1 dois 3, era outra vez

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Mar 20, 2015, 5:05:01 PM3/20/15
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Histórias oferecidas à sexta-feira!

Hoje com poema e história porque amanhã se celebra o dia mundial da poesia!

 

 

 

 

 

 

 

 

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O livro de areia

 

INTRODUÇÃO

 

Por vezes, o meu olhar ficava perdido na memória.

Nos longos corredores e nos quartos mais recônditos da minha infância, detinha-me em algumas recordações luminosas: amigos, filmes, livros…

O cinema era base e inspiração dos jogos do nosso grupo, e o livro, nos momentos de mais profunda solidão, era companheiro e amigo. Para mim, o livro era, às vezes, uma pupila enorme, que me abria horizontes dilatados e me mostrava planícies e desertos onde tudo era possível; outras vezes, era uma daquelas janelas em óculo dos barcos, por onde os meus olhos de criança contemplavam o mar. E as Ilhas do Tesouro, de Robinson e dos piratas da Tartaruga, enchiam de luz e sol os dias frios do meu inverno.

O livro era uma coisa quente, próxima e fascinante.

Naquele tempo, imaginávamos os autores como uns amigos maravilhosos, que vinham, sempre que desejávamos, sussurrar-nos ao ouvido as fantásticas aventuras que tinham vivido ou sonhado. O tempo passou e tornei-me escritor. Aprendi a emprestar os meus olhos para que, através dos livros que escrevi, outras pessoas pudessem aceder a outros mundos. E ao encontrar-me com os meus leitores, em escolas e colégios, em exposições e feiras do livro, admirei-me da sua surpresa ao conhecerem-me. Quase todos eles imaginavam os autores como pessoas já mortas, velhos irritadiços ou seres pretensiosos e distantes. Isso encheu-me de inquietação porque, para eles, o livro deixara de ser um bem quotidiano, familiar e necessário.

Não sabia o que acontecera para que o livro fosse visto como um elemento alheio e hostil. E pensei, então, que devia fazer algo para aproximar o livro dos leitores. O primeiro passo seria ajudá‑los a conhecerem-no. Por isso, decidi escrever este livro. Esta história narra a vida de um livro e dos seus autores: o seu nascimento a partir da mesma matéria de que se fabricam os sonhos; o momento em que se aprisionam as ideias, com uma rede muito subtil, tecida com as vinte e quatro letras do alfabeto e as sete cores do arco-íris; e a felicidade que o livro origina, ao conseguir combinar tudo corretamente até ficar fechado no deserto branco de uma folha de papel, à espera de alcançar cada dia a sua meta: as mãos de um leitor. Porque o livro sabe que, se não encontrar um leitor que possa dar-‑lhe uma vida nova, todo o esforço terá sido inútil e só o espera o triste destino dos castelos de areia.

 

OS BRAÇOS COMPRIDOS DO VENTO

 

Era uma vez uma menina chamada Ada. Ora, numa manhã de outono, Ada saiu de casa para brincar. Desceu as escadas a saltitar sobre o pé direito, percorreu o parque saltitando sobre o pé esquerdo e deteve-se, à espera de que o semáforo acendesse o olho verde. Depois, cruzou o passeio marítimo e chegou à praia.

Na praia, Ada apanhou conchas e búzios, pedras brilhantes e bocadinhos de madeira de formas estranhas. Depois, começou a brincar com a areia: ergueu muralhas, torres e ameias; escavou portas, túneis e fossos... Finalmente, sobre a areia da praia, ergueu-se o castelo de areia de Ada. A menina estava muito contente, porque o castelo que tinha construído era muito lindo. Mas veio a maré e a água inundou as portas, os túneis e os fossos. Derrubou as muralhas, as torres e as ameias. Veio uma onda, vieram duas, três... Vieram todas as ondas que o mar trazia. E foi como se, sobre a areia da praia, nunca se tivesse erguido o castelo de Ada.

Depois de perder o seu castelo de areia, Ada foi para o parque. O chão estava coberto de folhas mortas, que o vento do outono arrancara das árvores. A menina arrastou as folhas e fez pequenos montes. Depois, desfez os montes com o pé. Finalmente, apanhou as folhas mais douradas e brilhantes e começou a colocá-las com cuidado no chão. Com elas, Ada desenhou um sol, uma árvore e uma pomba com um raminho no bico.

Em seguida, subiu para um banco do parque para ver o desenho que fizera com as folhas caídas das árvores. O quadro era muito lindo; a menina aplaudiu, riu e saltou em volta dele. De repente, o vento forte soprou e arrastou todas as folhas numa dança vertiginosa e turbulenta. Ada ficou muito triste ao ver que o quadro que fizera voava pelos ares. Então, pensou “Não se pode construir nada à beira-mar ou que esteja exposto ao vento”. Apanhou, por isso, um pauzinho que ficara no chão e começou a desenhar sobre a terra. Fez os traços muito fundos, para que o vento não pudesse apagá-los. E, ao acabar o desenho, Ada sorriu de novo; porque lá estava novamente o sol, a árvore e a pomba com um raminho no bico.

De súbito, ouviu-se um trovão e Ada viu cair sobre o seu desenho grossas gotas de chuva. Depois de as gotas da chuva apagarem o desenho todo, a menina voltou para casa e pôs-se à janela. Contemplou as ondas do mar, que chocavam contra os rochedos e a areia da praia. Contemplou os braços compridos do vento, que arrastavam as folhas mortas pelos passeios do parque, pelas ruas e pelas praças. E contemplou as monótonas gotas da chuva, que corriam paralelas no vidro da janela, como corriam as lágrimas pelas faces de Ada. A menina estava triste, porque o mar, o vento e a chuva tinham destruído as coisas lindas que tinha criado.

Como não tinha vontade de brincar, pegou num livro e começou a ler. De repente, passou a mão pelas páginas do livro e sorriu, porque se deu conta de que nem a força do vento nem a força do tempo podiam destruir aquelas palavras e aqueles desenhos.

Então, Ada pegou num caderno e na caixa dos marcadores e escreveu:

Primavera.

E todas as letras se encheram da lembrança das flores, das borboletas e dos pássaros.

Em seguida, escreveu:

Verão.

E as vogais e as consoantes encheram-se do calor do sol, que tinha dourado a costa das praias.

Depois escreveu:

Inverno.

E as letras bailaram como flocos de neve que em breve começariam a cair. Ada olhou pela janela e contemplou a rua.

Por fim, escreveu:

Outono.

E dentro dessa palavra viviam todas as folhas das árvores, as folhas de uma banda desenhada rasgada e um chapéu cinzento que o vento levava em redemoinhos.

A menina continuou a escrever e inventou a história de uma folha de árvore que, graças ao vento de outono, encontrou muitas amigas e com elas pôde dançar uma dança cheia de alegria. E inventou a história das folhas de uma banda desenhada, que fugiram das mãos de um rapaz, porque era já tempo de aquele rapaz começar a ler livros. E também a história do chapéu cinzento, que tinha deixado a cabeça do seu dono, porque sonhava ser um vaso de flores e vir a ter uma rosa vermelha.

Quando acabou de escrever, Ada sorriu, satisfeita, porque o vento nunca poderia levar-lhe aquelas histórias tão bonitas. Então, pegou na caixa dos marcadores e, quase sem se dar conta, desenhou no papel o castelo de areia, o sol, a árvore e a pomba com um raminho no bico.

 

POEMAS NUM PAPEL AMARROTADO

 

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Na rua havia chuva e sol. O sol brilhava nos charcos, nas pedras molhadas do pavimento, na terra húmida... Ada olhou para o relógio da torre e exclamou:

— Já é tarde!

Abriu o guarda-chuva vermelho e desatou a correr na direção da escola.

Ada corria e o seu guarda-chuva girava, como se fosse um moinho de papel. Quando pisava os charcos, estes irrompiam em mil pontos de luz. As botas de Ada subiam e desciam, como o tiquetaque do relógio da torre, que marcava os últimos minutos que faltavam para o começo da aula.

As gotas da chuva, alguns raios de sol e um pedaço do arco-íris ficaram lá fora, quando a menina entrou, ofegante, na escola. Sentada na carteira, Ada pensava: “Onde estará o pedaço de arco-íris que falta no céu?”

Então, a professora disse:

— Bom dia, meninos. Entreguem-me, por favor, os trabalhos de casa.

Um a um, os alunos foram-se aproximando da secretária da professora com figuras de plasticina, desenhos coloridos e bonecos de papel. Num instante, a sala encheu-se de sóis e pássaros, de árvores e montanhas.

— Ada, onde está o teu trabalho? — perguntou a professora.

A menina tinha os papéis emaranhados e demorou a chegar ao quadro. Quando expôs os seus desenhos na parede, a atmosfera inundou-se de cor e de luz. Ada contou a história daquela folha de árvore, que estava muito triste, por estar só. E também as outras histórias que tinha inventado. Os colegas ficaram muito calados. Parecia que todo o outono tinha entrado na sala, de repente, através de uma janela aberta.

A professora apercebeu-se, então, de que, mais uma vez, Miguel não se tinha levantado.

— Miguel, estou ainda à espera do teu trabalho.

Ao ser chamado, o rapaz levantou-se da carteira e aproximou-se, muito nervoso, da secretária da professora.

— Senhora Professora… é… que…

Miguel não se tinha atrevido a entregar o trabalho, porque o papel que trazia na mão estava muito amarrotado. Nunca era capaz de apresentar bem os seus exercícios; embora não soubesse porquê, as suas folhas e cadernos estavam sempre cheios de borrões, manchas e riscos. Ao verem o papel tão amarrotado, quase todas as crianças se riram. Mas, quando Miguel começou a ler o seu poema, os colegas perderam a fala.

Quando falou da alegria das cegonhas nas torres, do campo coberto de margaridas e das borboletas do ar, exclamaram todos:

— Primavera!

Quando falou do mar dourado de espigas e do suor dos homens e das mulheres a trabalhar nos campos, exclamaram todos:

— Verão!

E todos os meninos e meninas da turma clamaram “Outono!”, quando Miguel lhes falou dos compridos cabelos do vento, da agitação das folhas e das árvores despidas.

E todos aplaudiram “Inverno!”, quando Miguel falou das sementes adormecidas sob a terra nevada, enquanto sonhavam com os caules, as folhas e as flores que teriam na primavera.

As palavras daquele poema estavam cheias de vida e delas emanava uma música muito suave. Por isso, alunos e professora nem se lembraram de que o poema estava escrito num papel amarrotado. Ada estava quase a chorar de alegria. Pensou “Que poesia tão bonita! Se juntássemos as palavras do Miguel com os meus desenhos, teríamos um trabalho extraordinário!”

 

No fim da aula, Ada reuniu-se com Miguel e, depois de muito pensarem e trocarem ideias, foram falar com a professora:

— Senhora Professora, gostaríamos de formar uma equipa — disse Ada.

A professora olhou para eles, admirada. Miguel disse, então:

— É que a Ada desenha bem e eu nisso sou uma desgraça.

A menina continuou:

— Posso passar a limpo o poema do Miguel e ilustrá-lo com os meus desenhos.

— E eu vou escrever as histórias que a Ada desenhou e outras histórias novas.

— Acho uma ótima ideia! — exclamou a professora.

A partir daquele dia, à hora do recreio, Ada e Miguel falavam do seu trabalho e discutiam, ponto por ponto, cada uma das histórias. Ada sentia-se feliz a ilustrar o poema e as histórias de Miguel. Aquelas palavras tão bonitas faziam com que os seus desenhos nascessem mais vivos, mais alegres e mais brilhantes. Miguel trabalhava as palavras, cheio de alegria. Já não tinha medo dos riscos, dos borrões e das manchas, por saber que, depois, Ada passaria tudo a limpo.

Um dia, Ada foi à papelaria e, depois de ver todos os cadernos que havia, comprou um que parecia um livro em branco. Foi buscar aguarelas, lápis e marcadores, e começou a encher as folhas de desenhos brilhantes e luminosos. Em seguida, copiou com muito cuidado as palavras do poema e das histórias, nos espaços que deixara em branco. Demoraram muito tempo, porque necessitaram de muitas histórias para encher o caderno. Mas o livro feito pelos dois era muito bonito. E todos os dias, enquanto folheavam as suas páginas, Miguel e Ada sonhavam com um longo caminho ladeado por todos os livros que pensavam fazer em conjunto.

 

O LIVRO DE AREIA

 

Naquele dia, Ada acordou muito cedo. Mesmo antes de se levantar, sabia que era uma manhã especial: via-o no ar do seu quarto, estremecido pelo frio; sussurravam-no as sapatilhas e a bata; gritavam-no os vidros da janela, bordados de neve. A menina, bem enrolada no seu cobertor, pensava: “Agora o vidro da janela é igualzinho à garrafa de anis do avô”. E ria-se divertida, imaginando o avô a tentar beber o vidro da janela.

Ao ouvir o despertador, Ada saltou da cama; caminhou sobre os calcanhares até encontrar as sapatilhas e deixou-se abraçar pelo calor morno da bata. Depois, arranhou a neve do vidro com a unha e escreveu o seu nome “ADA”. Em seguida, desenhou um menino com a cara cheia de sorrisos. Ao abrir a janela, já sabia o que havia sucedido: a neve caída durante a noite cobrira os telhados das casas, as árvores do parque, os carros e as ruas. A menina não pôde conter o riso ao ver que a neve tinha posto um chapeuzinho branco no semáforo da esquina. Parecia uma quarta luz com a qual o semáforo anunciava: “Chegou o inverno! Cautela com as escorregadelas, as bolas e os bonecos de neve”.

Depois do pequeno-almoço, Ada tirou da estante o livro que tinha feito com Miguel e saiu de casa. Miguel esperava-a, à porta:

— Já viste que dia tão maravilhoso? — perguntou Ada. — Temos de chegar à escola depressa.

Nessa manhã, a cidade mostrava-se radiante e luminosa aos olhos radiantes e luminosos de Ada e de Miguel. A neve ponteava mansamente o ar.

— O céu está com sarampo branco — exclamou Miguel, fazendo Ada rir.

Naquela manhã, os alunos chegaram todos muito cedo à escola e brincaram no pátio com a primeira neve do ano. Atiraram bolas, esfregaram o chão com o pé para poderem patinar e fizeram um enorme boneco. Quando a campainha tocou, puseram-se todos em fila, sacudindo a neve das mãos, da roupa e do cabelo. Ao entrar na sala, Ada e Miguel disseram à professora:

— Já acabámos o nosso trabalho.

A professora folheou todas as páginas do livro e comentou:

— Fizeram um trabalho muito bonito. O vosso livro será o tema da aula de hoje. Por favor leiam um pouco, para ver se os vossos colegas se animam a escrever.

Ada e Miguel revezaram-se a ler.

Como era um dia nevado de inverno, leram as histórias e os poemas que falavam da queda lenta e branda dos flocos de neve, dos maravilhosos bordados da neve nos vidros e das compridas barbas geladas que pendiam dos telhados, dos candeeiros e das árvores.

Toda a turma estava entusiasmada, porque aqueles poemas e aquelas histórias falavam de coisas que todos conheciam e porque pensavam que, também eles, podiam ter escrito algo semelhante. A professora elogiou muito o trabalho de Ada e Miguel:

— Façam circular o livro, para que todos possam ver os desenhos da Ada.

Também aproveitou a ocasião para lhes falar dos escritores e dos livros:

— Há muitíssimos anos, quando ainda não se tinha inventado a imprensa, havia muito poucos livros, todos escritos à mão, como o da Ada e do Miguel. Por isso, muito poucas pessoas possuíam livros e, por isso, pouquíssima gente sabia ler.

Enquanto a professora ia falando, o livro de Ada e de Miguel ia passando por muitas mãos: pelas mãos de Manuel, que era muito cuidadoso com os livros; pelas mãos de Adolfo, que estavam sempre cheias de gordura das sandes; pelas mãos de Cristina, que amarrotava sempre as páginas; pelas mãos de Susana, que arrancava todas as folhas de que gostasse; pelas mãos de Carlos, que era especialista em pintar óculos, bigodes e barbas em todas as fotografias e em todos os desenhos.

Quando o livro voltou às suas mãos, Ada e Miguel quase choraram. Ada lamentou-se:

— Olha para o nosso trabalho! Está todo estragado!

Mas Miguel disse-lhe, para a consolar:

— Deixa lá! Acontecia o mesmo quando os livros circulavam de mão em mão, no tempo em que a imprensa ainda não tinha sido inventada.

— Sim. Mas agora já existe imprensa. Os nossos colegas são muito descuidados.

— Não desanimes. Vamos trabalhar para defender o nosso livro.

Ada concordou:

— Está bem. Vou copiar o livro outra vez. Assim vai poder ser lido pelos nossos pais, pelos nossos amigos e por quem nos pedir.

Ao sair da escola, passaram por uma papelaria. Ada comprou outro caderno parecido com um livro, foi para casa e começou a trabalhar. Desta vez escreveu primeiro o título:

 

O LIVRO DE AREIA

 

E ao colorir aquelas palavras, sorriu.

Pensava que as palavras do outro livro se tinham perdido, como a árvore perdia todas as folhas no outono para poder alegrar-se com a chegada de uma nova primavera.

Olhou pela janela e riu; parecia quase uma brincadeira pensar na primavera, quando a cidade dormia ainda sob camadas geladas de inverno. Contudo, em cada palavra e em cada desenho do novo livro, Ada via brilhar uma primavera ainda mais formosa.

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Fernando Alonso

Un castillo de arena

Valladolid, Miñón, 1983

(Tradução e adaptação)

 

 

 

 

No intuito de darmos continuidade ao anterior projecto, “Um dois três era uma vez”, embora em moldes que se pretendem mais abrangentes, reiniciamos o envio semanal de pequenas histórias para crianças e adolescentes, por vezes acompanhados de textos dirigidos a um público adulto, convidando à reflexão, e também ao sonho, que tão necessários se tornam numa sociedade em que o materialismo tem crescido desmedidamente, a ponto de abafar os valores mais genuínos do ser humano: o respeito pelos outros, a ternura, a delicadeza, a compaixão pelos que sofrem, a generosidade.

Esperamos que o projecto, que agora passa a chamar-se “Um dois três, era outra vez”, continue a encontrar leitores assíduos entre aqueles a quem se dirige, e possa proporcionar agradáveis momentos de partilha entre pais e filhos.

 

 

 

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E…diga-nos o que pensa das histórias que lhe forem chegando!

 

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Ideia: Teresa Tudela e Betina Campos Neves

 

 

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Mar 27, 2015, 2:43:11 PM3/27/15
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Histórias oferecidas à sexta-feira!

 

 

O Castor Jardineiro

Ao olhar para o parapeito da janela, o Castor apercebe-se de que a sua planta murchou.

— Tenho mesmo de a substituir.

O Castor pensa um pouco. Que tipo de flor vai ele pôr no lugar da planta murcha? Talvez um lírio? Ou… uma íris? As rosas também são muito bonitas…

Mas… o que é que, de repente, se ouve rolar pelo chão fora?

— Olá, Pequeno Castor! Eu podia ter-te ajudado com os sacos das compras!

O Castor fica aborrecido. O saco dos feijões rasgou-se.

— Boa! Isto deu-me uma ideia.

— E se semeássemos os feijões em substituição da planta da janela? — exclama o Castor, todo contente.

Durante o jantar, o Castor e o seu pequeno amigo deliciaram-se com um prato de feijões, mas reservaram dez feijões crus, que puseram numa taça com água.

— Os feijões crescem mais depressa se forem previamente postos a inchar em água durante uma noite inteira — explica o Castor antes de se ir deitar.

— É o que aconselha o Tio Sansão, o jardineiro — acrescenta.

 

No dia seguinte de manhã, o Castor e o Pequeno Castor vão explorar o anexo das ferramentas do Tio Sansão, que os autorizou a usarem tudo o que precisassem para os seus projetos de jardinagem.

Mas… o que procuram eles ao certo?

— Aqui está! — exclama o Pequeno Castor. — Encontrei o manual de jardinagem do Tio Sansão.

No manual, explica-se como semear feijões brancos. Antes de começar, o Castor e o Pequeno Castor leem todas as instruções.

 

O Castor começa por arranjar um vaso grande e outro mais pequeno. Depois, apanha dois cacos de um vaso partido, uma colher de jardinagem e um saco de boa terra. Coloca um caco no fundo de cada vaso. É para a terra não sair pelo buraco do fundo. Em seguida, enche os dois vasos com terra.

O Castor tira da água os feijões bem demolhados. Estão agora com o dobro do tamanho.

Entretanto, arranja um pauzito reto, afia-lhe a ponta e faz-lhe uma pequena marca.

Com o pauzito, o Castor faz furos na terra, três furos em cada vaso. Espeta o pau exatamente até à marca. Assim, os furos ficam todos com a mesma profundidade.

 

O Pequeno Castor deposita um feijão em cada um dos furos e depois tapa-os com um pouco de terra.

— Ainda sobraram alguns feijões — diz o Pequeno Castor.

— Eu trato deles — responde o Castor.

Entretanto, o Pequeno Castor vai buscar o regador e começa a regar com muito jeito cada um dos vasos.

— Atenção! — avisa-o o Castor. — Se regares demais, afogas os feijões!

Enquanto o Pequeno Castor se atarefa com as regas, o Castor sai de casa às escondidas. Semeia os feijões num canteiro encostado à casa, num lugar muito soalheiro e quentinho.

“Quando plantamos e jardinamos, é preciso ter muita paciência”, alertara o Tio Sansão.

 

É verdade. Não podemos dizer a um feijão para se apressar. Tudo o que podemos fazer é regá-lo de tempos a tempos e esperar.

“Mas, caramba, é uma loucura a quantidade de paciência que temos de ter”, pensa o Pequeno Castor. “Já faz mais de uma semana que semeámos os feijões e ainda nada!”

 

Mas, uma bela manhã…

— Castor! Castor! Já cá estão! Eles brotaram!

Todos os feijões do Pequeno Castor germinaram. Mas no vaso do Castor só apareceram dois pezinhos de feijão.

— Rápido, Castor, vai buscar umas canas para estacar os feijoeiros!

Espetam as canas até ao fundo dos vasos, tendo todo o cuidado para não danificar as raízes. Assim, quando crescerem, os feijoeiros agarrar-se-ão às canas e treparão por elas acima.

 

Os dois amigos não se esquecem de regar, todos os dias, os feijoeiros, que crescem… crescem… crescem! Em pouco tempo a janela fica coberta de folhagem verde.

— Olha que flores tão lindas! — exclama o Castor.

— Olha mas é que feijões tão lindos! — corrige-o o Pequeno Castor.

O Castor e o Pequeno Castor colhem as vagens mais gordas.

 

— Olha, — diz o Pequeno Castor — há mais do que um feijão em cada vagem!

Cada feijão tem uma pele branca. No seu interior está um feijão verdinho.

Antes do os cozinhar, o Castor e o Pequeno Castor descascam e pelam os feijões. É um pouco delicada a tarefa de retirar a pele branca que recobre cada feijão.

 

Em seguida, metem os feijões em água a ferver com sal e depois servem metade em cada prato.

— Espera, vão ficar ainda mais saborosos assim — diz o Castor, enquanto deita uma colher de manteiga sobre os feijões quentes.

— Já te deste conta do que se consegue fazer com uns feijõezitos que vieram do merceeiro? — diz o Castor — Uma linda planta à janela durante todo o verão e uma refeição festiva! E tu já viste o canteiro ali ao fundo encostado à casa?

— Oh! — exclama o Pequeno Castor. — Mas são feijões! Como é possível?

— Pois bem, adivinha! — responde o Castor com um ar maroto. — Amanhã voltamos a comer feijões do nosso jardim. Que achas?

— Humm, que delícia! — exclama o Pequeno Castor, todo feliz.

 

 

Lars Klinting

Le Petit Jardinier

Paris, Albin Michel Jeunesse, 1997

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