Plano Real era uma cryto

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Irapuan Martinez

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Apr 5, 2021, 11:02:46 AMApr 5
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Eu tenho críticas sobre o Bitcoin, sobre seu fiasco em ser meio de pagamento e ter virado papel especulativo. Mas uma coisa que nunca critiquei: Sua criação respeitou a criação de qualquer moeda.

Ontem topei com um recorte do jornal O Globo, de 16 de Outubro de 1993, narrando os rascunhos do Plano Real:

André admite criação de`currency board´
O negociador da dívida externa, André Lara Rezende (…) afirmou ontem que a equipe econômica quer obter uma "moeda forte", que tenha paridade estável com o dólar.

(…) O próprio ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, disse ao GLOBO, em setembro, que a criação de uma nova moeda, emitida por um órgão independente, o currency board — um órgão independente responsável pela emissão da moeda.

(…) O currency board — uma instituição privada, que só poderia emitir moeda se tivesse, em depósito, o equivalente em uma moeda estrangeira, com o dólar — serviria para impedir que o Governo emitisse moeda livremente para financiar seus déficits.

Nova moeda pode ser escritural ou título
A nova moeda a ser administrada pelo "Currency Board" (Conselho da Moeda) não precisa vir em forma de cédula ou níquel. Em vez disso, o mercado trabalharia com uma moeda escritural, ou seja, uma expressão de valor que serviria apenas para contabilizar, como a Ufir, uma letra ou um título. Nada que circule fisicamente, só existindo nos livros ou computadores dos bancos: para sacar ou depositar, usaria-se o cruzeiro real mesmo. 

(…) Segundo análise feitas a partir de ideias do negociador da dívida, André Lara Resende, a nova moeda, ou letra, seria uma dívida pública não sujeita a correção ou mesmo incidência de juros. A quantidade ofertada da nova moeda, no primeiro ano, seria equivalente a 20% das reservas internacionais disponíveis no país (que hoje, livre para serem usadas estão em torno de US$ 15 bilhões). E poderia crescer até 100%, quando a confiança no sistema monetário nacional fosse estabelecida.

=x=
  • Moeda emitida por uma entidade privada;
  • Lastreada (ao Dólar; no caso do Bitcoin, prova de trabalho);
  • Emissão limitada;
  • A moeda não seria física;
Neoliberais me mordam, o Plano Real era uma crypto!

Claro que isto foi no plano sendo delineado. Na prática, ele realmente começou como escriturada — a URV, Unidade Real de Valor, para depois que ela começasse a indexar a economia, apenas trocaram a URV pelo $Real.

Claro também que acabou que o tal "currency board" acabou não existindo, ficando a cargo do Banco Central. Embora hoje se busque como meta que o Bacen se torne independente da influência política, justamente o mérito de um currency board.

=x=

Foi dito que a "Faria Lima" — um endereço paulista que virou alguma espécie de entidade sobrenatural que teria poder de colocar e tirar presidentes — comprou o Bolsonaro para levar um Paulo Guedes de brinde.

Se é verdade, alimenta uma hipótese que eu venho nutrindo há alguns anos, sobre como existe gente mais burra do que eu e imensamente mais rica: Acreditar que o ministro econômico tutela um presidente inepto precisa esquecer que isto havia acontecido apenas 4 anos antes e foi um fiasco, com a dobradinha Dilma e Joaquim Levy.

Apostar no Guedes era misturar os mesmos elementos sob as mesmas condições e esperar um resultado diferente. Einstein já havia dito que isto é coisa de malucos, e oh, surpresa, hoje sabemos que de onde menos se espera é de lá que sai nada mesmo.

Como se precisasse de mais provas que o Bolsonarismo é apenas outro sabor do Lulopetismo, o recorte acima traz uma pequena entrevista do então diretor do Banco Pactual, Paulo Guedes.

Ele disse que a ideia do currency board era ruim. Alegou que prejudicaria "o povaréu" no sentido que eles não teriam acesso a segunda moeda (o que não aconteceu na prática do Plano Real) e previu que quebraria os bancos públicos — o que aconteceu de fato com bancos estaduais e alguns privados, todos insolventes e perderam o socorro da máquina de impressão infinita que o Brasil havia ligado.

Guedes preocupado com bancos públicos, patrocinou o delinquente do Bolsonaro dizendo que privatizaria um monte de coisas (e não privatizou patavina) e mais essa, criticou o Plano Real.

Lula disse que se ganhasse a eleição de 1994, acabaria com o Plano Real; Bolsonaro disse que daria um tiro no FHC, pelas privatizações (Privatizações que trocou o déficit causador de inflação para superávit que estabilizou a Economia) e agora, descobrimos que Paulo Guedes também não gostou da ideia do Plano Real.

Mario Aragão

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Apr 7, 2021, 1:20:25 PMApr 7
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Em 5 de abr. de 2021, à(s) 12:02, Irapuan Martinez <ira...@gmail.com> escreveu:


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Irapuan Martinez

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Apr 7, 2021, 1:29:27 PMApr 7
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