POR ALINE SALGADO
Rio - Após seis meses do início das correções administrativas feitas pelo INSS a segurados prejudicados pelas Reformas da Previdência de 1998 e 2003, o instituto surpreendeu. Acaba de reconhecer o direito à revisão direta — sem necessidade de entrar na Justiça — de segurado do Rio que se aposentou pela proporcional e estava fora da lista dos 127 mil contemplados inicialmente. O reconhecimento abre precedentes para a inclusão de, pelo menos, mais 600 mil segurados em todo o País.
Com 34 anos de contribuição,
José Arnaldo Lopes, 71, se surpreendeu ao receber a carta do INSS: o reajuste
mensal ficou muito aquém do esperado, é verdade: apenas R$0,05 e os atrasados
somaram R$ 92,41. Devido aos valores rebaixados, ele voltará à Justiça, agora
para aumentar o valor a receber,
Segundo os cálculos da assessoria
jurídica da Federação das Associações dos Aposentados e Pensionistas do Rio
(Faaperj), o aposentado teria direito a R$ 673 de correção e R$ 42 mil em
atrasados. “Mesmo se eu ganhar, ainda vou continuar com menos 30% do que
contribuía na ativa. É muito injusta a Previdência ”, critica José
Lopes.
DIFERENÇAS DE ATÉ
150%
As diferenças entre o proposto pelo governo e o valor que os segurados esperam receber podem chegar a 150%. Conforme a assessoria da Faaperj, desde o início dos pagamentos, os valores finais apresentados são extremamente menores do que o de direito.
“Quando refeitos, tendo como base a tabela da Justiça do Rio Grande do Sul, as contas não batem. As diferenças são absurdas. Para agravar a situação dos aposentados e pensionistas, o INSS não apresenta sua fórmula de cálculo, o que dificulta contestações. Iremos à Justiça Federal com pedido de revisão desses ganhos”, explica o advogado João Gilberto Pontes.
Segundo o especialista, só na Faaperj chegaram dez casos de aposentadorias integrais e uma proporcional com pagamentos de reajuste e atrasados abaixo do real.
Lista com novos nomes
não tem data
Com a pressão de entidades
representativas dos aposentados para que correções fossem feitas na lista de
contemplados pela revisão administrativa do teto, o INSS se comprometeu a
revisar nome por nome e incluir, pelo menos, mais 11.600 segurados na listagem
inicial.
De acordo com o Sindicato dos Aposentados e Pensionistas da
Força Sindical, os segurados que desconfiarem da correção devem procurar a
assessoria jurídica da entidade ou federações de classe para refazer os
cálculos. Há dois meses a Coluna pede ao INSS informações sobre as análises, mas
até o fechamento desta edição o instituto não se pronunciou.
ENTENDA O CASO
Com as Reformas da Previdência, por meio das Emendas 20 de 1998 e 41, 2003, o INSS alterou o valor do teto previdenciário
Em junho desse ano, o INSS propôs acordo de pagamento de revisões e dos atrasados. Foram contemplados 127 mil segurados
A mudança prejudicou os trabalhadores que à época contribuíam acima de R$1.081,50, em 1998, e R$1.869,34, em 2004
No entanto, apenas os aposentados pela integral, do período de 5 de abril de 1991 a 1º de janeiro de 2004, foram incluídos na lista
No dia 15 de fevereiro desse ano, o Supremo Tribunal Federal publicou acórdão reconhecendo a injustiça contra os segurados
Aposentados de 5 de outubro de 1988 a 5 de abril de 1991, conhecido como período do ‘buraco negro’, ficaram de fora do acordo
Os ministros entenderam que segurados, de todo o País, teriam o direito à revisão e ao pagamento de atrasados dos últimos cinco anos
Por meio do site www.previdenciasocial.gov.br ou pela Central 135 é possível saber quem está na lista de pagamento administrativo.