Portugal é um país com história filatélica já reconhecida e com aficcionados
filatelistas de renome internacional. O valor das nossas colecçoes nao se
mostra pelo n.o de papelinhos juntos num mesmo classificador, mas sim pela
sua conjuntura, agrupando os vários elementos coleccionáveis, por
determinada importância que se lhe atribua, conseguindo deste modo uma
verdadeira e apreciável história dos correios e da filatelia.
Mas a evoluçao nao tem acompanhado a perfeiçao. As entidades que organizam
e trabalham as emissoes estao a desleixar-se em pequenos pormenores, tal
como as entidades que nos fornecem catálogos com falta de erratas adequadas.
Estamos a caminhar de tal forma que mais cedo ou mais tarde vamos atingir
uma verdadeira conduta de "sócios" dos CTT, em que as cotas sao pagas pelos
filatelistas.
A especulaçao está a tornar-se real, e nem sequer se pode dizer que o que
tem qualidade custa dinheiro; É que a nossa filatelia tem vindo a
degredar-se de dia para dia. Os temas sao de bom agrado, as imagens bem
elaboradas, selos vistosos e alguns mesmo deslumbrantes. Mas no geral, as
colecçoes pecam no seu conjunto:
1.o Exemplo:
Até 1998 inclusive, as pagelas tinham um número de série sequencial, e na
frente, tinham um espaço para o FDC e para os selos individuais da
respectiva colecçao. É claro que ninguém é obrigado a fazer uma colecçao
simplista de se acomodar a colocar os FDCs e os selos com os respectivos
fixadores nas suas pagelas, mas é um facto que se salienta na apresentaçao
com que as mesmas nos presenteavam. Em 1999, desapareceu o número de série a
que vínhamos habituados, para aparecer uma nova sequencia de numeraçao, em
que aparece o n.o 1 de 99, o n.o 2 de 99 e por aí a diante. Neste mesmo ano
começou a falta de espaço para o FDC, pois os textos (em portugues) que
habitualmente eram colocados nas costas da folha, passaram agora a ocupar a
frente da pagela. Desta forma, os CTT conseguiram que as pagelas com mais
histórias para contar, nao se tornassem num desdobrável de 2 folhas,
poupando assim mais dinheiro. Uma forma infeliz penso eu de contornar o
problema, até porque o dinheiro que se paga pelas pagelas já é um abuso por
si só.
Em 2000 deixa de haver n.o de ordem das pagelas. Claro que foi certamente um
bug dos computadores da casa de imprensa onde as pagelas sao feitas; ou
entao despediram a pessoa que tinha a pasta de numeradora de pagelas, e
assim pouparam mais uns fundos com um ordenado a menos a pagar. Mas, como
que para remediar a situaçao, voltaram a distribuir nas estaçoes de correios
aqueles planos de emissoes, que nos faltaram nos últimos anos, e que tanta
falta nos faz. Claro que os coleccionadores de calendários também devem ter
dado por falta deles. É certo que o plano de emissoes tem estado disponível
na Internet, mas isso ainda nao é um bem de consumo de todos os portugueses.
2.o Exemplo (Mais ao pormenor):
Analisemos a série dos "500 anos dos descobrimentos do Brasil" datada de 11
de Abril de 2000: O bloco é bonito e dá a percepçao da imagem conjunta
formada pelos 4 selos da série. Mas será que ninguém apreciou o seu tamanho?
Parece que nao cabe nas carteiras regulares, que também dao para guardar os
postais ou os FDCs. E isso é só por meros 8 mm a mais na altura. Claro que
ninguém é obrigado a usar as carteiras dos postais para guardar os blocos.
E se o conjunto dos 4 selos se enquadra tao bem, porque é que o espaço
reservado para os mesmos na pagela nao está em forma de quadrado, mas sim
uns ao lado dos outros?
O preço nos selos da série (em dourado) encontra-se ligeiramente mais
deslocado se for comparado com os mesmos selos do bloco. Eu detectei isso a
olho nú, o que dá uma ideia também da qualidade de impressao usada da qual
nao se pode dizer maravilhas.
Analisemos agora a ediçao "Aves de Portugal" datada de 2 de Março de 2000:
A frente da pagela está bem organizada com 5 textos relativos a 5 aves. A
minha intriga está em saber porque é que, se eu arrumar os selos pela ordem
normal de valor facial nos espaços reservados para o efeito, o selo do
"Ganso Patola" fica em frente do texto do "Mergulhao-de-Crista" e
vice-versa. Custava muito terem trocado os textos?
Nos últimos anos tivemos algumas pagelas erradas, e em que a pagela seguinte
trazia a errata para a pagela anterior. Isto anula todo o significado da
pagela que serve de errata. Porque é que nao fizeram uns cartoes de visita
com a errata , que cada qual poderia guardar junta da pagela a corrigir?
Nao! Foi mais barato noutra pagela de outra série interromper o conteúdo
emblemático para falar da série anterior.
Chega de exemplos para os CTT e passemos aos livros dos selos postais que
nos servem de manual orientativo dos valores emitidos e os seus custos
aproximados na actualidade. Estes manuais chegam a ir na 16.a Ediçao e
continuam com erros da mesma natureza. Vejamos a 16.a ediçao do catálogo
filatélico do ano de 2000 da Afinsa para selos Portugueses e de Macau:
Na Página 501, na série "Números de Sorte", onde se le "Série, 4 valores ...
635$" devia-se ler "Série, 4 valores ... 645$".
Na Página 509 o selo 936 está mal representado na figura. Nas imagens do
catálogo, os selos n.o 936 e 937 sao identicas o que é falso.
Eu comprei o catálogo e, como sou um apaixonado dos selos de Macau, comecei
exactamente por aí na minha apreciaçao do catálogo. Estas 2 falhas dei por
elas em menos de 12 horas após ter comprado o catálogo. Quantas mais este
livro terá?
Só a título de curiosidade, a ediçao de 1994 do mesmo catálogo tinha 4 erros
merecedores de errata, os quais eu comuniquei para a Afinsa, e que embora
apareçam corrigidos nas posteriores ediçoes, nao se deram ao trabalho de
distribuir uma errata ou qualquer outra notificaçao do facto.
Possuo os 3 livros da ediçao da Stanley Gibbons de 1997, "Stamps Of The
World", a preto e branco. Embora com alguma dificuldade de compreensao para
tentar identificar alguns selos de alguns países, tudo passa pelo hábito de
consulta. No entanto, uma ediçao com tanta informaçao que mais parece uma
bíblia em 3 partes, está muito mais bem organizada do que as pequenas
amostras de catálogos que estamos habituados a comprar das ediçoes
portuguesas.
Só mais uma nota aos organizadores de exposiçoes: Os meios disponíveis para
divulgaçao de certames filatélicos tem-se demonstrado insuficientes. Muita
gente do ramo tem perdido alguma iniciativas bem junto das suas terras por
falta de conhecimento.
Aproveito para pedir a quem queira, o favor de comentar esta minha
intervençao, nos termos que vos pareçam mais convenientes.
Muito obrigado.
Eduardo Jorge Moreira da Veiga
Raio...@netc.pt
Idade: 26 anos
Filatelista desde os 9 anos de idade.