Vivemos um momento de profunda inquietação. Testemunhamos uma democracia fraturada e a erosão silenciosa de nossas instituições — fenômeno que a filosofia define como “autoritarismo líquido”. Nesse cenário, o poder muitas vezes tenta expandir-se sem limites. A voz do defensor passa a ser tratada como um estorvo. As liberdades individuais, como meros obstáculos burocráticos. As recorrentes violações de nossas prerrogativas — que somaram mais de 5.000 registros apenas em 2023 — não são meros incidentes corporativos. |
São sintomas de uma civilização que começa a adoecer quando tenta silenciar aqueles que ousam dizer “não” ao arbítrio. É preciso lembrar que a Defesa é uma instituição que nasceu antes do próprio Estado. Ela reside no instinto primordial de proteção e na matriz moral do Éden, onde o próprio Criador instituiu a escuta antes do veredito, ao perguntar: Se o detentor de todo o poder ouve antes de julgar, nenhuma autoridade terrena pode se considerar acima desse dever. Nossas prerrogativas são a armadura invisível do cidadão, vestida pelo advogado. Quando um escritório é invadido ou um defensor é silenciado em audiência, não é apenas um profissional que é ferido. É o “Santuário da Defesa” que é profanado. E, quando isso acontece, todo indivíduo se torna mais vulnerável diante do Leviatã estatal. |