Grandes empresas e algumas das mais renomadas escolas de negócios elegem um novo fenômeno de eficiência: os entregadores de refeições da Índia.
Fonte: Revista Exame 21/08/2008, por Luciene Antunes.
Em Bombaim, um daqueles formigueiros humanos da Índia, um grupo de 5.000 homens partiu do desejo de um escriturário britânico de comer no trabalho as refeições preparadas em casa por sua mulher e da necessidade de milhões de trabalhadores que viviam se acotovelando nos bares e restaurantes a cada intervalo para o almoço e criaram um serviço de entrega sem igual no mundo. Daí surgia os Dabbawalas.
Os Dabbawalas recolhem cerca de 200.000 refeições por dia da casa de seus clientes, e o destino são milhares de escritórios localizados do outro lado da cidade. As marmitas, que são identificadas por um código composto de cores e letras, simples o suficiente para ser compreendido por uma maioria semi-analfabeta de entregadores, trocam de mãos até quatro vezes durante o percurso onde os recursos utilizados são bicicletas, carros de mão e transporte público. Apesar dessa precariedade e da confusão de transito, há um preciso limite de tempo para que o trabalho seja finalizado: o horário do almoço dos trabalhadores, e os marmiteiros encaram com seriedade essa missão mostrando que o capital e a tecnologia são importantes, mas sem ela também é possível alcançar o sucesso, e a prova disso é que o serviço tem índice de erro próximo de zero, ocorrendo um a cada 16 milhões de entregas.
Por causa da impressionante taxa de eficiência, o trabalho dos marmiteiros passou a ser estudado por grandes empresas e escolas de negócios do ocidente. O reconhecimento da competência faz hoje com que dividam seu tempo entre entregas de marmitas e palestras sobre motivação.
O sistema de entrega tem baixo custo, muito menor do que uma refeição em restaurantes que pode chegar até 15 vezes maior que o preço de entrega, que a depender da distância varia de 4 a 8 dólares por mês. A remuneração de um Dabbawala gira em torno de 120 dólares por mês, considerando razoável no país para pessoas com baixa escolaridade, além de serem bonificados quando a cooperativa conquista novos clientes.
- A reportagem está ligada a Teoria da Administração Científica em diversos aspectos, como na parte operacional onde os Dabbawalas são peritos na separação e na distribuição das marmitas, trabalhando como elos de uma corrente passando as latas entre si, em diversos estágios alcançando assim maior produtividade e eficiência no trabalho, além do baixo custo do serviço prestado e na Teoria Clássica relacionado a estrutura, os entregadores, os coordenadores e o pessoal do apoio administrativo.
- Os Dabbawalas com muita criatividade, souberam aproveitar a oportunidade de acordo com a necessidade do mercado, se destacando há mais de 100 anos com sua eficiência, organização e simplicidade.