Cola artificial

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Irapuan Martinez

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Sep 28, 2022, 3:47:43 PM9/28/22
to Lista ArqHp
Muitas luas atrás, fui levar meus filhos num posto de saúde para tomar aquelas coisas comunistas, vacinas. O médico no consultório atendeu o celular, deu alguns direcionadores, desligou e falou com outro funcionário:

— Aluno meu só entrega trabalho de próprio punho! Eu não aceito trabalho digitado no computador. Pra ele copiar e colar da internet?

Fiquei imaginando como se evitava copiar e colar conteúdo, escrevendo. Achei que a sua exigência só produzia duas coisas: Vendas de caneta BIC e melhorava a caligrafia dos futuros médicos (o que por si só, é um mérito).

Mas hoje professores podem se dar ao luxo de perceber que o trabalho está muito técnico, fazer um simples search e detectar de onde foi copiado o conteúdo. Mas o luxo será efêmero:


Usando AI, alunos estão escrevendo trabalhos originais (ou seja, não estão sendo copiados de coisa pronta da internet) e tirando nota 10.

Quem diria que o modelo escolar, que não muda deste a Grécia Clássica, iria sucumbir à tecnologia? Talvez se os alunos terem que escrever o trabalho de próprio punho…

Mauricio Fagundes

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Sep 29, 2022, 10:21:16 AM9/29/22
to ar...@googlegroups.com
Quem diria que o modelo escolar, que não muda deste a Grécia Clássica, iria sucumbir à tecnologia? Talvez se os alunos terem que escrever o trabalho de próprio punho…
Só lembrando que a IA já identifica textos escritos. Daí para ela gerar é um pulinho.

De fato, imagino que isso exista aos montes. Só não é popularizado porque esse professor aí deve ser um em um milhão. No dia que isso se tornar comum, um serviço desses aparece na mesma hora.
Mauricio Fagundes

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Irapuan Martinez

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Sep 29, 2022, 10:33:46 AM9/29/22
to Lista ArqHp
Li uma vez que um advogado usava a linguagem R para identificar quem era o real autor de alguma petição.

Tipo, tem um idiota aqui na lista que escreve "antigonamente", então qualquer texto anônimo que use isto, dá pista de quem o cometeu. Mas tem todos os arranjos gramaticais que denunciam o autor. 

Se não tiver quebra de linhas, é Saramago; Se tiver dragões, Tolkien; Dragões e sexo, Martin. Se é uma autoajuda fajuta com ares de conhecimento milenar, é Paulo Coelho.

A questão é: Este tipo de algoritmo exporia AI? E a AI não poderia ser domesticada para burlar o algoritmo? O algoritmo não pode começar a usar AI para detectar AI?

Bons tempos que a questão era só respostas passadas por debaixo da porta, Turing.

Mário Aragão

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Oct 1, 2022, 9:11:50 AM10/1/22
to ar...@googlegroups.com
Esbarrei nisto outro dia:

“AudioGen: Geração de Áudio Guiada Textualmente”!  https://twitter.com/FelixKreuk/status/1575846953333579776

Não entendi bem como funciona, como ela foi treinada, mas basicamente é gerar áudio(do zero)  a partir de um texto.

O autor promete publicar o código fonte em breve,

Amplexos e boa eleição a todos.

Mário Aragão


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Irapuan Martinez

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Oct 1, 2022, 1:01:57 PM10/1/22
to Lista ArqHp
Tem um cara no Gorjeio, acho que se chama Bruno Sartori, que faz deep fakes parodiando a situação governamental do paraíso patriota cristão.

(Parece que declarou voto no Lula. Vamos ver a disposição de fazer paródias quando voltamos a ser o país da justiça social)

Ele diz que propositadamente, faz o deep fake (áudio e vídeo) de forma grosseira, para deixar evidente a falsificação. Pra aperfeiçoar, só custa tempo de máquina. 

Quer dizer que daqui pra frente, alguém mal intencionado com uma placa de vídeo razoável, pode manipular a tabuleiro político?

Nenhuma dessas questões são novas. Ceticismo foi uma escola filosófica há mais de 2 mil anos atrás. Nunca imaginaram o surgimento da Nvidia. Mas forneceram todo arcabouço para lidar com a situação.

Resumo muito grosseiro do Ceticismo? “Não acredite em nada que ouve e em apenas metade do que vê”.

Não estamos perante uma crise de deep fakes. É mesma velha crise de falta de compromisso intelectual.

Deep fakes ou o vídeo real não mudam opinião de participantes de culto à pessoalidade, com pitadas de sectarismo futebolístico, que resume a participação política do barazelêro.

Falta de compromisso intelectual. O problema não são os bytes sendo processados a mais.

Guilherme Silva

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Oct 19, 2022, 4:05:14 PM10/19/22
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Esses dias li uma citação de que circulou nas redes ucranianas um deepfake do Zelensky dizendo para as tropas se renderem. Não sei se chegou a fazer alguma vítima, mas é o tipo de coisa que pode atrapalhar muito quando realmente não conseguimos mais distinguir entre real e fake.

Irapuan Martinez

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Oct 19, 2022, 4:46:44 PM10/19/22
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On Wed, Oct 19, 2022 at 5:05 PM Guilherme Silva <guilherm...@gmail.com> wrote:
Esses dias li uma citação de que circulou nas redes ucranianas um deepfake do Zelensky dizendo para as tropas se renderem. Não sei se chegou a fazer alguma vítima, mas é o tipo de coisa que pode atrapalhar muito quando realmente não conseguimos mais distinguir entre real e fake.

É o candidato conservador cristão do Brasil, em vídeo, dizendo que pintou um clima com umas meninas de 14/15 anos e se convidou para entrar na casa delas?

Vantagem do Brasil é que o deepfaker não consegue exceder a realidade.

Informática vem resolver problemas que não existiam antes da informática: Assim como arquivos e servidores tem certificação, em breve veremos fotos e vídeos com certificados. 

Vai resolver o problema? Claro que não.

Em 2018, um cara num grupo de WhatsApp que participava, mandou um dos famosos textos apócrifos do Arnaldo Jabor, dizendo que Bolsonaro realmente era um grosseirão, mas era a opção para se votar no momento.

Não precisei ir atrás para saber que era falso: Jabor sabia usar aquela coisa, a língua portuguesa. Acho que ele não escreveria um texto usando "vc" e usando crase antes de gênero masculino. Truquei e pouco depois, o próprio Jabor disponibilizou um vídeo negando este exato texto apócrifo. O que o cara que havia postado respondeu?

"Não tem importância ser mentira. O importante é tirar o PT".

(4 anos depois, o PT está na frente da corrida eleitoral. Sinal que Bolsonaro não era a solução para acabar com a "ameaça" do PT)

Então, a situação é essa: Gente achando que mentir pode, se é para atingir algum objetivo; e as pessoas estão ávidas para consumir mentiras sem um átimo de senso crítico, desde que a mentira casa com sua visão do mundo.

Hoje mesmo rodou um vídeo no Gorjeio, "mais uma cena de intolerância de bolsonarista contra cléricos". O vídeo era de 2017, quando um maluco foi acertar as contas com padre que estava se recusando a realizar seu segundo casamento.

Na real, estou achando divertidíssimo: Gente que até ontem achava o cristianismo e conservadorismo a mesma coisa (Não apenas a mesma coisa, eles nem sabe diferenciar reacionarismo e conservadorismo) agora estão preocupados com a "catolicofobia" e que este pessoal "não é cristão de verdade". Pessoal que até ontem estava aí com boné do materialismo marxista na cachola.

Então, o problema não é fabricar deepfake usando um celular da Xiaomi. O problema dos humanos continua sendo o fator humano. Ainda não inventaram um app para a pessoa despertar seu senso crítico.

E se houvesse, duvido que alguém baixaria.

Guilherme Silva

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Oct 19, 2022, 7:49:40 PM10/19/22
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Já devo ter escrito aqui a teoria que li certa vez, e para mim faz todo o sentido. Se leram, podem reler ou pular ou fazer o que quiserem, sou liberal mesmo e nunca vou dizer pra vocês o que fazer. Tomar banho de chapéu. Discutir Carlos Gardel (que eu não sei quem é, admito).

As redes sociais tornaram o dia-a-dia dos grandes grupos jornalísticos muito mais difícil. Isso é óbvio, todos sabemos. Talvez o que não seja tão óbvio é que para sobreviver, o jornalismo teve de se adaptar às dinâmicas mais clássicas de mercado, o que nesse caso se transformou em especialização: Foram obrigados a escolher um determinado grupo de assinantes e agradá-los, tornando suas opiniões parciais. Nessa dinâmica, uns migraram para um lado, outros para o outro. E o centro se tornou um lugar economicamente inviável de manter um veículo operando.

Acontece que no passado, um grupo como o folha da manhã, significava que existia um critério mínimo de verificação. Eu lembro do meu pai falando "isso estava escrito na folha de SP", como sendo um atestado de que algo realmente tenha acontecido; O exemplo que mais me vem à mente é ele falando que um jogo de basquete estava zero a zero por tempo demais, até descobrirem que a bola era maior que as cestas. Coisa que pode ter acontecido, mas até hoje eu desconfio. O selo folha de SP na época era um atestado de que de fato aconteceu, então eu até acredito.

Existe a bolha da própria rede que já deixa tudo mais complicado, mas o efeito das redes na mídia tradicional é muito mais traiçoeiro. Hoje quando você vê uma pesquisa do Datafolha você sabe que é apenas militância. E é uma militância que você não consegue saber quais outros institutos estão operando para cada lado. Então nem o senso crítico é possível de exercer quando você não tem nenhuma fonte confiável.

Em cima de tudo isso, há as influências políticas, egos e mesquinharias que fazem parte da "profissão mais honesta de todas" na visão do L arápio que não consegue entender como seria uma profissão honesta. 

Não adianta chorar, o mundo virou isso aí. E a ferramenta de deepfake torna ainda mais difícil navegar em um mundo de zero confiança. Mas é algo a ser lidado com, até porque qualquer tipo de censura ou limitação regulatória é um esforço infantil de tão ingênuo.



ps: Eu um dia acreditei em um partido e em algumas pessoas que viraram políticos, me sinto envergonhado de ter defendido isso. Mas faz parte do crescimento aprender, mesmo que seja estando enganado. Como sugere o Jordan Peterson: "diga a verdade, ou pelo menos tente não mentir". E é isso... sempre disse o que acreditava ser a verdade a cada momento; Mentir eu quase nunca fiz. Mas já me enganei um bocado.

Se tem uma coisa que eu sigo defendendo cada vez mais é que, quanto maior o poder dos políticos, pior será a sua vida.

Guilherme Silva

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Oct 19, 2022, 8:14:55 PM10/19/22
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 Tomar banho de chapéu. Discutir Carlos Gardel 

Fiquei encucado que já tinha escrito uma refêrencia a essa música há algum tempo aqui na lista. E tinha. Em 2015 brigando com um professor lusitano comunista que me chamou de badocha (que significa gordo).

Bons tempos. Bom thread.

Irapuan Martinez

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Oct 19, 2022, 9:44:10 PM10/19/22
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On Wed, Oct 19, 2022 at 8:49 PM Guilherme Silva <guilherm...@gmail.com> wrote:
As redes sociais tornaram o dia-a-dia dos grandes grupos jornalísticos muito mais difícil. Isso é óbvio, todos sabemos.

A crise da mídia impressa é anterior às redes sociais. A TV foi o grande vilão que desmotivou a massa de consumir letras.

 
Foram obrigados a escolher um determinado grupo de assinantes e agradá-los, tornando suas opiniões parciais. Nessa dinâmica, uns migraram para um lado, outros para o outro. E o centro se tornou um lugar economicamente inviável de manter um veículo operando.

Uns bons 30 anos atrás, sentei num boteco com um jornalista goiano, hoje falecido, Orlando Carmo Arantes. Ele me disse uma coisa: O que vende jornal é a coluna policial. Em suma: Sensacionalismo.

Mídia impressa como The New Yorker ou sua versão nacional, a Piauí, tem como chamariz o conteúdo. São exceções. Mídia impressa funciona pela lógica que funcionava a saudosa Playboy: Era revista de mulher pelada. E entre os ensaios, conteúdo de alto gabarito, enxerto de livros, longas entrevistas, dicas de moda e viagem, etc etc etc. Ninguém comprava a revista por causa da entrevista, por mais que a desculpa era usada. Mas o sujeito comprava pornografia e levava cultura de brinde.

Jornal impresso, o cara comprava para ver o canibal de bebês e aproveitava para olhar as pautas políticas e culturais.

Nada disso é exatamente novo, redes sociais da internet não trouxeram um problema novo, mídia impressa sempre precisou apelar para ser consumida. 

 
Acontece que no passado, um grupo como o folha da manhã, significava que existia um critério mínimo de verificação. Eu lembro do meu pai falando "isso estava escrito na folha de SP", como sendo um atestado de que algo realmente tenha acontecido;

Também não é uma questão nova. O Ceticismo manda a gente acreditar em nada do que ouvimos e apenas metade do que vemos. Logo, nada no jornal deveria merecer crédito para o cético, até ele atestar por conta própria.

Mas isto demanda tanta energia que acaba que você cria um filtro para que determinados veículos não precisem de crivos. É o famigerado "prestígio".

Hoje o pessoal, que acha que cético é um tipo de ácido para colocar na salada, nunca empregou o prestígio cético por simplesmente, usar o que bate com as opiniões que ele já tem.


Existe a bolha da própria rede que já deixa tudo mais complicado, mas o efeito das redes na mídia tradicional é muito mais traiçoeiro. Hoje quando você vê uma pesquisa do Datafolha você sabe que é apenas militância.

Datafolha acertou, dentro da margem de erro, o desempenho dos candidatos nas urnas. Exceto do Bolsonaro. Militância?

Guarde essa navalha, Occan: Errar apenas um candidato, vamos chamar de "Cisne negro I". O "Cisne negro II"? Um milhão de maiores de 70 anos, cujo voto é facultativo, compareceram para votar a mais do que nas eleições passadas.

Fato é, o INSS, um órgão do governo, determinou que o comprovante de votação valeria como "prova de vida", para que os bons senhores e senhoras continuassem recebendo suas aposentadorias.

Gente que na véspera da eleição, foi bombardeado com mensagens que davam a induzir que o voto só valeria como prova de vida se votasse no 22.

Estamos falando de um contingente de gente simplória cuja única subsistência é sua aposentadoria. Gente que esquerda ou direita, é para onde as esquinas viram.

Mas claro, a culpa é do Datafolha, que não previu não apenas um, mas dois cisnes negros. Mas não tenham a impressão que sou a favor das pesquisas, estou torcendo para que a burrentsia política as criminalize. Assim, em campanhas, vai sobrar apenas as propostas e experiência dos candidatos para que os eleitores determinem suas escolhas.

 
Não adianta chorar, o mundo virou isso aí. E a ferramenta de deepfake torna ainda mais difícil navegar em um mundo de zero confiança. Mas é algo a ser lidado com, até porque qualquer tipo de censura ou limitação regulatória é um esforço infantil de tão ingênuo.

Tempos atrás, num tópico sobre liberdade de expressão, Reddit. Alguém disse que a liberdade de expressão não embarcava o racismo, por exemplo. Eu então escrevi que a liberdade de expressão não olhava o mérito.

O cara retrucou que então eu estava defendendo o discurso racista. Insisti que não, era diferente me juntar a alguém discursando sobre racismo de defender a liberdade de expressão. 

Um dos administradores do subreddit interveio: Me deu uma suspensão de uma semana… Por discurso racista.

A gente sequer pacificou conceitos basilares de Democracia e estamos tentando resolver questões complexas.

Deep fake, pesquisa, candidato que não apresenta plano econômico. Nada disso seria problema, se a gente pelo menos estivesse alinhado a um básico de senso crítico, um básico de ceticismo. Nem nesse estágio estamos. Enxotamos o Doria, o cara que fez com que o Brasil tivesse um programa vacinal durante uma pandemia, e premiamos dois ignorantes com o segundo turno.

 
ps: Eu um dia acreditei em um partido e em algumas pessoas que viraram políticos, me sinto envergonhado de ter defendido isso.

Partido Novo?

Eu doei para o partido, entre 2017 e 2018. Parei quando percebi que os 8 deputados eleitos viraram linha auxiliar do bolsonarismo. Hoje a legenda disputa com o PSDB qual morte mais terrível uma sigla teve em 2022.

O quanto é trágico o derretimento do Novo? O partido só vai conseguir se levantar a partir de 2026. E salgou o terreno para qualquer iniciativa liberal consiga decolar.

Elegeu três minguados deputados federais, que não duvido, vão pular na primeira janela partidária que ocorrer.

 
Se tem uma coisa que eu sigo defendendo cada vez mais é que, quanto maior o poder dos políticos, pior será a sua vida.

Mais uma vez, é uma questão velha: Nietzsche já tinha dito isto. 

Quantas e quantas vezes eu não me peguei explicando que a definição de Democracia não é as pessoas votarem. É a tripartição de poder. A Democracia é o que é graça ao poder dividido, para justamente, reduzir o caos que um poder pode causar.

Irapuan Martinez

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Oct 19, 2022, 10:16:37 PM10/19/22
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Fui dar um bizu. Tranquilamente, o thread mais longo da ArqHP. E nem era falando mal do Flash.

Sete anos atrás, do que estávamos falando? Olavo de Carvalho e urnas eletrônicas. Bolsonaro é mencionado.

Não me dá satisfação, achando que estávamos antecipando algum cenário. A gente estava conversando a atualidade e 7 anos depois, estamos patinando nas mesmas questões. 

Guilherme Silva

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Oct 19, 2022, 10:44:09 PM10/19/22
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Em qua., 19 de out. de 2022 22:44, Irapuan Martinez <ira...@gmail.com> escreveu:
On Wed, Oct 19, 2022 at 8:49 PM Guilherme Silva <guilherm...@gmail.com> wrote:
As redes sociais tornaram o dia-a-dia dos grandes grupos jornalísticos muito mais difícil. Isso é óbvio, todos sabemos.

A crise da mídia impressa é anterior às redes sociais. A TV foi o grande vilão que desmotivou a massa de consumir letras.

Mais ou menos.

A rede globo e o globo... O JN é editado em colaboração com a folha da manhã. A Jovem Pan era jovem em 1944. Se foi pan algum dia, eu não sei.

A tevê pode ter diminuido a leitura de jornal impresso, mas alguns dos grupos de notícias sobreviveram a isso e se adaptaram.

A tevê ainda tem a característica de ser uma comunicação de massa. Por mais que existam dezenas de canais no cabo, ainda assim as opções são limitadas e o sucesso de um canal é genérico.

O advento do canal "dos nossos" ou "deles" é mais recente e acredito que derivado especialmente dessa especialização que falei.

Guilherme Silva

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Oct 19, 2022, 10:46:24 PM10/19/22
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Sete anos atrás, do que estávamos falando? Olavo de Carvalho e urnas eletrônicas. Bolsonaro é mencionado.

Sete anos atrás, tava todo mundo virando os olhinhos pros meus textões. Tem coisa que não muda...


Guilherme Silva

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Oct 20, 2022, 7:09:41 AM10/20/22
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Nada disso é exatamente novo, redes sociais da internet não trouxeram um problema novo, mídia impressa sempre precisou apelar para ser consumida. 

     O problema novo é a competição com o vizinho que vê um fato e relata. O real problema - não sei se é um problema, talvez a característica relevante - está na pulverização da fonte. Quando você tem que fazer um jornal ou um programa de TV, você tem custos altos e profissionais especializados que em teoria não cairiam nos truques mais baratos. Mas ao trocar a TV e o jornal pelo seu vizinho reclamão no ZAP como fonte de informação, a gente tem algo novo no panorama. 

    Eu não sou contra isso não. Acho que a descentralização é sempre uma ótima alternativa, em praticamente tudo, incluindo emissão de moeda, decisão de qual rua asfaltar ou se vai tocar sertanejo ou rock em sua casa. Mas não dá para negar que a população média ainda está há muitas milhas de distância de entender e saber lidar com isso. Nunca comeram melado e não estão só se lambuzando, mas jogando um no outro. 

     E o pessoal dos grandes grupos jornalísticos fizeram o que puderam para se adaptar no mundo da fakenews. E é mais rentável fazer a sua própria que ficar tentando esclarecer com uma verdade que pode ser bem inconveniente por vezes.

   
Mas claro, a culpa é do Datafolha, que não previu não apenas um, mas dois cisnes negros. Mas não tenham a impressão que sou a favor das pesquisas, estou torcendo para que a burrentsia política as criminalize. Assim, em campanhas, vai sobrar apenas as propostas e experiência dos candidatos para que os eleitores determinem suas escolhas.

    Esse é um tema espinhoso como o das urnas. Eu mudei tanto quanto o hardware das urnas - nada - na minha opinião de que o sistema é vulnerável. Ser vulnerável não significa dizer que tenho provas ou suspeita que uma fraude chegou a ser cometida, mas que é tecnicamente possível. O problema é que o Bolsonarismo tornou essa posição quase inviável de defender. Você tem que fazer tantos preâmbulos, deixar tão claro que não compactua com golpes, que a discussão não é técnica. 

     Datafolha para mim deixou de ser relevante nas passeatas do fora Dilma. Quando comparadas as informações de estimativa de participantes do datafolha entre dois eventos em SP: Fora Dilma e orgulho LGBT, visualmente não havia como colocar o fora Dilma como muito menor, provavelmente até bastante maior. Mas as estimativas da Datafolha eram algo como uma diferença de 10x no grupo de participantes.

     Eu duvido que eles não saibam estimar o número de pessoas. E portanto, é aí que a tal da "credibilidade" foi por água abaixo. E uma vez perdida, precisa acertar muitas vezes para recuperar. E 2022 não foi o início dessa recuperação.
 
 
Tempos atrás, num tópico sobre liberdade de expressão, Reddit. Alguém disse que a liberdade de expressão não embarcava o racismo, por exemplo. Eu então escrevi que a liberdade de expressão não olhava o mérito.

O cara retrucou que então eu estava defendendo o discurso racista. Insisti que não, era diferente me juntar a alguém discursando sobre racismo de defender a liberdade de expressão. 

the "haaa, gotcha" moment:  https://www.youtube.com/watch?v=xJK7HamCjGs

Liberdade de expressão serve principalmente quando você se sente ofendido. 


 
Partido Novo? 

Eu doei para o partido, entre 2017 e 2018.

Eu era dirigente nessa época.

 
O quanto é trágico o derretimento do Novo? O partido só vai conseguir se levantar a partir de 2026. E salgou o terreno para qualquer iniciativa liberal consiga decolar.

Vai não. Vocês que são do twitter, podem ler minha opinião sobre isso através dos tweets de minha digníssima esposa sobre o assunto. Não concordamos 100%, mas uns bons 90%. Ela foi vice-presidente estadual até o início do ano: 


Se tem uma coisa que eu sigo defendendo cada vez mais é que, quanto maior o poder dos políticos, pior será a sua vida.

Mais uma vez, é uma questão velha: Nietzsche já tinha dito isto. 

é como já dizia o bardo: "Panela velha é que faz comida boa" 

Irapuan Martinez

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Oct 24, 2022, 1:50:06 PM10/24/22
to Lista ArqHp

Can AI cure writer’s block?

In 2020, OpenAI launched GPT-3, a language model that uses machine learning to ingest and produce human-like text.

Panic ensued as writers worried they’d be replaced by AI. But two years later, the impact of GPT-3 has felt underwhelming.

Last week, Lex, an AI-enabled word processor, took Twitter by storm, garnering rave reviews from users and 25k sign-ups within 24 hours of launching.

Lex was created…

… by Nathan Baschez, writer and co-founder of Every, a collection of business-focused newsletters.

It looks and feels like a minimalistic version of Google Docs, but with a key difference — a native integration with GPT-3.

  • After writing a few lines, users can type ‘+++’, and GPT-3 will suggest what to write next.
  • Lex can also help writers brainstorm things like title ideas.
(…)
(Da newsletter The Hustle)


=x=

Lembra quando a trecologia iria roubar o emprego apenas de teadores e parafusadores? Trabalhadores braçais fazendo tarefas repetitivas?

Poisé, no meio do caminho tinha a Lei de Moore.

Well, eu diria que não vai ser questão SE vão roubar seu emprego (qualquer que seja), mas QUANDO.


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