Potira
itapitanga.
A manhã está linda. Não importa se nublada. Encostado no muro cinzento
estou sentado tendo outro muro marrom-acinzentado diante de mim, oitis bem
verdejantes, um de cada lado, e acima de mim galhos de uma árvore morta pelas
constantes fogueirinhas que drogaditos fizeram em sua base. Estou parado em uma
linda manhã nublada. Nada fazendo porque estou fazendo tudo o que passo. Estou
escrevendo e...
- Oi!
- Oi!
- Onde você estava ontem? Eu te procurei e não achei em lugar nenhum.
- Eu estava na praia.
- Estava bom lá?
- Não! Teve um momento que fiquei com medo.
- De quê?
- De um sorriso...
- Quê?
- Era o sorriso de um tubarão.
- Ai, que susto!
- Mas o terror passou logo.
- ?
- Suspirei aliviado quando lembrei que não era um político sorrindo...
- Pois é! Já pensou se fosse do governador do Paraná?
- Eita! Eu sou professor...
- E eu sou estudante...
- Então cuidado para não ir para São Paulo...
- Deus me livre.
- Rerrê.
- Vou indo. Vejo que está ocupado segurando este caderno e... que livro é
esse?
- São dois na verdade. Um é Antología, de Federico Garcia Lorca e o outro
é ¡A Escena!, de vários autores.
- Estão em espanhol?
- Sim, estão.
- Então... Até mais.
- Até! – E volto ao que fazia antes.
Entre
as rendas dos galhos negros
Meia
lua brilha entre cinzas nuvens
Entre
as ruas de pedras cinzentas
Íntegro
entre os não íntegros.
Escrito entre o princípio da manhã de 10 de maio e 21 de dezembro
de 2015.
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Postado por aRTISTA aRTEIRO - Rubem Leite no
aRTISTA aRTEIRO - Rubem Leite em 12/21/2015 02:55:00 PM