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to Jossy - Pes Formosos - Pes Formosos, pes-fo...@yahoogrupos.com.br, meu...@yahoogrupos.com.br, apf-c...@googlegroups.com, Evangelismo Universitário
ANDANDO SOBRE O MAR
Depois que o Salvador deixou a multidão A comentar dos pães a multiplicação, Subiu ao monte e, ali, ficou a contemplar A beleza do céu e a poesia do mar, Sentindo o coração pulsando confortado Pelo grande milagre há pouco realizado, Sabendo que o fizera apenas pelo amor Que sempre dedicara ao pobre pecador, Fazendo reflorir na paz e na alegria, A vida que murchava à dor de cada dia, E fazendo brotar, numa festa de rosas, Os tristes corações e as almas dolorosas... E foi talvez ali, naquela solidão, Que Jesus recitou a mais doce oração...
Caía a tarde. Ao longe, um barco navegava; Soprava a ventania, o mar se revoltava E as ondas a rolar, ameaçadoramente, Pareciam querer tragá-lo, de repente...
Os discípulos seus estavam lá – coitados! – Pelo negro terror da morte dominados... Pescadores leais – homens do mar – como eram, Diante da tempestade eles logo souberam Que já não lhes restava a mais leve esperança... Tudo estava perdido, a não ser que a bonança, Por milagre de Deus, não tardasse demais...
E Jesus, que do monte os contemplava em ais, Moveu-se de piedade e veio, devagar, Leve, como a virtude, andando sobre o mar...
Quadro maravilhoso aquele! Quadro lindo Que o tempo consagrou com seu valor infindo! Nem as famosas mãos dos grandes escultores Nem o gênio dos mais afamados pintores Poderiam gravar, no mármore ou na tela, Aquela aparição divinamente bela: - O céu encapelado, o céu a lampejar E Jesus, muito leve, andando sobre o mar.
No seu medo, porém, os discípulos vêem Apenas um fantasma a lhes surgir do Além. Mas, tal como a bonança esplendorosa e pura, A voz do Salvador soou-lhes com doçura: - “Não temais, que sou Eu! Tende ânimo, porque O Pai, que tudo sabe, o Pai que tudo vê, Sentiu a vossa angústia, ouviu vossa oração E vos mandou, por mim, a sua redenção.”
Então Pedro exclamou: - “Se és tu, ó Mestre amigo, Se és tu mesmo, Senhor, manda-me ir ter contigo!” E Ele lhe disse: - “Vem!”
Pedro seguiu, mas logo Vacilando, gritou – “Senhor, eis que me afogo! Ó salva-me, Senhor!”
E o Mestre o segurou E, muito paternal e calmo, lhe falou: - “Por que tu duvidaste, homem de pouca fé? Tem ânimo! levanta e firma-te de pé! Pois aquele que crê e é salvo pela graça Pode ordenar ao vento... e a tempestade passa...”
E, entrando ambos no barco, o mar ficou sereno, Como a própria expressão do Nazareno... O céu torna-se azul; cessou do vento o açoite; E a lua, que surgiu para o esplendor da noite, Era a coroa astral de Deus no firmamento, E o símbolo de luz do Novo Testamento...
E os discípulos vão, agradecidamente, No íntimo elevando aos céus a prece ardente, Libertos afinal do peso das agruras, Aprendendo do Mestre, à luz das Escrituras, As mais belas lições e os conselhos mais sábios, Sentindo os corações sem mágoas nem ressábios: Claros – como o esplendor balsâmico do luar, Leves – como Jesus andando sobre o mar.
Do livro Sob os Céus da Palestina, Ed. Juerp: Rio de Janeiro, 1971