Microcrédito e mundo das pontas

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Irapuan Martinez

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Jan 6, 2008, 1:29:29 AM1/6/08
to Lista ArqHp
O Orkut da filantropia - Site se inspira na rede de relacionamentos
para financiar pequenos empreendedores

http://veja.abril.com.br/090108/p_064.shtml

Há dezessete anos a equatoriana Alexandra Castro ganha a vida vendendo
frutas em uma barraca na cidade de Guaiaquil. Começou ajudando os pais
e hoje sustenta três filhos. Em 2006, a feirante deu um passo
importante em seu negócio. Tomou um empréstimo de 925 dólares e, com o
dinheiro, passou a comprar mercadorias no atacado, a preços mais
baixos. Com a operação, aumentou a margem de lucro. Depois do impulso
inicial, foi possível dar outro passo. Hoje, além de vender frutas,
Alexandra as distribui a outros comerciantes. O pequeno financiamento
que melhorou seus negócios não veio de uma instituição bancária
tradicional, onde os mecanismos para a concessão de crédito são
repletos de filtros. Alexandra cadastrou-se no Kiva, o primeiro site
de relacionamentos a possibilitar que empreendedores de baixa renda
encontrem pessoas ao redor do mundo que estejam dispostas a ajudá-los
on-line, sem intermediários. Em apenas dois anos de existência, o Kiva
virou sucesso mundial. Suas operações já movimentaram 19 milhões de
dólares e chegaram a quase quarenta países (veja quadro). Tudo com o
uso de apenas duas ferramentas: um computador e um cartão de crédito.

A rede de empréstimos foi criada em 2005 pelo casal Matt e Jessica
Flannery, dois jovens californianos. A idéia surgiu após uma viagem de
Jessica à África, onde coordenou uma pesquisa sobre o impacto de
doações módicas utilizadas por pessoas para abrir ou ampliar pequenos
negócios. Lá, Jessica tirou as seguintes conclusões: 1) os pobres têm
forte espírito empreendedor e são ótimos pagadores; 2) histórias de
superação pessoal têm um poder inacreditável de encantar potenciais
investidores; 3) com a ajuda da internet, é possível multiplicar
exponencialmente o número de financiadores individuais. Com base
nessas três premissas, Jessica e o marido criaram o site Kiva –
palavra que significa "ação conjunta" no idioma suaíli, falado em
nações africanas como Quênia e Tanzânia. O sistema do Kiva é simples:
como no Orkut, microempresários inscrevem seu perfil na página da
internet, com fotos e dados pessoais. Mas, em vez de citar filmes e
músicas preferidos, descrevem o tipo de negócio em que atuam, estimam
a quantia de que necessitam para incrementá-lo, dizem como investirão
o dinheiro tomado em empréstimo e em quanto tempo poderão pagá-lo.
Potenciais financiadores em qualquer parte do mundo escolhem os perfis
que mais lhes agradam. Cada um pode emprestar o total pedido pelo
empresário ou apenas uma parte (25 dólares, no mínimo), que será
complementada por outros financiadores. O dinheiro é inicialmente
transferido para os fundos do Kiva, em nome do empreendedor escolhido,
por meio de uma transação on-line via cartão de crédito. No prazo
estabelecido para o pagamento do empréstimo, os credores recebem o
dinheiro de volta, sem juros nem correção. Nessa via de mão dupla
entre empresários e financiadores está o grande mérito do programa –
não se trata de benemerência a fundo perdido, com resultados
momentâneos, mas de empréstimos com retorno seguro e impacto social
imenso. Segundo Afonso Cozzi, coordenador do Núcleo de
Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral, a grande vantagem do Kiva
sobre as instituições de microcrédito tradicionais é ter uma rede
ampla que multiplica as chances de os pequenos empresários conseguirem
ajuda.

Outra razão do sucesso do Kiva é o alto grau de confiabilidade e
transparência das operações. Para garantir a segurança do empréstimo,
o site mantém parceria com instituições locais de microcrédito que
atuam em cada um dos 39 países atendidos atualmente – não há, por
enquanto, entidades cadastradas no Brasil. Cabe a esses parceiros
selecionar empresários idôneos e produzir relatórios periódicos sobre
o andamento do negócio financiado, permitindo ao credor acompanhar
pela internet todo o processo. Desse modo, desaparece a figura do
intermediário tradicional, em geral entidades assistencialistas que,
apesar de receberem vultosas quantias, estão muito interessadas em se
perpetuar e refratárias à prestação de contas desses recursos. A
seriedade do Kiva é reforçada pelo fato de que as próprias entidades
parceiras são avaliadas no site – as estrelinhas que, no Orkut, servem
para indicar a popularidade do internauta, no site sinalizam o grau de
confiabilidade da instituição, de acordo com seu tempo de associada,
quanto dinheiro administra e a taxa de inadimplência das pessoas que
atende (a média geral é de apenas 0,2%). Para fazerem seu trabalho, as
instituições parceiras cobram juros de 20% ao ano. A taxa, similar à
praticada pelas empresas de microcrédito, não é propriamente pequena.
É preciso entender, no entanto, que empreendedores de baixa renda não
têm acesso a essas instituições financeiras, que exigem garantias e
não dispõem de linhas de crédito de pequeno valor. Portanto, os
pequenos comerciantes são obrigados a se submeter ao mercado paralelo
da agiotagem, onde a cobrança de juros é extorsiva.

E como o Kiva se sustenta? Além de receber doações, seus criadores
encontraram outra solução: embora os tomadores do empréstimo devolvam
o dinheiro em parcelas mensais, os financiadores ao redor do mundo só
recebem o dinheiro de volta quando toda a dívida for amortizada – em
média, no prazo de um ano. Durante esse período, os recursos ficam em
uma conta remunerada e os rendimentos são usados para bancar as
operações do site. Toda a idéia surpreende pela simplicidade e pela
capacidade de atrair simpatizantes de peso. O Kiva conseguiu chamar a
atenção de personalidades como a apresentadora Oprah Winfrey e o
ex-presidente Bill Clinton, que também têm os próprios programas de
ação humanitária. Em um dos elogios públicos que fez ao site, Clinton
resumiu com clareza as razões da rápida popularidade alcançada pelo
projeto: "É como se você conhecesse aquelas pessoas, soubesse como
elas vivem e como tocam seus negócios. E você ainda pode ajudá-las.
Tudo isso pela internet. É fantástico".

AmBAr Amarelo

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Jan 6, 2008, 10:49:56 AM1/6/08
to ArqHP - Arquitetura de home pages
Meu Deus todo mundo fica rico menos eu !
ainda to parado porque não consigo achar um nome legal para meu
site .com (em ingles)

Jonas Raoni

unread,
Jan 6, 2008, 12:47:24 PM1/6/08
to ar...@googlegroups.com

Se ficar rico fosse tão fácil assim, o pessoal aqui na lista não
estaria escrevendo mensagens, mas sim viajando por aí torrando sua
grana haha xD


--
Jonas Raoni Soares Silva
http://jsfromhell.com

Antonio Jozzolino

unread,
Jan 6, 2008, 2:42:36 PM1/6/08
to ar...@googlegroups.com
Muito legal essa história de micro-crédito. Semana passada, no domingo,
saíram vários artigos sobre o assunto na FSP. Foi mais uma boa medida do
governo Lula (agora pareceu que sou petista. Não sou. Fui.) O México tá bem
na frente nesse quesito, e periga banco mexicano aportar aqui e abocanhar
esse mercado, que os bancos daqui fazem pouco.

Coisa que não entendi no artigo: o investidor dá a grana e pronto, ganho
zero, pelo prazer de ajudar o próximo? O site ganha, reaplicando a grana dos
pagamentos, já que só devolve a dívida ao investidor depois da dívida paga
(0.02% de inadimplência é ótimo, heim!). O "emprestador" ganha, levanta
grana sem ter como comprovar renda. O "gerenciador"ganha, taxa de 20% ao
ano. Só o Zé Mané altruísta não ganha? Sacanagem... Ganha o reino dos céus.
Investimento a longo prazo. Ou não, depende como vc leva sua vida, heehhehe.


--
Antonio Jozzolino
www.sgd.com.br

Irapuan Martinez

unread,
Jan 6, 2008, 5:50:01 PM1/6/08
to ar...@googlegroups.com
On Jan 6, 2008 5:42 PM, Antonio Jozzolino <antonio....@gmail.com> wrote:
> O México tá bem
> na frente nesse quesito, e periga banco mexicano aportar aqui e abocanhar
> esse mercado, que os bancos daqui fazem pouco.

Duvido que abocanhe. O que não falta neste Brasil são casas de
crédito. Mas como nem aqui há almoço grátis, o sujeito escolhe o
cardápio: Juro exorbitante com baixa burocracia ou juro de mercado -
já alto, tanks President Squid - com uma burocracia kafkaniana.

Minto, nem Kafka conseguiria tirar um empréstimo no Brasil. Entrada de
mexicanos, duvido que mude este panorama.


> Coisa que não entendi no artigo: o investidor dá a grana e pronto, ganho
> zero, pelo prazer de ajudar o próximo?

Exactly. Não é estranho, já que é de longa data a doação de fundos. Só
que não são a fundo perdido, o investidor no Kiva pega o principal de
volta, segundo o artigo.

Felipe Diesel

unread,
Jan 6, 2008, 8:25:24 PM1/6/08
to ar...@googlegroups.com
Nome legal? Kiva é legal? Jaiku é legal? Pega um peixe de nome
estranho e lança esse treco! :D

Sobre o que é?

On Jan 6, 2008 1:49 PM, AmBAr Amarelo <ambar....@gmail.com> wrote:
>

--
Felipe Diesel
http://felipediesel.net
http://sigasw.com.br

Antonio Jozzolino

unread,
Jan 7, 2008, 12:02:16 AM1/7/08
to ar...@googlegroups.com
Seguem artigos da FSP do dia 31/12/2007 sobre microcrédito:

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Bancos resistem a adotar o microcrédito

Instituições financeiras apontam riscos com a inadimplência e custos
administrativos para conceder linhas de baixos valores

Líder no setor, Banco do Nordeste credita resultado ao papel do agente de
crédito, que vai ao cliente apurar necessidade de empréstimos

Toni Sciarretta/Folha Imagem

Funcionários na linha de produção de calçados Jéssica Verão, que funciona na
favela Pantanal, zona leste da cidade de São Paulo

TONI SCIARRETTA
MAELI PRADO
DA REPORTAGEM LOCAL

Ubirani Manoel de Carvalho, 51, é um dos poucos empresários do setor
calçadista que não está preocupado com a taxa de câmbio abaixo de R$ 2 nem
pede política industrial para reduzir seus custos de produção. Ele emprega
dez pessoas, que trabalham das 8h às 22h para entregar sandálias femininas,
que estão todas vendidas para o verão. A linha 2008 da sua marca, a Jéssica
Verão, está planejada: uma sandália dourada, com tira única na frente,
revelando o pé, como atesta uma foto de página de revista exibida pela
mulher de Ubirani, Joelma dos Santos, 33, estilista improvisada e mãe de
Jéssica, 11.
Microempreendedor informal, ele tem sua linha de produção em três cômodos
sem reboco na sua casa, na favela Pantanal, em São Miguel Paulista (zona
leste de São Paulo). Ubirani destina toda a sua produção para o mercado
interno -no caso, os camelôs do Brás (centro de São Paulo), para quem vende
as sandálias a R$ 6,50 o par. Ele afirma que venderia mais se tivesse
capital para comprar matéria-prima.
É aí que começam os problemas, os mesmos enfrentados pelos pequenos
empreendedores no Brasil: a pequena confecção não tem CNPJ, Ubirani tem o
nome sujo e a empresa vende bem, mas não consegue comprovar suas receitas.
Apesar do potencial da confecção, é pouco provável que consiga os R$ 5.000
de empréstimo que pediu ao programa de microcrédito do ABN Amro Real. O
montante só será disponibilizado pelo banco se Ubirani arrumar pelo menos
outros dois colegas, cada um com o seu próprio empreendimento. Outra
possibilidade é conseguir uma espécie de fiador. "Não conheço ninguém",
disse. Também pode alienar uma de suas máquinas, mas nem todos os bancos
aceitam esse tipo de contrapartida.
No mundo do microcrédito, uma das principais regras é o chamado "grupo
solidário", em que um pequeno grupo toma empréstimo em conjunto. Se um não
paga, os outros têm de se responsabilizar pelo débito -é a forma de o banco
reduzir o risco de calote. Calejado por experiências ruins com sócios, o
dono da confecção não aceita.
Sem garantias, os bancos brasileiros alegam que o microcrédito é uma
operação complexa, de extremo varejo, que envolve alto risco de
inadimplência e cujos valores transacionados são muito baixos para cobrir os
custos administrativos de atender a clientela.
A Lei do Microcrédito obrigou os bancos a direcionarem 2% dos depósitos à
vista para o microcrédito, com juros tabelados entre 2% e 4% ao mês. Hoje,
os bancos só emprestam a metade do dinheiro disponível. Contrários à
política, classificada como intervencionista, os bancos defendem o fim do
tabelamento dos juros e do destino obrigatório dos depósitos.
Para Gilson Bittencourt, assessor do Ministério da Fazenda e idealizador da
lei, o microcrédito só não decolou ainda porque os juros altos permitiam
outras oportunidades mais rentáveis para os bancos, como o crédito
consignado.
"Como estão dominando mais esse mercado e os juros caíram, os 2% a 4% [ao
mês] parecem mais atraentes [para os bancos]. Cortamos boa parte das travas,
como tarifas, e aumentamos os limites de valores. A trava agora seriam os 4%
de juros, que eles [bancos] querem mais, mas a gente não abre mão. Se
pedirem o [aumento do] valor emprestado, perde o princípio do microcrédito",
diz.
"Não dá para trabalhar microcrédito como banco de grande porte. É preciso
ter escala e custo baixo. Quando começamos, queríamos saber: será que a
gente sabe emprestar dinheiro para a base da pirâmide? Aprendemos que não dá
para abrir mão do agente de crédito, que vai até a pessoa e cuida de todas
as etapas, da concessão à [eventual] recuperação [em caso de
inadimplência]", diz Giovani Anversa, presidente do Real Microcrédito.
Um dos pioneiros entre os bancos comerciais, o Real atua no microcrédito
desde 2001, mas só começou a operar no azul em dezembro deste ano.

Consultoras
Líder no setor, o Banco do Nordeste tem 280 mil clientes. O superintendente
de Microfinanças do banco, Stélio Gama, atribui o sucesso à rede de agentes
de crédito que vai até o local onde atuam os microempreendedores informais.
"O trabalho é parecido com o das consultoras da Avon. Os assessores vão até
a casa do cliente, onde funciona o negócio, até a barraquinha de
cachorro-quente ou até o carrinho de pipoca. O crédito sai em cinco dias, na
base da confiança. Falamos com um vizinho, um conhecido que dá referências."
Para diminuir a inadimplência, o banco só faz empréstimos a grupos de três a
dez pessoas. Se uma não paga, os demais têm de assumir a dívida para não
ficarem com o nome sujo. Com isso, o Banco do Nordeste conseguiu ter
inadimplência de 0,8% a 1% da carteira -os bancos comerciais têm índices de
7,5% para pessoa física.
Apesar das dificuldades, o Brasil tem um dos maiores potenciais no
microcrédito do mundo. De acordo com o economista Marcelo Neri, da FGV, esse
mercado poderia somar 10 milhões de pessoas. Hoje, o microcrédito não chega
a 300 mil.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi3112200706.htm

Recursos represados no BC chegam a R$ 1 bi

DA REPORTAGEM LOCAL

Criado com alarde pelo governo Lula em agosto de 2003, a Lei do Microcrédito
não consegue fazer com que os bancos comerciais emprestem a metade de um
dinheiro captado com taxa de juro simbólica para pessoas de baixa renda,
geralmente pequenos empreendedores do mercado informal.
Hoje, os bancos preferem deixar R$ 1 bilhão parado no Banco Central, sem
qualquer remuneração, a fazer empréstimos de pequenos valores, geralmente
entre R$ 500 e R$ 2.000, para a população desbancarizada, que não consegue
comprovar renda.
A Lei do Microcrédito direcionou 2% dos depósitos à vista para empréstimos
de pequenos valores com juros tabelados entre 2% e 4% ao mês. No final de
dezembro, esse direcionamento colocava R$ 2,098 bilhões disponíveis para o
microcrédito, mas só foi emprestado R$ 1,098 bilhão. O R$ 1 bilhão que não
virou microcrédito se somou aos R$ 47,205 bilhões dos 45% de depósito
compulsório à vista -elevando o recolhimento para 46%. Uma das práticas mais
condenadas no mundo financeiro, o compulsório é a parcela dos depósitos que
os bancos são obrigados a recolher no BC para não estimular a inflação. Na
maior parte do mundo, o depósito compulsório fica em cerca de 10%.
Os bancos afirmam que o microcrédito é uma operação complexa, com custos
administrativos elevados e que envolve um alto risco de inadimplência.
A instituição financeira que não consegue destinar 2% dos seus depósitos
para o microcrédito pode vendê-los a outros bancos. O maior comprador é o
Banco do Nordeste, que não consegue absorver todo o dinheiro disponível.
Bem administrado, porém, o microcrédito tem potencial para se tornar um dos
melhores negócios bancários do mundo: envolve a captação de dinheiro com
custo de 0% a 4% ao ano para empréstimo com juros de 26,82% a 60,1% ao ano
-2% a 4% ao mês. Ou seja, envolve o que os bancos chamam de "spread"
(diferença entre taxa captada e repassada) de até 60 pontos percentuais,
enquanto a média nacional para pessoa física é de 33 pontos -uma das maiores
do mundo. O negócio é tão bom que atraiu o interesse de estrangeiros, como
os mexicanos do Banco Azteca.
Para Gilson Bittencourt, assessor especial do Ministério da Fazenda, o
microcrédito avança devagar, mas com sustentabilidade. "Não tenho a ilusão
de que amanhã o microcrédito vai dobrar, mas abre-se um horizonte de
crescimento sustentável. O microcrédito vai crescer com a maturidade do
mercado", afirmou.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi3112200707.htm

Em favela, clientes só obtêm financiamento se for em grupo

DA REPORTAGEM LOCAL

A reportagem da Folha acompanhou o dia de um agente de microcrédito nas
favelas União Vila Nova e Pantanal, na zona leste de São Paulo. A
dificuldade é saber como a pessoa vai investir o dinheiro e depois como vai
pagar, mesmo que tenha o nome sujo, não consiga comprovar renda, tenha um
fiador ou bens para alienar.
Salvador José de Souza, 46, dono de um bar em União Vila Nova, renovou
sozinho pela segunda vez o seu financiamento. No passado, ele se associou a
cinco pessoas e tomou emprestado R$ 6.800. Os sócios não pagaram e ele
assumiu a dívida. Hoje, conseguiu a confiança do banco para tomar sozinho
financiamento para adquirir mantimentos e um freezer. "Eu tirava R$ 600, R$
700 por mês. Aumentei para R$ 1.000."
José Domingos Ferreira pediu R$ 2.000 para investir na loja de roupas que
comprou para mulher, que deixou o emprego no final do ano. Como está há
apenas um mês no comércio, pode ter o pedido negado. No microcrédito, os
bancos pedem seis meses de experiência do empreendedor. O objetivo é evitar
pessoas de fora do ramo.
Dona de uma mercearia, Célia Alves Sousa conseguiu renovar seu crédito. Ela
tem outros dois colegas -um dono de padaria e um vendedor de roupas- com
quem pede empréstimos há quatro anos. "Trabalho de domingo a domingo, a
partir das 6h." Questionada sobre o faturamento, ela se atrapalha. "Não sei
quanto ganho, não faço as contas." Na parede, uma placa resume o dia na
favela: "Sem luta não há vitória".

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi3112200708.htm

Baixa renda atrai interesse de mexicanos

Banco Azteca começa a operar em março com foco no crédito para trabalhadores
informais, que não comprovam renda

Locais com bancarização reduzida, como Recife, Fortaleza e Belém, serão os
primeiros; grupo Finsol estreou no Brasil em 2006

DA REPORTAGEM LOCAL

Desprezado pelos bancos nacionais, o microcrédito brasileiro despertou o
interesse de instituições estrangeiras, como os mexicanos da Finsol, que
iniciou suas atividades em 2006, e o Banco Azteca, braço financeiro do
terceiro maior grupo mexicano, que prepara para março sua estréia no país.
O Banco Azteca iniciará suas operações em Recife, praça escolhida por ter
baixo índice de bancarização. Serão abertas seis agências em 2008.
Luis Niño de Rivera, vice-presidente do Banco Azteca, disse à Folha que o
banco chega com o desafio de revolucionar a forma como o setor bancário
trata a baixa renda no país. "O Banco Azteca oferecerá produtos desenhados
especificamente para os consumidores de baixa renda. Vamos oferecer crédito
com taxas competitivas, além de poupança e investimentos específicos para
esse público, muitos deles pessoas do setor informal, que não freqüentam
bancos tradicionais. No México, nossas poupanças pagam os rendimentos mais
altos do país para montantes acima de 5.000 pesos (cerca de US$ 500). No
lado do crédito, temos taxas muito competitivas", disse.
Criado em 2002, o Banco Azteca afirma ter know-how para emprestar dinheiro
para trabalhadores informais, como diaristas e vendedores ambulantes, que
possuem receita, mas não têm como comprovar rendimentos. Também trabalha com
grupos indígenas e famílias de imigrantes ilegais nos EUA. Para isso, os
consultores do bancos se dispõem a ir até a casa do cliente e a falar com os
vizinhos para saber se a pessoa é idônea, trabalhadora e paga suas contas em
dia. O banco promete dar uma resposta em até 24 horas para cada pedido.
Além da financeira, o Azteca vai trazer para o Brasil a rede de lojas de
eletrodomésticos Elektra, a maior do México, que chegou a cogitar a compra
de grandes redes do varejo brasileiro no passado. Em Recife, serão abertas
quatro lojas. Após se estabelecer em Pernambuco, o Azteca pretende abrir
agências em Fortaleza e depois em Belém. Em três anos, a expectativa é
chegar a dez cidades brasileiras.
Os mexicanos já estão contratando no Nordeste. Os profissionais requisitados
têm experiência com microfinanças e no varejo de baixa renda. "As agências
ficarão em zonas com alta concentração demográfica e pouco acesso a
mercadorias de crédito. O Nordeste tem 52 milhões de habitantes,
praticamente a metade da população mexicana. As expectativas de crescimento
da economia brasileira são altas e a proporção das classes C e D no total da
população é alta", disse Rivera.
Segundo Luiz Edson Feltrim, chefe do departamento de Organização do Sistema
Financeiro, a possibilidade de entrar no microcrédito brasileiro já motivou
consultas de instituições da Bolívia, Peru, Colômbia, Índia e Suíça. "Em
comum, todas elas têm experiência no microcrédito. Só entra nesse ramo quem
conhece."
O mexicano Finsol tem hoje sete filiais no Nordeste, 75 funcionários e já
soma uma carteira de 8.500 clientes no valor de US$ 4,5 milhões. O grupo
ainda atua no Brasil como uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de
Interesse Público, uma espécie de ONG), mas deve ganhar o status de
instituição financeira de microcrédito com o BC. "Queremos vender planos de
saúde e seguro de vida, com auxílio-funeral. Nosso público é humilde. São
pessoas que não têm dinheiro nem para o enterro", disse Marcello Melo Pinto,
presidente do Finsol no Brasil. (TONI SCIARRETTA)

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi3112200709.htm

--
Antonio Jozzolino
www.sgd.com.br

> -----Original Message-----
> From: ar...@googlegroups.com [mailto:ar...@googlegroups.com] On Behalf

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