[Leituras] Jonathan Strange & Mr. Norrell

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Fernando S. Trevisan

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Jan 29, 2009, 10:58:28 PM1/29/09
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Veja Também:
www.jonathanstrange.com
www.bondfaro.com.br
www.estantevirtual.com.br
Por: Susanna Clarke
Tradução de: José Antonio Arantes
Editora: Companhia das Letras, 2005, 1ª edição
820 páginas

Visão geral

É impossível falar deste calhamaço - em todas as acepções do termo - de Susanna Clarke sem lembrar que é um livro elogiadíssimo, foi indicado a vários prêmios e ganhou alguns. Neil Gaiman elogiou o livro - mas, você não vai saber disso pela edição nacional, uma vez que Gaiman, para a míope Companhia das Letras, não é alguém "citável"...

Mesmo com a recomendação dele, o leitor padece pelo tamanho do livro. As primeiras duzentas e poucas páginas são perfeitamente dispensáveis e poderiam ser condensadas em menos de cem. Não há propósito nem história nesse início, sendo um primeiro volume de contos "fix-up" com o personagem "Mr. Norrell".

A partir do segundo volume, em que a história toma centro em Jonathan Strange, tudo muda. A leitura torna-se fluída, interessante, a história começa a ter suas pontas amarradas - e firma-se a certeza de que toda a enrolação com Mr. Norrell era dispensável. Para aqueles pacientes, firmes em propósito ou simplesmente teimosos - o meu caso - o livro guarda boas surpresas nos volumes dois e três.

A História, sem contar segredos (ou "spoilers")

A trama de JS&MN tem lugar na Inglaterra, pouco antes do período vitoriano. A magia só encontra lugar entre estudiosos, colecionadores de livros e intelectuais, não sendo mais praticada... até que a distinta sociedade de York descobre Mr. Norrell, o único mago prático da Inglaterra.

Do início do livro já temos um vislumbre claro da personalidade de Mr. Norrell: arrogante, centralizador, egocêntrico. Uma figurinha inglesa detestável e típica. O primeiro volume concentra-se em fazer com que o leitor fique com raiva do personagem retratado e conheça os acontecimentos que trouxeram a magia de volta à Inglaterra. Clarke não deixa o leitor formar sua opinião - ela o induz, guiando e às vezes ditando o que deve ser pensado. Isso cansa.

Então vem o volume II, com o foco acertadamente em Jonathan Strange. Não que este seja um santo, nada disso. Só que é um alívio ver a trama finalmente andar, as pontas soltas começarem a se ligar e a história tomar forma.

Como é de se esperar, temos Strange crescendo como mago e iniciando a caminhada que o levará a ser amigo, aprendiz e também a confrontar Mr. Norrell. Essa relação complexa dá forma ao terceiro volume, que arremata a história, ligando todos os pontos e histórias paralelas - que nem citei aqui.

A magia permeia os três volumes, é o tema e a motivação principal da história e responsável pelas mais belas imagens do livro. As cenas que envolvem encantamentos, seres fantásticos e mundos mágicos são narradas deliciosamente por Clarke, criando situações vívidas e verossímeis - claro, considerando a suspensão da descrença, desde o começo.

O final do livro - especialmente se comparado ao seu começo - acontece de forma um pouco abrupta mas sem comprometer. O desfecho é adequado com a trama, inteligente e empolgante. A velocidade de leitura, inclusive, vai crescendo conforme a leitura avança e ao final é frenética, devido ao encadeamento de acontecimentos, que faz com que você não queria parar de ler.

Conclusão

Apesar da mania de "segura na minha mão que eu te levo" e do começo lento, JS&MN é um livro muito bom. A coerência do mundo imaginado por Clarke é fantástica, a forma como a magia funciona, as relações entre os personagens, tudo se encaixa muito bem. Não acho que merece os elogios rasgados que o Neil Gaiman ofereceu, mas quem sou eu para discordar de NEIL GAIMAN? Recomendado!

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Postado por Fernando S. Trevisan no Leituras em 1/30/2009 01:50:00 AM
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