PROGRAMA JUVENTUDE VIVA
LABORATÓRIO ALAGOANO DO PLANO NACIONAL DE PREVENÇÃO DA VIOLENCIA CONTRA A JUVENTUDE NEGRA.
Reginaldo Bispo – Fração Publica MNU de Lutas, Autônomo e Independente.
Nesta semana, assisti casualmente o programa Bom dia Ministro, na TV Brasil. Pronto, me retei!
Participavam o chefe de gabinete da presidência Gilberto Carvalho e a ministra da Seppir Luiza Bairros, ambos discorrendo sobre o novo Programa Juventude Viva - Laboratório, provisório, em Alagoas, do Plano Nacional de Prevenção de Violência Contra a Juventude Negra.
Segundo a dupla, o programa surge para responder ao que denuncia o Mapa da Violência: Alagoas como o segundo estado mais violento contra a juventude negra (o primeiro é a Bahia, ironicamente governado pelo petista Jaques Wagner, o Rio de Janeiro, do Aliado Sergio Cabral do PMDB, é o terceiro), estado pequeno e ideal para se iniciarem os estudos, confessam.
A opção é justificada devido a uma reivindicação do governo do estado, e à falta de recursos do estado brasileiro. Pasmem! Para investir na preservação da vida e dos direitos de cidadãos brasileiros negros, não tem dinheiro!
Apregoam que o foco das experiências será na educação integral para a escola fundamental, na cultura, lazer, esporte e no treinamento da policia visando um novo formato de abordagem policial, sem pré-conceitos.
A essa altura, os petistas e governistas de plantão estão comemorando. Tiramos mais uma bandeira de vocês! Dir-nos-iam eles.
Aparentemente a idéia parece boa, embora com quase 200 anos de atraso, desde a fundação da nação brasileira com a chegada de D. João ao Brasil, a abertura dos portos as nações amigas, dos 124 de abolição, 103 da republica, 30 anos de governos democráticos.
Mas para os adesistas e conformados, o governo do PT só tem 10 anos. Antes tarde do que nunca, depois ... Se prioridade, seriam mesmo necessários mais de 10 anos? Porque tanto tempo?
A China tornou-se potencia em 50. A Coréia educou toda a sua população em 20 anos. Getulio Vargas tirou o Brasil do feudalismo em 15. E Juscelino industrializou e construiu Brasília em 05. Dez, ou 12 anos seriam suficientes para garantir cidadania plena, ao povo pobre que os elegeu a gerencia da nação, acreditando na consigna, governo dos trabalhadores?
A impressão que tive, foi que, o Gilberto Carvalho, estava lá pra dar um aval moral, representando e, para demonstrar que o governo está levando o assunto da entrevista a sério. Será? Ou estava policiando a ministra dos pretinhos, que nesse caso serio precisa de tutela e garantias de alguém do núcleo duro do planalto?
O todo poderoso ministro só respondia a questões genéricas, promovendo o governo com o marketing que antecipa as medidas anunciadas e nunca implementadas. Quando a questão eram exaltar as preocupações e o envolvimento de setores do governo, custo de convênios com o estado de Alagoas, expectativas e medidas paliativas, respondia o ministro Carvalho.
À Luiza Bairros, coube, mais uma vez, responder as difíceis questões dos radialistas, segurar a batata quente, resolver os pepinos, dar conseqüência às questões espinhosas. Toda vez que os radialistas apertavam com denuncias, e perguntas mais especificas sobre os assassinatos de jovens negros e o envolvimento de policiais, quem respondia era a ministra, obrigada a centrear e visivelmente constrangida.
Ficou a impressão que, diante da repercussão das denuncias do MN nas redes sociais, o governo incomodado, resolveu nos dar uma satisfação, nem que fosse só por agora, as vésperas eleitorais. Contudo apontado para o futuro, para depois das eleições, é claro, ou para além de 2014, quem sabe?!
Ocorre que os gigantescos números do Mapa da Violência, configuram-se em uma verdadeira GUERRA NÃO DECLARADA CONTRA A POPULAÇÃO NEGRA, com o EXTERMINIO DA JUVENTUDE NEGRA. Portanto, mais uma vez, buscando inviabilizar o futuro do nosso povo. O Mapa, feito pelo Instituto Sangari para o Ministério dos Direitos Humanos, não motivou nenhuma ação do governo, nestes 02 anos, mesmo diante das denuncias dos movimentos sociais de mais de 20 mil mortes de jovens negros, neste período.
Só agora, o governo decidiu criar um laboratório em Alagoas, adiando o problema de forma oportunista mais uma vez. Quem está ameaçado de morte tem pressa, mas essa parece não ser uma preocupação dos governos do PT, PMDB, PR, PP, PSB, PSD e Cia.
A urgência do panorama/cenário exige do governo, a criação de uma FORÇA TAREFA NACIONAL, capaz de por fim a essa guerra genocida, provocando uma mobilização nacional de recursos, dos poderes da republica (executivo, legislativo e judiciário), dos movimentos sociais, dos pais, dos jovens, do ministério publico, dos ministérios Agrários, da Fazenda, Educação, Justiça, Saúde, trabalho, Cultura, Esporte, Comunicação, sob o comando da Seppir, PARA DAR UM BASTA NESSA CULTURA DE GENOCÍDIO DE SECULOS.
O governo já deu mostras que não confia a Seppir assuntos sérios de estado, no caso das negociações do território do Quilombo do Rio dos Macacos, ocupado ilegalmente pela marinha, relegando a Seppir e a Fundação Palmares, ao que são: Meros guetos negros, para receber e resolver as demandas de seus iguais (sem orçamento), e não dar trabalho, nem encher o saco dos figurões brancos do governo.
Nas negociações acima, a Casa Civil, o Ministério da Defesa e a Advocacia Geral da União deram o tom – Assunto sério, de estado, quem discute é o núcleo duro do governo, ainda que por seus prepostos, o sub, do sub, do sub de cada ministério, jogando pra escanteio os pretinhos.
Quisesse e fosse verdadeira prioridade, o governo, poderia mobilizar recursos (aliás, como faz para o agro negocio, as empreiteiras, os banqueiros, as montadoras automobilísticas, a industria de eletrodomésticos e eletro-eletrônicos), No BNDES, BANCO DO BRASIL, na ONU, UNIÃO EUROPEIA e proprio EUA.
Mas NÃO, parece que Gilberto Carvalho (proprietário de terras compradas de grileiros, dentro de território quilombola) e D. DILMA, que não conseguem resolver o problema de 65 famílias - com a TITULAÇÃO DO QUILOMBO DOS RIOS DOS MACACOS, em Simões Filho, Grande Salvador BA, por falta de vontade política. Por determinação da própria Casa Civil descumprem as normas legais e procedimentos administrativos (Instrução Normativa - 57 do INCRA) ao impedir arbitrária e ilegalmente a Publicação do Relatório Técnico de Identificação já concluído pelos Servidores do INCRA / Bahia.
Porque iriam agora, ter vontade política e humanitária, para resolver e garantir a vida de 90 milhões de cidadãos negros. Parecem querer enrolar mais uma vez, os negros, Com a criação deste grupo de estudo, neste pequeno estado, onde a violência das oligarquias e das elites se faz presente a decênios. Cenário ideal, por contarem com as “boas intenções” do governador do PSDB, Teotônio Vilela Filho.
Lembram do 20 de novembro sem feriado, do estatuto sem quilombolas e sem orçamento, do reconhecimento do João Candido, sem patente e sem indenização, de Cotas aprovadas a dois anos, e só agora, véspera da eleição consolidada em lei nas federais, depois do STF decidir. Poderia citar varias.
Os ministros e o governador vão convencer a PM de Alagoas a ser boazinha com os jovens negros e não cometer mais as centenas de milhares de assassinatos, que o Mapa da Violência aponta.
Logo o oligarca Teotônio Vilela, um governador de oposição! E os 05 governadores doPT, e os aliados da base do governo, os 06 do PSB, 05 do PMDB e 02 do PSD, eles não tem boa vontade com os seus eleitores?
Em uma democracia republicana, neste caso, o tratamento é de choque: Se o governador não tem comando e não consegue conter seus brutos, faz-se uma intervenção federal no(s) estados, destituindo os comandos das PM´s e das policias, para prevenir crimes contra o povo desarmado, a constituição permite.
Afasta-se, prendem, julgam, condenam e excluem os comandos e policiais criminosos e omissos, em tribunal de júri, por abuso de autoridade e crime comum. Institui-se, se é que não as temos, leis que penalizem os servidores públicos da segurança por crime contra o cidadão civil desarmado ou sob tutela do estado, bem como, indeniza-se as vitimas e suas famílias por essa violência.
Serão precisos mais de 10 anos para conquistar-se uma solução contra as brutalidades policiais e assassinatos de negros neste pais? Ou estes estudos, só deverão ficar prontos nas vésperas das eleições de 2014, quando da recandidatura de Dilma? Então serão necessários mais de 16 anos para acabar com essa INFÂMIA CRIMINOSA - A GUERRA GENOCIDA NÃO DECLARADA, que ceifa a vida de nosso povo e nossos jovens!
As mães, esposas, irmãs e filhos continuarão a contar, os corpos masculinos, mortos aos milhares pela volúpia concentradora e exclusora das elites econômicas brancas e racistas, de sul a norte.
Os crimes de genocídio a partir da abertura dos portos às nações, em 1808, advindo do desejo de tornar o país mais branco e mais palatável as nações amigas, intensificado após o acordo de proibição do trafico, nos anos 40, no auge da ideologia EUGENIA, com a LEI SEXAGENÁRIA, que chegou plenitude de sua implantação durante na GUERRA DO PARAGUAI, com o desaparecimento de 1.000.000 de negros do senso brasileiro, com a farsa da LEI DO VENTRE LIVRE, projeto higienista e racista planejado por 80 anos, pela nobreza imperial e as elites do legislativo da capital do Império e de SP.
GUERRA NÃO DECLARADA que continua o genocídio com a marginalização, o impedimento ao trabalho remunerado, a pobreza crônica, a loucura, a castração e a desmoralização do homem negro perante a sua família e a sociedade.
O genocídio de hoje, é obra histórica de um projeto de nação e sociedade monarco-escravista, baseado no racismo como ideologia do projeto de poder e dominação político-econômica, e estruturante das relações sociais e econômicas, mas, sobretudo de empoderamento dos herdeiros e sucessores dos proprietários escravistas e seus conterrâneos europeus e exclusão dos descendentes dos escravizados, através da violência e a força policial e militar.
A essa tradição histórica, devem-se os conflitos de agora, no campo e na cidade. Os latifundiários ruralistas, e proprietários brancos e capitalistas do agro - negocio exportador apoiado pelo governo, que lhes concede todo poder e privilégios de um lado. Do outro, os quilombolas, indígenas, trabalhadores sem terra, preservacionistas e o povo pobre e sofrido, não são detentores de nenhum direito. Toda essa opressão tem a mesma origem.
Quantas centenas de milhares de cidadãos pobres e excluídos, assassinados, ainda teremos que assistir, para garantir a sucessão do PT de Dilma, e dos GOVERNADORES SEUS ALIADOS E DAS OPOSIÇÕES?
A vida de nossas crianças e jovens é a nossa coisa mais cara que temos, agora e no futuro.
-Não aceitemos que brinquem com nossas vidas e nossos sentimentos.
-Fim do genocídio do povo e o extermínio da juventude negra imediatamente!
-Por Medidas imediatas para proteção da população desarmada, vitimas dos agentes do próprio estado!
-Demissão, expulsão e prisão e tribunal de júri para policiais assassinos!
-Indenização imediata das vitimas e seus familiares!
-O estado e seus governos, são responsáveis por esses crimes!
-Não aos governos e partidos que compactuam com esses crimes!
-Não votemos em quem nos agride e mata!
Cpn, 26/09/2012. Reginaldo Bispo – É Coordenador Nacional de Organização do Movimento Negro Unificado.
A entrevista transcrita está toda lá: www.ebcserviços.ebc.com.br - Leiam e tirem as próprias impressões.