O Manuscrito Voynich, tambm conhecido por Cdigo Voynich, um codex manuscrito ilustrado, com 240 pginas datado do sculo XV,[1][2][3] que contm um contedo incompreensvel, ganhando a alcunha de "o livro que ningum consegue ler".[4] Foi descoberto na Polnia em 1912 pelo livreiro norte-americano Wilfrid Voynich.[2][3]
Ao longo de sua existncia registada, o Cdigo foi objeto de intenso estudo por parte de muitos criptgrafos amadores e profissionais. Todos falharam em decifrar uma nica palavra. Tal grande dificuldade na histria da criptografia tornou o tema bastante famoso, contribuindo tambm para lhe atribuir a teoria de ser simplesmente um embuste ou uma possvel fraude muito bem tramada, por conter uma sequncia arbitrria de smbolos. Porm, como o texto do Cdigo segue a Lei de Zipf, isso indica que o livro deve estar escrito em alguma linguagem desconhecida, ao invs de ser pura inveno.[5]
O livro ganhou o nome do livreiro polaco-estadunidense Wilfrid M. Voynich, que o comprou em 1912. A partir de 2005, o manuscrito Voynich passou a ser o item MS 408 na Beinecke Rare Book and Manuscript Library da Universidade de Yale. A primeira edio fac-smile foi publicada em 2005 (Le Code Voynich), com uma curta apresentao em francs do editor, Jean-Claude Gawsewitch, ISBN 2350130223.
O manuscrito nunca foi comprovadamente decifrado, e nenhuma das muitas hipteses propostas ao longo dos ltimos cento e um anos foi verificada independentemente. O acadmico Gerard Cheshire, da Universidade de Bristol, no Reino Unido, alegou ter conseguido a proeza de o desvendar, mas a comunidade acadmica e cientfica rejeita essa pretenso sem provas em contrrio.
Percebe-se, pelo desalinhamento direita no fim das linhas, que o texto escrito da esquerda para a direita, sem pontuao. Anlise grafolgica mostra uma boa fluncia. No total so cerca de 170 mil caracteres, num conjunto de 20 a 30 letras se repetem, alm de cerca de 12 caracteres que aparecem apenas uma ou duas vezes. Os espaos indicam haver 35 mil palavras; os caracteres tm boa distribuio quantitativa e de posio, alguns podem se repetir (2 e 3 vezes), outros no, alguns s aparecem no incio de palavras, outros s no fim; anlises estatsticas (anlise de frequncia de letras) do ideia de uma lngua natural, europeia, algo como ingls ou lnguas romnicas.
Acompanha o texto uma quantidade significativa de ilustraes em cores que representam uma ampla variedade de assuntos; os desenhos permitem que se perceba a natureza do manuscrito e foram usados como pontos de referncia para os criptgrafos dividirem o livro em sees, conforme a natureza das ilustraes.
A vinheta C (Acima direita) mostra a ilhota do Castello Aragons e a vinheta D (Abaixo direita) representa a ilha de Lipari.]]Em 2019, O Dr. Gerard Cheshire anunciou que decifrou com sucesso o cdigo do manuscrito usando uma combinao de pensamento lateral para identificar o idioma e o sistema de escrita do documento.[7] O manuscrito est escrito em proto-romance, uma lngua ancestral para o portugus, espanhol, francs, italiano, romeno, catalo e galego de hoje. A lngua usada era onipresente no Mediterrneo durante o perodo medieval, mas raramente era escrita em documentos oficiais ou importantes porque o latim era a lngua da realeza, igreja e governo. Cheshire est planejando traduzir todo o manuscrito de 200 pginas e compilar um lxico.[8]
O manuscrito Voynich deve sua denominao a Wilfrid Michael Voynich, um americano de ascendncia polonesa, mercador de livros, que adquiriu o livro no colgio Jesuta de Villa Mondragone, em Frascati, em 1912, atravs de padre jesuta Giuseppe (Joseph) Strickland (1864-1915). Os Jesutas precisavam de fundos para restaurar a vila e venderam a Voynich 30 volumes da sua biblioteca, que era formada por volumes do Colgio Romano que tinham sido transportados ao colgio de Mondragone junto com a biblioteca geral dos Jesutas, para evitar sua expropriao pelo novo Reino de Itlia. Entre esses livros estava o misterioso manuscrito.
Com o livro, Voynich encontrou uma carta de Johannes Marcus Marci (1595-1667), reitor da Universidade de Praga e mdico real de Rodolfo II da Germnia, com a qual enviava o livro a Roma, ao amigo polgrafo Athanasius Kircher para que o decifrasse.
Na carta, que ostenta no cabealho Praga, 19 de agosto de 1665 (ou 1666), Marci declarava ter herdado o manuscrito medieval de um amigo seu (conforme revelaram pesquisas, era um muito conhecido alquimista de nome Georg Baresch), e que seu dono anterior, o Imperador Rodolfo II do Sacro Imprio Romano, o adquirira por 600 Ducados, cifra muito elevada, acreditando que se tratasse de algo escrito por Roger Bacon.
Muitos, ao longo do tempo, e principalmente em tempos mais recentes, tentaram decifrar a escrita e a lngua desconhecidas do manuscrito Voynich. O primeiro a ter afirmado que decifrara a escrita foi William Newbold, professor de filosofia medieval na Universidade da Pensilvnia.
Em 1921 publicou um artigo no qual apresentava um proceder complexo e arbitrrio pelo qual decifrara o texto. O texto como visvel, segundo ele, no tinha significado, o verdadeiro contedo seria um subtexto micrografado, com marcas minsculas ocultas nos caracteres maiores. O texto real era escrito em Latim, camuflado nas marcas quase invisveis, sendo obra de Roger Bacon. A concluso que Newbold tirou de sua traduo dizia que j no final da Idade Mdia seriam conhecidas noes de Astrofsica de Biologia molecular.
O professor Robert Brumbaugh, docente de filosofia medieval de Yale, e o cientista Gordon Rugg, na sequncia de pesquisas lingusticas, assumiram a teoria que veria o Voynich como um simples expediente fraudulento, visando a desfrutar, na poca, do sucesso que obtinham as obras de natureza esotricas junto s cortes europeias.
Em 1978 o fillogo diletante John Stojko acreditou ter reconhecido a lngua, declarando que se tratava do ucraniano com as vogais removidas. A tal traduo, no entanto, apesar de apresentar alguns passos num sentido aparentemente lgico (Ex.: O Vazio aquilo pelo qual combate o "Olho do Pequeno Deus") no correspondia aos desenhos.
Em 1987 o fsico Leo Levitov atribuiu o texto ao povo Ctaro, pensando ter interpretado o texto como uma mistura de diversas lnguas medievais da Europa Central. O texto, porm, no correspondia cultura ctara e a traduo no fazia muito sentido.
Em 2017, Nicholas Gibbs, especialista britnico em textos medievais, afirma que cdigo foi escrito em uma forma simplificada do latim sobre o tema medicina e as condies ginecolgicas femininas.[3] Concluiu aps relacionar os smbolos com outros livros medievais sobre medicina, incluindo o Trotula.[3]
Em 2019, Gerard Cheshire, linguista da Universidade de Bristol, afirmou em uma pesquisa controversa publicado na revista Romance Studies, que o cdigo fora escrito em smbolos do ento sistema de linguagem proto-romnico (onipresente no Mediterrneo), sobre os seguintes assuntos: ervas medicinais, banhos teraputicos, diagramas astronmicos e, aspectos da vida feminina.[2] Porm este contestado por dois pesquisadores: Lisa Fagin Davis, diretora da Academia Medieval da Amrica, que afirma - "Isso apenas mais um disparate aspiracional, circular e de autorealizao", e; por Gordon Rugg que afirma - "Os decodificadores esto bem cientes de recursos como este, ento essa uma das primeiras coisas que procuraram, e esses recursos no ocorrem no manuscrito Voynich".[2]
Com o auxlio de um sistema de Inteligncia artificial alimentado com o texto da Declarao Universal dos Direitos Humanos em 380 idiomas diferentes, pesquisadores da Universidade de Alberta conseguiram descobrir que 80% das palavras do manuscrito indicam que ele teria sido codificado partir do hebraico. Com a hiptese de que o texto utiliza de alfagramas, os pesquisadores obtiveram a frase ""Ela fez recomendaes para o padre, o homem da casa, a mim e ao povo"" em um dos trechos. Com o idioma de origem e o padro de alfagramas como sistema de codificao, a expectativa que a inteligncia artificial consiga desvendar o texto completo do manuscrito.[9][10][11]
O manuscrito foi utilizado como elemento literrio, como pelo escritor britnico Colin Wilson em um conto inspirado em H. P. Lovecraft, O retorno dos Lloigor, como pelo escritor fantstico Valerio Evangelisti que na sua "Trilogia de Nostradamus", assemelha o Voynich a um Arbor Mirabilis e dele faz um texto esotrico no centro de uma trama complexa que se passa atravs da histria francesa do sculo XVI.[12]
Gerard Cheshire, linguista da Universidade de Bristol, acredita ter decifrado os segredos no Manuscrito de Voynich, descoberto na Polnia em 1912. O livro de 240 pginas data do sculo 15 e contm uma srie de desenhos e inscries feitas em uma lngua desconhecida.
Para ele, ao invs de ter sido escrito em cdigos, os smbolos fazem parte de um sistema de linguagem e escrita comum na poca em que foi escrito, o proto-romnico. Alguns especialistas acreditam que esse tenha sido um dialeto da regio que, mais tarde, teria influenciado lnguas como espanhol, francs e italiano.
"O idioma [proto-romnico] usado era onipresente no Mediterrneo durante o perodo medieval, mas raramente era escrito em documentos oficiais ou importantes porque o latim era a lngua da realeza, igreja e governo", afirmou o especialista em comunicado. Tambm de acordo com Cheshire, esse seria o nico documento escrtio no dialeto descoberto at ento.
Questionamentos
A publicao, contudo, gerou controvrsias no mundo acadmico. "Desculpem pessoal, 'a linguagem proto-romnica' no uma coisa", twittou Lisa Fagin Davis, diretora executiva da Academia Medieval da Amrica. "Isso apenas mais um disparate aspiracional, circular e [de] auto-realizao".
J o pesquisador Gordon Rugg, que estuda o Voynich h uma dcada, afirmou ao Live Science que faltam padres comuns na lingustica para comprovar a teoria de Cheshire, como artigos. "Os decodificadores esto bem cientes de recursos como este, ento essa uma das primeiras coisas que procuraram, e esses recursos no ocorrem no manuscrito Voynich".
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