Burn baby, burn

1 view
Skip to first unread message

Irapuan Martinez

unread,
Jul 22, 2021, 10:38:42 AMJul 22
to Lista ArqHp
Anos atrás, soube que pintores de sucesso limitavam suas produções a um ou dois quadros por ano. Com a raridade, o preço disparava. 

Não que os empresários deles torciam para que morressem, mas é um excelente negócio para a curva de preços quando a emissão de novas pinturas era definitivamente encerrada.

Mas daí botar fogo em produção, é um pouco demais:


Por certo eles não atearam fogo num "Mulher Chorando" ou "As Damas D'Avignon", mas num rascunho cujo o grande mérito foi quem fez, não o que foi feito.

Mas o gesto pega muito mal. Primeiro, pela destruição deliberada de uma produção artística — tá, você pode não achar um esmero, mas arte é assim mesmo — por uma causa pecuniária.

Segundo, o gesto de queimar arte não é lá muito bem quisto. Historicamente, é um gesto autoritário.

Terceiro, num momento que as pessoas estão preocupadas quantos pandas são queimados para as fornalhas de mineração de crypto, o pessoal decide literalmente queimar uma peça de arte para promoção de um cryptoativo.

Os piromaníacos depois vieram com a leréia que se tratava de "destruição criativa". Torcer que na próxima vez descubram o Romero Britto, o Comic Sans da arte brasileira.

Irapuan Martinez

unread,
Jul 22, 2021, 10:45:53 AMJul 22
to Lista ArqHp
Na mensagem anterior, mencionei que artistas inflavam o preço de suas obras limitando sua "emissão".

Basicamente, a ideia para não permitir que uma crypto se desvalorize: Limitam sua emissão. 

Crypto é uma coisa etérea, bits que alguém diz ter e que deixa de ter, anotado num livro caixa aberto. Você não come crypto. Você não cura uma doença com crypto. Crypto não serve para plantar sementes. Uma wallet cheia de cryptos num atol deserto é uma coisa completamente inútil.

No que difere a arte? 

Mas arte é valorizada, tanto culturalmente quanto financeiramente. Assim como crypto faz sentido se você tem um aparato (conexão com internet, contrapartidas que compram e vendam em crypto, uma wallet, uma blockchain), arte só faz sentido se você tem um certo background — você pode olhar para um Mondrian e achar que qualquer um com uma régua poderia ter feito aquilo. Mas é um artista valioso com exposições e colecionadores. Suas obras movimentam uma considerável soma quando trocam de mãos.

Então crypto não é exatamente uma novidade. Todo o aparato que a torna valiosa, a humanidade já empregava em torno da arte.

Rafael Trindade da Silva

unread,
Jul 22, 2021, 11:02:16 AMJul 22
to ar...@googlegroups.com
Vivemos um momento triste. 
Justifica-se fazer o "não certo" com "nomes bonites".

Veja onde chegamos "destruição criativa".

Se a obra fosse um humano, qual nome seria ? A lógica é a mesma.

Triste.

--
Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "ArqHP - Arquitetura de home pages" dos Grupos do Google.
Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para arqhp+un...@googlegroups.com.
Para ver essa discussão na Web, acesse https://groups.google.com/d/msgid/arqhp/CAFu4B9px694OUGCxnG8HTpC%3DaWE9-_jQPtBh8K6v2KhnHmk45Q%40mail.gmail.com.

Joel Souza

unread,
Jul 22, 2021, 12:26:45 PMJul 22
to arqhp
Deixa eu aproveitar o gancho "crypto" pra dividir uma dúvida (imensa) que eu tenho e que tem a ver com a web como um todo.

Ouvi dias atrás o um podcast que entrevistava o Wagner Martins, o saudoso Mr.Mason do Cocadaboa, o cara por trás do famoso hoax sexut.com (orkut + sexo). Pode se dizer que o Mr.Manson inventou a pós-verdade na internet brasileira, bem antes dos bolsonaristas terem acesso ao whatsapp.

Na conversa, o Mr.Mason explica que, num futuro talvez não muito distante, o conteúdo será distribuído numa rede que se "auto-regula" em cima de um gigantesco blockchain. Entre outras coisas, ele advoga para uma SUPOSTA possibilidade da distribuição de conteúdo ser completamente diferente do que é hoje. Algo como que uma "disrupção" na forma como se cria e distribui conteúdo. Usaram a NFT como exemplo desse funcionamento.

O papo é longo, complexo, e algumas vezes, eu que tô trabalhando com desenvolvimento de internet, diariamente à 15 anos, não entendi direito. Mas algumas coisas chamaram a atenção:

- O Mr.Mason comprou o domínio cocadaboa.crypto que (hoje) abre nativamente apenas no Opera e no Brave.
- Abrindo o site, não há nada além de um post de boas vindas MAS, o site abre com o protocolo IPFS, ao invés do HTTP(s)

Peraí, existe um OUTRO PROTOCOLO para servir conteúdo além de HTTP e TOR?

E com suporte nativo no Opera e no Brave e com ticket aberto no Firefox? 🤔

#


7K (!!!) de respositórios https://github.com/search?q=ipfs

#

Não consegui decidir ainda se é FOMO ou nostalgia que estou sentindo: Talvez isso seja algo com potencial para mudar a forma o conteúdo é distribuído na rede ou seria o IPFS o XHTML dos protocolos (muita promessa, pouca efetividade)?



Reply all
Reply to author
Forward
0 new messages