eu "gosto é muito" de ouvi-lo.
Tadinho dele (Plácido Domingos), que, acostumado com multidões em suas poucas visitas à América Latina, aqui cantará para alguns convidados. kkkkkkkk. Ô coisa mais sem graça!
Fazer o que né? No universo da música também existem grandes estrelas que tem a consciência do dever social e que diante de um convite desses avaliaria antes do cachê, se vale a pena se prestar a uma coisa dessas...
Por outro ângulo, peço desculpas, e volto ao artigo e sua referência a outra atração na programação do espaço em evidência.
Além do artista cearense vocalista de uma banda de forró, citado pelo autor quando comparado ao tenor espanhol (Oi????), a programação se estende e passa por alguns nomes bem conhecidos da música brasileira: Paralamas do Sucesso, dispensa apresentações; a linda e talentosíssima Roberta Sá, e a sensualíssima e caliente Daniela Mercury...; A Cia de Dança Edisca, além das bandas forrozeiras que hoje elevam o nome do Ceará pelo Brasil afora e pelo mundo, de gosto da maioria do povo fortalezense, diga-se se passagem, de muitos acadêmicos e intelectuais fora do plantão, é claro. Pronto. Senti necessidade de ampliar essa informação, pois a programação não se restringe a dois gêneros musicais.
Porém, ainda alfinetada por essa mania nacional de comparações de gêneros musicais, alguns sem o menor sentido, quero aqui partilhar algumas considerações sobre o movimento (?) musical em Fortaleza.
Eu particularmente, numa programação como essa de inauguração do Centro de Eventos, sinto muita falta de algum espetáculo de música que possa representar ali outro nível de audição em estado presente - os gêneros que abrem o sorriso e impulsionam as vibrações da galera mais alternativa, que preza pelas sonoridades tradicionais, étnicas, reformuladas (ou não) com talento, brilho e profissionalismo e que fazem uma grande diferença nessa cidade. Mas porque não temos nessa programação espetáculos assim?
Algo que faça valer a pena tirar o cidadão ou a cidadã da cadeira em frente a TV (já que nascemos sob a cultura da imposição midiática)?
Espetáculos da casa que fazem a gente sair de casa como Cia. Vatá de Sapateado e Banda Dona Zefinha. São produções que valem a pena.
E claro, com propriedade, sem falsa modéstia, Euzinha, poderia falar que cairia bem no evento, o nosso show "Na Cuia da Afro América", espetáculo de música dança e poesia, que mescla os sons latinos e brasileiros, produzido com muito cuidado para se ver, dançar, cantar e brilhar juntos(as). E ainda com a proeza de baixo custo aos cofres públicos, porque de graça, nunca! Mas é claro que não vou falar disso, talvez pareça prepotência de minha parte valorizar meu próprio trabalho.
Fortaleza é um celeiro riquíssimo de grandes artistas em todas as linguagens, com músicos(as) e compositores maravilhosos(as)... Pena que a maioria está em seus projetos individuais, suas ocupações no serviço público, valendo-se dos editais que são favorecidos a duras penas pelas secretarias de cultura que na maioria das vezes já tem suas listas de candidatos(as) para fazerem as mesmas coisas com o mesmo cenário. Não há público. E se não há público, não há investimento.
Essa postura tira de nós a qualidade benevolente que é ser artista; tira o nosso respeito; dá suporte para que permaneçamos eternamente por trás das cortinas, ou mesmo sermos levados (as) a competições sem qualidade, para finalmente ocuparmos os espaços públicos que deveriam estar a disposição de todos (as).
Enquanto não levarmos a música a sério, não nos unirmos para virar esse modelo, daí não somos nem seremos nós e os convidados. Serão só os convidados.
Quem se aventura a viver da arte que produz, ousar, ir e voltar corre o sério risco de ter sua auto-estima em perigo.
Quando temos a oportunidade de sair do casulo em que nos permitimos viver confinados(as), é possível enxergar além da nossa consciência provinciana. A tragédia é que na maioria das vezes culpamos os(as) governantes por nossa falta de atitude.
Um chêro no coração
Eliahne Brasileiro.
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