Lula desmonta mentiras de delatores

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Franklin Alves

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Sep 16, 2017, 8:44:37 AM9/16/17
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Altamiro Borges


Os quatro nós górdios que emperram o Brasil

Posted: 14 Sep 2017 04:51 PM PDT

Por Leonardo Boff, em seu blog:

O Brasil está amarrado a quatro nós górdios que ninguém conseguiu ainda desatá-los e assim libertá-lo para se auto-construir como país soberano e livre.

O nó górdio vem de uma lenda da mais longínqua província romana, a Frígia, para onde eram levados condenados políticos sediciosos e na era cristã, os herejes. Era uma espécie de Sibéria, lugar de punição a opositores ou defensores de doutrinas heterodoxas.

A lenda diz que tendo ficado vacante o trono, foi escolhido como rei um camponês de nome Górdio. Veio com seu carro de bois. E para honrar Zeus e mostrar a humildade de sua origem, colocou a carroça dentro do templo. Amarrou-a com grossa corda com infindáveis nós de sorte que ninguém conseguia desatá-la. E assim ficou por muito tempo. Até que no ano 334 a.C. passou por lá Alexandre, o Grande. Curioso, foi ver os nós. Circulou ao redor. Não ficou refém dos nós da corda. Teve uma iluminação. Desembanhou a espada. Num golpe cortou a corda. Daí se derivou a conclusão de que uma ideia fora dos quadros convencionais – os nós – pode facilmente desatar os nós e resolver o problema.

O Brasil está amarrado a quatro nós górdios, sem que até hoje chegasse alguém que num corte libertasse o Brasil deles. Mas um dia ele irromperá.

O primeiro nó górdio é o etnocídio indígena. Eram cerca de 4 milhões. O extermínio os reduziu a 800 mil de hoje. O mais vergonhoso extermínio foi a decisão de Dom João VI em 13 de maio de 1808 de declarar uma guerra de exermínio contra os krenak (botocudos) do Vale do Rio Doce. Eram tidos indomesticáveis e por isso deveriam ser exterminados. Quase o foram. Alguns fugiram para dentro da mata. Eles se refizeram e hoje Ailton Krenak é um dos líderes maiores dos povos sobreviventes. A consequência: esses povos originários até hoje são discriminados como inferiores e suas terras com dificuldade são demarcadas e muitos deles são ainda assassinados.

O segundo nó górdio é o nosso passado colonial. Todo processo colonialista é violento: implica invadir terras, impor a língua, a política, a religião e desestruturar a cultura dos colonizados. A colônia criou duas instituições que se transformaram em estruturas mentais: a Casa Grande do senhor que tem o poder de vida e morte sobre os subordinados e a Senzala onde vivem os escravos e os peões sem qualquer direito. A consequência: sempre dependemos de fora, consideramos o que é estrangeiro melhor do que o nosso próprio produto. Deixamos surgir o sentimento de “vira-lata” sem autovalorização.

O terceiro nó górdio foi a escravidão. 4-5 milhões de africanos foram trazidos de África como escravos. Eram postos no pelourinho para serem vendidos como “peças” para servirem como trabalhadores no engenho ou serviçais nas cidades. Eram proibidos de constituir família. Os filhos logo que cresciam eram vendidos para longe e assim romper o laço de afeto entre a mãe e os filhos e filhas. Foram tratados com crueldade como a animais. Consequência: a falta de respeito aos outros, a discriminação e o ódio que grassa na sociedade contra os negros e a seus descendentes. Isso perdura até os dias de hoje. Jessé Souza em sua obra sociológica enfatiza que os descendentes da Casa Grande não apenas os mantém nas periferias mas os humilham e desprezam. Apenas o Governo Lula-Dilma fez alguma reparação para com eles, criando cotas nas universidades e nas escolas técnicas e uma universidade UNILAB em Redenção no Ceará.

O quarto nó górdio que obnubila a realidade brasileira é o patrimonialismo associado à corrupção. O patrimonialismo significa que as oligarquias consideram como privado o bem público, ocupam altos postos do aparelho do Estado, controlam as políticas públicas, entram em consórcio com empresas privadas para realizarem projetos do Estado, ganhando propinas pela mediação ou pelo superfaturamento das obras. Aí corre solta a corrupção que foi naturalizada. Somente nos últimos tempos pela Lava Jato os donos das grandes empresas e políticos dos mais altos escalões foram desmascarados e muitos deles postos na prisão. Esse nó górdio é o mais difícil de ser desatado pois se infiltrou em toda a sociedade como pertencendo ao negócio e ao nosso ser brasileiro.

Se o Brasil quiser construir seu próprio caminho, ganhar autonomia e contribuir para o devenir da nova fase planetária da Terra, deverá cortar estes quatro nós. Um governo com forte liderança e coragem e com sentido de nacionalidade poderá cortar esses nós, como condição de realizarmos o sonho brasileiro. Não perdemos a esperança de que esse dia chegará. Energias ponderosas estão impulsionando nesta direção.

Alckmin pega fila, Doria pega jatinho

Posted: 14 Sep 2017 04:46 PM PDT

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

Como qualquer cidadão normal, o governador Geraldo Alckmin esperou pacientemente na fila pela sua vez de embarcar em Congonhas no voo de São Paulo para Brasília, na manhã desta terça-feira.

É uma cena rara entre altas autoridades e quem a divulgou foi o próprio site oficial do governador, com uma legenda na qual escreveu que estava embarcando para cumprir "importantes compromissos em prol da agropecuária paulista".

Um detalhe me chamou a atenção na foto: nenhum passageiro cercou Alckmin para tirar "selfie" ou pedir autógrafos como acontece com os candidatos em campanha.

Para um candidato declarado a presidente da República, no entanto, a legenda é mais constrangedora ao informar que iria cuidar de interesses da "agropecuária paulista".

Uma das críticas que se fazem a esta segunda tentativa presidencial de Alckmin é o fato de ele ser um político muito regional, marcadamente paulista, sem inserção em outras regiões, imagem que ele agora quer mudar com suas viagens pelo país.

A foto e a legenda parecem até coisa de adversários interessados na disputa pela candidatura tucana.

Menos de 24 horas após o tucano-mór Fernando Henrique Cardoso pregar a união e propor um armistício num encontro com o governador e João Doria na segunda-feira, em evento promovido pela Lide, a empresa do prefeito, a guerra entre os dois recomeçou, agora nos céus do Brasil.

Craque no marketing político que faz das redes sociais seu principal campo de batalha, Doria percebeu logo a intenção de Alckmin para se contrapor ao prefeito, que só viaja em jatinho particular.

Pouco depois, num evento com executivos em São Paulo, o prefeito retrucou com uma bicada este gesto de humildade do governador, o padrinho que virou concorrente na corrida presidencial.

"Eu me tornei um empresário de sucesso trabalhando. Devolvo meu salário para o terceiro setor, o carro que está aí fora é meu, as viagens quem paga sou eu, o helicóptero que uso é meu, eu uso meu avião. Eu não preciso de dinheiro público para essas coisas".

Lembrou-me uma célebre frase de Tasso Jereissati, o presidente interino do PSDB, que apóia Alckmin, quando foi criticado tempos atrás por viajar em seu avião particular: "Viajo no meu jatinho porque posso".

Geraldo Alckmin resolveu radicalizar em sua nova campanha. Além de viajar em aviões de carreira, anunciou que fará de carro a travessia de Santarém, no Pará, até Cuiabá, no Mato Grosso, uma viagem de 1.775 quilômetros.

Pretende também fazer ainda este ano a rota "Matopiba", uma viagem pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, mas evita comparações com as caravanas do ex-presidente Lula, "que considera ultrapassadas, por incluírem discurso e claque", segundo informa a Coluna do Estadão.

Nem só de almoços, jantares e jatinhos para conquistar aliados é feita a campanha tucana. Alckmin quer por o pé na estrada e viajar em aviões de carreira para se diferenciar na disputa interna.

No PSDB, 2018 já chegou.

Sistema de Justiça pôs fogo no Brasil

Posted: 14 Sep 2017 02:18 PM PDT

Por que José Dirceu resiste?

Posted: 14 Sep 2017 01:33 PM PDT

Por Breno Altman, em seu blog:

Ele sabe que voltará à cadeia e que permanecerá preso até o derradeiro de seus dias, a não ser que o STJ ou o STF ponham fim ao caos jurídico instalado pela Operação Lava Jato. Ou que haja uma grande mudança política no país.

Também tem plena consciência que sua prisão perpétua, acompanhada pela de Lula, é o objetivo final da aliança entre setores da tecnocracia judicial, a mídia monopolista, os partidos de direita e o grande capital.

Quando esse processo draconiano se encerrar, por absolvição ou delação, por casuísmo, acordo ou cumprimento parcial de pena, provavelmente todos os demais réus e suspeitos estarão livres.

Talvez falte coragem para prender o ex-presidente. Mas José Dirceu é o troféu do qual as forças mais reacionárias não podem abrir mão.

Seu encarceramento indefinido, da forma mais brutal e indigna, tem o valor simbólico do encurralamento e destruição da esquerda brasileira, da geração resistente e do Partido dos Trabalhadores.

E exatamente porque tem plena consciência do que está em jogo, o ex-presidente nacional do PT resiste.

Não inventa mentiras e não trai.

Não capitula nem esmorece.

Não abandona a luta política, ocupando seu lugar do jeito que é possível, ainda que nas piores condições.

Como já ocorreu em outros momentos de sua geração, Dirceu sabe que seu sacrifício, por mais cruel e doloroso que seja, é uma obrigação ideológica e política para manter elevadas a moral e a esperança das fileiras que dirigiu por décadas.

Se vergasse ou quebrasse, rasgaria sua biografia e levaria milhares, muitos milhares de lutadores e lutadoras ao mais profundo desânimo.

Por isso resiste.

Por sua história pessoal, construída desde a luta revolucionária nos anos 60, e a memória de tantos companheiros seus tombados em combate.

Por compromisso em derrotar moralmente seus algozes e os do povo brasileiro, que são os mesmos.

Por dever histórico de jamais decepcionar ou frustar a combativa militância que dá vida à esquerda brasileira.

Por sua esperança de que melhores dias virão, e por isso vale a pena lutar.

Por convicção de que seu comportamento frente à escalada repressiva faz parte dos esforços para a realização dessa esperança.

Não importa o quanto elevem sua pena ou quantas vezes mais o condenem, em um espetáculo de perseguição e injustiça, Dirceu irá resistir.

Seus companheiros sabem disso.

O povo brasileiro sabe disso.

Mais que todos, seus inimigos sabem disso e por essa razão exibem tanta fúria, esse sentimento tão próximo ao desespero dos que serão, mais cedo ou mais tarde, condenados pela história.

Quem ‘governa’ a Internet? Já pensou nisso?

Posted: 14 Sep 2017 01:23 PM PDT

Por Renata Mielli, no site Mídia Ninja:

A verdade é que a gente usa a internet e não pensa muito nessas coisas.

Queremos que ela seja cada vez mais ágil, que tenha mais funcionalidades, mas não discutimos nem acompanhamos o debate sobre os seus rumos, sobre as decisões que as pessoas que pensam nisso 24 horas por dia tomam. E eu posso afirmar, uma grande parte das pessoas que pensam nisso e tem poder político e econômico para decidir os rumos da internet não toma as decisões pensando no interesse público.

Está em curso um movimento mundial e nacional para deixar essas decisões, quase que exclusivamente, na mão desses grupos.

E quem são eles? Empresas de Telecomunicações (Vivo, AT&T, Claro), empresas de tecnologia e gigantes da internet como Google, Facebook e Amazon, para citar três dos maiores. Além dos governos, que podem ser de todo tipo: democráticos, autoritários, golpistas… A sociedade que usa a internet e sofre com os impactos dessas decisões está sendo escanteada.

No Brasil, o órgão responsável para fazer a governança da internet foi criado em 1995 – isso mesmo, no governo FHC – e se chama Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.br.

E o modelo escolhido, depois aperfeiçoado em 2003 – no governo Lula – foi o que incorpora quatro segmentos interessados no assunto: o setor empresarial, o setor governamental, o setor acadêmico, e o terceiro setor. Esse modelo é chamado de multissetorial, porque inclui de forma equilibrada a presença do setor econômico, do Estado, as universidades e academias, e a sociedade civil que é usuária da internet.

Mas como o golpe em curso no Brasil vai sendo aprofundado à galope, o setor empresarial – que tem profundos interesses econômicos – com a ajuda do governo golpista, lesa pátria e venal, está tirando as manguinhas de fora e tentando alterar o modelo do CGI para que eles sejam maioria e tenham o controle sobre as decisões tomadas. Querem fazer do CGI.br uma Anatel da vida – um espaço capturado pelos interesses econômicos. Para saber mais, leia a nota de repúdio contra os ataques do governo Temer ao Comitê Gestor da Internet no Brasil.

As Teles e o setor privado tem sido contrariados nos últimos anos pelas decisões tomadas no CGI.br, que se pauta pelo interesse público justamente pela sua composição multissetorial, e por leis como o Marco Civil da Internet, que impôs limites aos modelos de negócios predatórios que afetam a neutralidade da rede e tantas outras coisas que fazem da internet – ainda – um espaço aberto, livre, que não discrimina conteúdos na camada de infraestrutura, que protege a liberdade de expressão e o direito dos usuários na rede.

Se ainda há metade da população brasileira desconectada por falta de acesso à infraestrutura de telecomunicações que as permita utilizar a internet, se nos outros 50% conectados a maior parte tem uma conexão precária, geralmente pelo celular, com valores abusivos e franquias de dados totalmente limitantes para um uso integral da internet, caso a ofensiva do governo e das empresas sobre o CGI.br vingue, é bem provável que em pouco tempo a internet no Brasil seja muito diferente do que é hoje, ainda mais excludente, segmentada e para poucos.

E, num mundo cada vez mais dependente da internet, os excluídos serão cidadãos de segunda, terceira categoria.

Porque a gente não fala disso?

Se a internet é tão fundamental para a sociedade, se ela media praticamente todas as relações econômicas, sociais, culturais, se ela se torna cada vez mais indispensável para a vida, então porque a gente não debate essas coisas?

Primeiro porque nós, os mortais, estamos acostumados a fazer uso das tecnologias e ferramentas e ponto final. Desde que funcionem o resto não é da nossa conta. Essa é uma postura cultural, mas que precisamos começar a mudar, porque no mundo digital, no mundo da Internet das Coisas e da Inteligência Artificial sua vida offline será cada vez mais afetada por essas decisões.

Segundo porque é difícil para *!#@[**! E como todo assunto que tem uma dimensão técnica – e esse tem demais –quem já está tomando as decisões faz questão de complicar para afastar as pessoas do debate. E isso funciona. Quem é que consegue discutir arquitetura da informação, TCP-IP, IPV6, ccTLD’s, gTLD’s, DNS, peer to peer, PTT, criptografia, neutralidade de rede, interoperalidade, deep web, clock chain, bitcoin? Isso tudo é um amontoado de siglas e termos que não fazem sentido para a esmagadora maioria das pessoas, afinal, são só tecnicismos.

Mas, não são. E as decisões sobre essas coisas não são técnicas, apenas, elas são sobretudo políticas. E é aí que o bicho pega.

Vamos tentar falar sobre essas coisas incríveis de uma maneira menos complexa e ir, aos poucos, entendendo como a decisão de um nome de domínio afeta a soberania de um país e o interesse público.

Porque é necessário manter o caráter aberto e descentralizado da rede mundial de computadores.

Porque é imprescindível discutir privacidade e proteção de dados num mundo em que não só as pessoas, mas as coisas (carros, geladeiras, aviões, casas, até privadas) estão e estarão cada vez mais interconectadas.

E porque é fundamental acompanhar e pressionar para impedir as tentativas de mudar o modelo multissetorial do CGI.br. Sobre isso, convido você a acessar a página da Coalizão Direitos na Rede que tem acompanhado e se posicionado sobre esse assunto, e também a participar do Fórum da Internet no Brasil, evento promovido pelo CGI.br que discute vários destes assuntos e é aberto a todos.

Lula desmonta mentiras de delatores

Posted: 14 Sep 2017 01:09 PM PDT

Do site Lula:

Em depoimento concedido nesta quarta-feira (13) ao juiz Sérgio Moro, na 12ª Vara Federal de Curitiba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu a todas as acusações que lhe foram feitas por réus que assinaram acordos de delação com a Justiça para obter vantagens penais, como o ex-deputado Antônio Palocci e o ex-senador Delcídio Amaral.

Já sobre o fundamento principal da acusação que o Ministério Público Federal lhe imputa neste processo, não houve sequer uma pergunta por parte de Moro ou dos procuradores. Segundo a denúncia, a empreiteira Odebrecht iria doar ao Instituto Lula um terreno, supostamente em troca de ter sido beneficiada pelo ex-presidente para fechar oito contratos com a Petrobras. Tal doação jamais ocorreu, conforme admitem os próprios acusadores. Nem Moro nem os procuradores procuraram provar ou mesmo esclarecer de qual forma Lula teria agido para influenciar a estatal a assinar os tais contratos.

Assim, coube a Lula apenas refutar as acusações sem provas que lhe são foram feitas pelos delatores, e apontar a aparente parcialidade na condução do processo por parte da 12ª Vara Federal de Curitiba.

Sobre as alegações feitas por Antônio Palocci, que se encontra preso há mais de um ano e negocia agora um acordo de delação que possa lhe tirar da cadeia, Lula disse: “ A única coisa que tem verdade ali é que ele está fazendo a delação porque ele quer os benefícios que podem vir dela. Eu vi o Palocci mentir aqui essa semana. Fiquei com pena. Ele está preso há mais de um ano, tem o direito de querer ser livre, tem o direito de querer ficar com um pouco do dinheiro que ele ganhou fazendo palestra, ele tem família. Mas o que ele não pode, se não quer assumir a responsabilidade pelos fatos ilícitos que fez, é jogar (a responsabilidade) em cima dos outros”.

A acusação de que a Odebrecht tinha o intuito de doar um terreno para o Instituto Lula foi sustentada por Palocci, em consonância à acusação feita pelos procuradores da Operação Lava Jato, que agora negociam com o ex-ministro seu acordo de delação premiada.

O juiz Sérgio Moro se ateve longamente às afirmações de Palocci, enquanto preferiu ignorar provas e testemunhos que apontam as fragilidades da acusação.

Em 12 de junho deste ano, por exemplo, Emílio Odebrecht, presidente do Conselho Administrativo do grupo que leva seu nome, afirmou ao próprio juiz Sérgio Moro, com todas as letras, que nunca teve intenção de doar terreno nenhum ao Instituto Lula.

Na ocasião, o empresário afirmou também não ter conhecimento sobre qualquer relação entre a compra do terreno referido na ação penal e a concretização de oito contratos específicos que a Odebrecht firmou com a Petrobras. Moro, porém, preferiu ignorar este depoimento, e focar sua atenção em Palocci.

Assim, Lula observou nesta quarta-feira que teme que o juiz de primeira instância do Paraná possa estar sendo parcial na condução dos processos contra ele. O ex-presidente deu como exemplo o fato de que Moro chega a levar mais em consideração o que é publicado em veículos de imprensa do que dados oficiais dos processos. “Na condenação sobre o caso do apartamento tríplex, o senhor cita o jornal O Globo 15 vezes e cita apenas cinco vezes falas das testemunhas (foram mais de 70 pessoas ouvidas nos autos). O senhor precisa começar a ler também outros jornais”, recomendou Lula. “Certo”, respondeu Moro.

Imóvel alugado em São Bernardo

Outra parte da acusação no presente processo afirma que um apartamento que Lula e sua família alugam desde o início da década de 2000 seria, na realidade, uma propriedade oculta do ex-presidente, dada ele de presente pela empreiteira Odebrecht, novamente em troca de supostos benefícios em oito contratos firmados com a Petrobras.

O atual proprietário do imóvel, Glauco da Costa Marques, já afirmou em juízo e apresentou documentos que mostram ser ele o dono do bem. Sérgio Moro, então, quis saber se Lula pagava o aluguel regularmente. Lula esclareceu que todos os pagamentos constam em sua declaração de imposto de renda e também nas declarações do proprietário. O ex-presidente afirmou ainda que tais pagamentos ficavam a cargo da ex-primeira-dama Marisa Letícia, já que o imóvel fica no mesmo andar da residência da família, e servia como base para os seguranças do então presidente. Responsável que era pelas questões de economia doméstica do casal, dona Marisa ficava a cargo desses pagamentos.

Sérgio Moro, porém, tentou nesta quarta-feira inverter o ônus da prova - obrigação de quem acusa -, insistindo para que Lula apresentasse recibos de pagamentos desses aluguéis, “como um conselho para esclarecer as acusações”. Neste momento, o advogado Cristiano Zanin teve que intervir, recordando ao juiz de primeira instância os fundamentos do Direito. “Agradeço seus conselhos, doutor, mas seguiremos o mando constitucional e deixamos para quem acusa a obrigação de provar sua acusação. São os procuradores que precisam apresentar provas sobre o que afirmam”, disse o defensor.

A banalização da “organização criminosa”

Posted: 14 Sep 2017 01:05 PM PDT

Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:

Me perdoem. Eu, pessoalmente, acho que o Temer e seus acólitos formam, de fato, uma organização criminosa. Mas é minha opinião como jornalista e blogueiro de esquerda, e não pelas mesmas razões do MPF.

Entretanto, eu acho que essa nova acusação do MPF é mais uma pilantragem.

Agora tudo é “organização criminosa”.

O MPF transformou as leis sancionadas pela Dilma, como a lei de organização criminosa, além da delação premiada, em ferramentas de chantagem contra a classe política.

O MPF se converteu numa instituição voltada exclusivamente à promover a instabilidade política no país.



Essa chantagem tem como objetivo manter os políticos sob pressão terrível, que eles procuram aliviar fazendo o jogo do mercado e da Globo.

Sentindo-se atacados pelo MPF, os políticos procuram proteção do chefe da máfia, a Globo, através das reformas que a mídia defende em seus editoriais.

Quem age como “organização criminosa” é o PGR e o MPF.

Uma “organização criminosa” que destruiu a indústria nacional, pôs o grupo de Temer no poder e vem ajudando o golpe a se consolidar através da perseguição sistemática a Lula e ao PT.

*****

No Buzzfeed

PF conclui que Temer e PMDB da Câmara formam organização criminosa

Relatório foi enviado ao Supremo e diz que grupo criminoso é integrado também pelos ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, pelos ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves, além de Eduardo Cunha.


Por Filipe Coutinho
Repórter do BuzzFeed News, Brasil
publicado 11 de Setembro de 2017, 6:43 p.m.

A Polícia Federal (PF) entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório em que concluiu que o presidente Michel Temer e os principais expoentes do chamado PMDB da Câmara formam uma organização criminosa.

O relatório aponta os dois ministros mais próximos de Temer, Moreira Franco (Secretaria Geral da Presidência) e Eliseu Padilha (Casa Civil) como integrantes do núcleo da organização.

Segundo a investigação, a organização ainda é integrada pelos ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves e pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha. Os três estão presos pela Lava Jato.

Segundo a polícia, a cúpula do PMDB mantinha estrutura organizacional com objetivo de obter, direta e indiretamente, propina em órgão do governo.

A organização, ainda de acordo com o relatório, é suspeita de ter cometido os crimes de corrupção ativa, passiva, lavagem de dinheiro, fraude em licitação e ainda evasão de divisas.

O relatório final da Polícia Federal integra o inquérito 4327, que corre no Supremo, e o inquérito que trata das denúncias sobre o grupo JBS, do empresário Joesley Batista, preso ontem.

O inquérito 4327 investiga lideranças do PMDB como Eduardo Cunha e Henrique Alves, além do operador Lucio Funaro.

A fratura exposta na Lava-Jato

Posted: 14 Sep 2017 01:01 PM PDT

Por Juliano Medeiros, na revista Fórum:

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot (foto), esteve na semana passada no centro da maior crise enfrentada pela Operação Lava Jato até aqui. Alcançando os escalões mais altos da República – a começar pelo presidente ilegítimo – a Lava Jato parecia, semanas atrás, finalmente girar sua artilharia para a banda mais podre da política brasileira: PMDB e PSDB. As gravações de Joesley Batista pareciam dar por terminado o governo Temer. O afastamento de Aécio Neves do mandato de senador era uma lufada de esperança de que os partidos e lideranças mais profundamente ligadas à banda podre do capitalismo brasileiro finalmente acertariam as contas pelas décadas de relações espúrias com o setor privado. 

A corrupção identificada nos governos do PT – especialmente na Petrobras – fruto da opção pela “governabilidade” ao lado desses partidos corruptos pareceria, enfim, brincadeira de criança diante da sujeira produzida pelas grandes quadrilhas da política brasileira. A denúncia contra Temer, embora enterrada pelos partidos que apoiaram o golpe, representava um rombo no casco governista que, na pior das hipóteses, impediria Temer de fazer avançar medidas como a Reforma da Previdência. Com avanços e retrocessos, as investigações finalmente alcançavam o núcleo do golpe de 2016. Tudo isso até aparecerem novas gravações de Joesley Batista e Ricardo Saud.

Os áudios atestam que a corrupção e o tráfico de vantagens podem ter alcançado, nada menos, que o principal assistente do procurador-geral da República e um ministro do Supremo Tribunal Federal. Diante dos riscos de que a revelação contaminasse todo o trabalho do Ministério Público, Rodrigo Janot convocou às pressas uma coletiva de impressa onde tentou explicar que os áudios traziam denúncias gravíssimas contra membros da Procuradoria-Geral e STF, podendo, inclusive, contribuir para anular o acordo de colaboração firmado entre o MP e os donos da J&F. O governo Temer, exultante, comemorou o revés da Lava Jato. De sua parte, Janot adiantava-se às revelações que, claramente, questionariam parte do trabalho desenvolvido por ele a partir das informações prestadas pelos irmãos Batista. Em sua mais profunda crise, a Lava Jato se vê na iminência de perder a credibilidade conquistada junto à maioria da sociedade graças às suas ações espetaculosas e à prisão de nomes de peso, como Eduardo Cunha, Sérgio Cabral e Antônio Palocci. Uma verdadeira fratura exposta, que inclui ainda questionamentos a Sergio Moro e suas relações com um advogado acusado de realizar negociações entre a Odebrecht e a força-tarefa da Lava Jato em seu nome.

O que deveria fazer um procurador-geral que, cioso de seus deveres, quisesse preservar o trabalho do Ministério Público – gostemos ou não de seus resultados – diante de uma inegável crise de credibilidade como a que atingiu a Lava Jato na última semana? Ao ser flagrado num bar de Brasília em encontro secreto com o advogado de Joesley Batista, o chefe máximo do Ministério Público abala ainda mais o prestígio atribuído à Lava Jato. Não tenho admiração especial pela atual configuração do Ministério Público – em geral marcada pelo mesmo viés punitivista que caracteriza todo o Poder Judiciário no Brasil – mas admito que a PGR cumpria papel positivo ao não se esquivar do dever de acusar o presidente ilegítimo pelos crimes fartamente comprovados no depoimento dos irmãos Batista, ao contrário do que fizeram outros Procuradores em tempos não muito distantes.

Mas até aqueles que, como eu, não nutrem qualquer admiração pela Operação Lava Jato ou pelo trabalho do Ministério Público – especialmente em sua seção curitibana – ficaram chocados com a falta de cuidado de Rodrigo Janot, apenas uma semana antes do fim do seu mandato. Pode ser que ele estivesse, tão somente, negociando a entrega dos irmãos Batista. Mas sua trapalhada, ao encontrar-se de forma informal com o advogado de um réu cuja prisão preventiva o próprio MP havia requisitado horas antes, mostra que não há instituições intocáveis. Que Joesley é um homem poderoso, ninguém duvida. Afinal, não é qualquer um que discute a compra do silêncio de Eduardo Cunha no porão do Palácio do Planalto com o presidente da República em meio ao furacão da Lava Jato. Isso sem considerar que ele pode ter comprometido, em suas gravações, ex-ministros, deputados, senadores e até o indefectível Gilmar Mendes. Mas daí a considerar aceitável que Janot pudesse ir ao encontro do advogado de Joesley para uma reunião privada num sábado, fora da agenda oficial, num boteco qualquer… são outros quinhentos.

Não acredito que esse erro deva servir para questionar todo o trabalho do Ministério Público e de Rodrigo Janot, como tentam fazer Temer e seus aliados. Mas ele deve servir de alerta: a saída para a crise que vivemos está na política, e não em instituições consideradas “infalíveis” pela sanha punitivista que demonstram. Os poderosos continuam detendo muita força– não os políticos corruptos, esses aos quais a mídia monopolista tenta atribuir muita força, mas que não passam de sócios minoritários do poder econômico. Os funcionários públicos corruptos, os políticos corruptos, os promotores corruptos e até os juízes corruptos só existem porque existem corruptores. E esses são sempre os mesmos: os megaempresários que continuam fazendo do Estado um balcão de negócios sujos. É possível ter um sistema capitalista eficiente, transparente e justo? Seria tolice equivalente a acreditar que a Lava Jato poderia pôr fim à corrupção no Brasil prendendo uma centena de doleiros, executivos ou políticos. O problema, como nos lembra Michael Moore, é o próprio capitalismo.

* Juliano Medeiros é presidente da Fundação Lauro Campos e membro da Executiva Nacional do PSOL.


--
​"
Aqui no Brasil existe uma extrema direita radical, mal informada e burra, que acha que, para ir contra o governo, precisa torcer contra o país."
​ Mauro Santayana

Franklin José Oliveira Alves - Fortaleza - Ceará - Brasil
Email          franklinol...@gmail.com

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