Veja Também:
Four personal rules for online reviews, Jacques Barcia
Book reviews - my personal criteria, Fábio Fernandes
Depois de ler os textos do Fábio e do Jacques (listados ali no "Veja Também") resolvi escrever sobre o tema. Em primeiro lugar, um esclarecimento sobre o propósito do Leituras: a idéia aqui é coletar as minhas impressões sobre praticamente tudo o que tenho lido, tanto
on quanto
offline.
Postando aqui, garanto que não vou esquecer do que li, tenho um arquivo de consulta rápida (viva o "site:" do Google) e ainda ajudo a divulgar o autor, algo que me incentiva, também.
Porém, sexta passada, na Bienal, aconteceu algo novo: eu "
ganhei", por assim dizer, a coletânea "
Amor Vampiro" das mãos da
Giulia Moon, cortesia do pessoal da
Giz Editorial, que me pediu para resenhar o livro e ajudar na divulgação.
Aí surgem as questões: posso ser totalmente honesto? Se não gostar, posso criticar mesmo? Uma coisa é "massacrar" um livro que paguei para ler, que investi tempo e me desagradou. Outra é ganhar algo e sair criticando.
Mas, desde o começo, minha intenção nunca foi de massacrar livro algum. Como o Jacques bem coloca no texto dele, existem livros para todos os nichos e alguns não nos atingem. Assim, gostando ou não de um livro, ele deve figurar mais cedo ou mais tarde aqui no Leituras, pois esse é o propósito de ter o blog.
Creio que se aplicam as mesmas regras que tento seguir em qualquer interação social que exija dar opinião ou comentar sobre o produto, idéia ou serviço prestado por outros:
não fazer o que não gostaria que fizessem comigo ou com algo que produzi.
Assim, tento concentrar a resenha no texto, na história; dizer logo se gostei ou não; citar os problemas que me impediram de gostar, se for o caso - como má revisão ou desenvolvimento de história/personagens; tema ou final ruim; estilo pomposo (que é algo que dificilmente me agrada, em especial em autores novos), etc.
Mas, o principal talvez seja que eu sempre tento deixar claro que é
minha opinião e
minha leitura. Não me importam as intenções do autor, sua agenda política, nada. Aliás, quanto menos eu souber previamente sobre isso, melhor, influencia menos minha interpretação do texto.
Sempre me revoltei com as aulas de interpretação de texto justamente por muitos professores forçarem que devemos interpretar
de tal e tal forma. O texto final, escrito pelo autor e revisado, impresso e enfim comprado pelo leitor é, na realidade, só o começo. A história só acontece
mesmo durante a leitura, dentro da interpretação, conhecimento, referências e entendimento do leitor.
Da mesma forma, não existe o entendimento "certo" ou "errado", apenas o entendimento do momento em que a história é "vivida" pelo leitor, que pode mudar (e geralmente muda mesmo) em eventuais releituras. Não me importo, quando escrevo ficção, se o leitor interpreta as coisas como eu pretendia. Ele pode ter uma releitura totalmente diferente e, inclusive, mais interessante do que eu originalmente pretendia.
Tudo isso não garante que autores reclamem, corrijam ou simplesmente detestem alguma resenha que eu venha a publicar - é apenas minha "bússola interna", meu
modus operandi para este blog, que eu achei por bem tornar público e "transparente", por assim dizer. Aí está!
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Postado por Fernando S. Trevisan no
Leituras em 8/24/2008 08:05:00 PM