O Vira-Lata está de luto, mas o show continua...

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VIRA-LATA

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Mar 13, 2012, 9:09:29 PM3/13/12
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Volta Redonda/RJ - 13 de março de 2012.

Olá amigo,

no dia 02 de março, o cavalo Dominique, como foi batizado pelo Vira-Lata , morreu.
 
Dominique foi apreendido pela 93DP de Volta Redonda, no dia 16 de Junho de 2011, após denúncia por maus tratos, feita pelo Vira-Lata .
Mesmo com um carcinoma (câncer) no focinho, Dominique puxava carroça no projeto "Bota Fora", do bairro Sessenta, que é apoiado pela Prefeitura de Volta Redonda [relembre a história].
 
Na busca pelo tratamento de Dominique percebemos que o final destes animais é sempre muito cruel.  Animais velhos e doentes são abandonados em beiras de estrada, campos ou em centros urbanos. Grande parte dos veterinários aconselha o “abate”, visto que “não vale à pena” gastar dinheiro com um animal que já não “serve para nada”.
O Vira-Lata, porém, após uma vasta busca por veterinários éticos e bem dispostos, teve a sorte de encontrar veterinários que acima de tudo respeitam e lutam pela vida.
 
No princípio de sua aposentadoria, enquanto aprendia a conviver com seus protetores, Dominique estava receoso e não aceitava muito contato. Aplicar a medicação era trabalhoso e cansativo.
 
A ideia de sacrifício era cada vez mais distante, pois logo que Dominique percebeu que era amado, cuidado e respeitado, ganhou confiança e auto estima. Logo passou a aceitar o tratamento, pacientemente, por até 5 horas consecutivas, sem se mexer ou reclamar.
 
Durante os 9 meses de tratamento, mesmo emagrecendo e cada vez mais debilitado, Dominique se mostrava muito agradecido e disposto a viver. Conforme o tempo passava, o tumor evoluía e ocupava grande parte de sua cara, o que dificultava a respiração e tornava difícil e lento o momento em que se alimentava e bebia água. Dominique pastava pouco e sua dieta se resumia a grande quantidade de ração úmida por dia.  Às vezes, quando disponível, Dominique se aventurava a comer mangas e goiabas que encontrava pelo chão ou que, com muita dificuldade, ele mesmo arrancava do pé.
Interagia com as pessoas que cuidavam dele, e os animais que o cercavam.
Reclamava quando alguma coisa estava errada e atendia quando era chamado por Dom. 
 
Infelizmente, apesar da luta constante e do curto período de sua abolição, a doença venceu. 
 
Dominique, teve a sorte de ter sido resgatado das mãos de seu algoz. Neste momento, na cidade em que você vive, com certeza, há muitos “Dominiques” dividindo espaço com carros, puxando uma carroça pesada , trabalhando com  sol e asfalto quentes.
Sem descanso, sem comida e água, puxam carroça muitas vezes por 10, 12 horas.
São poucos os cavalos que não levam uma vida de escravo. Mesmo os afortunados, lindos e com grande valor de mercado, pouco valem quando ficam doentes ou têm uma pata quebrada. São, na nossa cultura antropocêntrica, “objetos” descartáveis que precisam dar “lucro” que muitas vezes sequer são revertidos para seus cuidados.
 
Em Volta Redonda o trabalho dos carroceiros , chancelado pela prefeitura, é indecente! Não existe a menor infraestrutura para os animais. Vivem em um local imundo, entre galinhas e porcos. Não são supervisionados, não há veterinários, não há sequer sombra , água,  ração e pasto.
Durante à noite, os cavalos ficam soltos pelas ruas dos bairros vizinhos ao Bota-Fora, famintos, revirando lixo e colocando em risco, os motoristas desavisados.
 
Já passou da hora de capacitar estes carroceiros para outras funções e libertar estes animais.
 
A  única política pública para os animais, em Volta Redonda é a castração oferecida no CCZ,  “gratuitamente”,  para os animais dos moradores da cidade. Obra do governo anterior (Lei Municipal  4.108).
Porém, a castração se limita aos animais que são levados por seus guardiães,  ao CCZ.
Os animais errantes, continuam sem políticas de controle populacional.
 
A castração que deveria não ter custo algum, se torna inviável para alguns contribuintes, visto a receita de pós operatório com custos super elevados. Esta prática, além de colocar o animal em risco, pois muitos não têm como pagar os medicamentos, nos parece uma “cilada” por parte da prefeitura.
 
A prefeitura de  Volta Redonda é omissa quanto aos animais. Há o  Bota-Fora (carroceiros), a feira de venda animais na Vila todos os domingos, que é ILEGAL, o zoológico, e os animais errantes.
Nada foi feito pelos animais neste governo!
Informamos, inclusive,  que o prefeito Antônio Francisco Neto, como dissemos na matéria ao Jornal Aqui, não recebe o Vira-Lata em seu gabinete.
 
No próximo mês, teremos a “Festa do Peão Boiadeiro” que acontece há 15 anos em nossa cidade. Este ano, temos uma novidade: Saíram os touros e o rodeio e teremos o "Horse show”, um  “espetáculo” com cavalos.
 
Este show mostra que algo está acontecendo nos bastidores do rodeio, além dos maus tratos.
A princípio, a notícia da troca dos animais, agradou bastante gente.
Mas convidamos você, caro leitor, a pensar no treinamento , no deslocamento e stress que estes cavalos passam durante a apresentação com luzes e  barulho excessivos.
 
Somos assim tão desinteressantes que não podemos entreter uma plateia?
Por que nós,  humanos, insistimos em usar animais para nosso divertimento e para suprir nossas vaidades ?
Se nosso governo investisse mais em cultura e arte para os artistas locais, aquele espaço não precisaria de animais.
 
É válido saber que o movimento que os  defensores dos animais fizeram no ano passado, de alguma forma, inspirou uma mudança. Mas não se engane, não teremos o show de horrores que é o rodeio, mas aquela arena estará repleta de  “Dominiques “que são lindos, fortes, animais com espírito libertário, porém, escravos.
 
Alguns dos Inquéritos (citados no texto ) do Vira-Lata no Ministério Público de Volta Redonda:
 
CCZ: IC 484/07
 
Rodeio: IC 54/2011
Bota Fora: IC 82/2011
Venda de animais na feira da Vila: IC 197/11
Zoológico: IC 200/11
Agradecemos imensamente o apoio dos veterinários: Dr Carlos Henrique Machado, Dr Douglas Bastos Vaz e ao médico oncologista Dr Rodrigo Leijoto.

Cabe a nós, cidadãos de Volta Redonda, trabalhar por mudanças verdadeiras em relação aos animais de nossa cidade.
Contamos com você!

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Abraços,

Vira-Lata
Não temos abrigo
    
 







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