Re: Lendo este texto, se evitam náuseas [pintar as máquinas de verde]

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ROGOWSKI, J.F - jurista

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Feb 6, 2026, 10:00:35 PMFeb 6
to Franklin Cunha, Grupo Advocacia e Justiça, Je Degrazia, Deonisiosilva, Luiz Antonio de Assis Brasil, Dgfeil, Daiello, Dione Kuhn, Paulo Da Cunha, Gilberto Schwartsmann, Adeli Sell, Luiz Octavio Vieira, Humberto Trezzi, Elviofunck, Walpicci, Jane Tutikian, Joaocafruni, Wmanfroi, Lucas Aroldi, Jaime Cimenti, Marta Sfredo, Jacques Alfonsin, Manoel Brum, Zilabster, Fernando Albrecht, José Brasil Teixeira Filho, Tito Guarniere, Telmo Kiguel, Tbrunetto, Tarsopd, Titoguarniere, Ruy, Rosane Oliveira, Rodrigo Lopes, Olívio Dutra, Flavio Tavares de Lyra
Defesa do Meio Ambiente

Meu caro amigo, Dr. Franklin,

Escrevo-lhe não como quem pretende ensinar, mas como quem pensa em voz alta diante de alguém que sabe ouvir. Amigo que sempre defendeu o meio ambiente com seriedade intelectual, há de compreender a inquietação que me move diante do modo como o tema vem sendo tratado — não raro com mais marketing do que reflexão, mais moralismo do que ciência, mais retórica do que responsabilidade efetiva.

O artigo que partilhastes é bastante ideológico — e tenho a impressão de que muitos já se mostram cansados desse tom, talvez porque as ideologias, por si sós, pouco tenham feito para resolver os problemas concretos do mundo.

Ainda assim, o texto toca num ponto que ultrapassa qualquer alinhamento político. A questão central, ao menos como a vejo, não é ideológica, mas a hipocrisia dos países ricos e a primazia dos seus interesses económicos.

Nesse aspecto, todos eles, sem exceção, falam a mesma língua: a dos interesses, não a dos compromissos. Por isso, concordo com o autor quando afirma que “pintar as máquinas de verde” não resolve o problema.

Muito se fala hoje em “transição verde”, “economia sustentável”, “industrialização limpa”. Os termos são belos, quase poéticos. O problema começa quando se percebe que, em muitos casos, não passam da velha lógica industrial recoberta por nova tinta. Muda-se a embalagem, preserva-se o modelo. A exploração continua, agora com selo ecológico.

Veja-se, por exemplo, o caso das políticas ambientais da União Europeia. Em nome da salvação do planeta, impõem-se aos cidadãos europeus — e pressionam-se países periféricos — medidas como a adoção em massa do automóvel elétrico.

A pergunta incômoda, mas inevitável, é simples: de onde virá a energia necessária para alimentar essa frota elétrica global? A própria Europa enfrenta escassez energética, dependência externa e instabilidade no fornecimento. Exporta-se, assim, uma solução que nem sequer se encontra plenamente resolvida no plano interno.

Tal contradição torna-se ainda mais evidente quando se observa o continente africano. Em muitos países, a falta crônica de energia elétrica e os apagões recorrentes não são meros inconvenientes técnicos, mas entraves estruturais ao desenvolvimento.

Fábricas não operam de forma regular, hospitais funcionam precariamente, escolas encerram as suas atividades ao cair da noite. Ainda assim, essas mesmas nações são frequentemente instadas a adotar padrões energéticos “verdes” que nem mesmo os países ricos conseguem sustentar de modo consistente.

Em nome da virtude ambiental, nega-se-lhes aquilo que sempre foi condição básica do progresso: energia fiável e acessível. Confesso que isso me parece uma forma sutil — e moderna — de colonialismo energético.

Mais grave ainda é o silêncio em torno do ciclo completo dessas tecnologias. O automóvel elétrico é apresentado como uma ruptura civilizatória, quando não o é. Ferdinand Porsche, ainda no século XIX, já concebera veículos elétricos com autonomia próxima de trezentos quilómetros.

Hoje, mais de um século depois, essa mesma autonomia surge como “grande inovação”. O público, muitas vezes conduzido por uma comunicação pouco crítica, adquire esses veículos acreditando que está a salvar o planeta. Poucos querem enxergar — ou preferem não enxergar — o passivo ambiental das baterias: mineração agressiva, descarte tóxico, sucata química que, mais cedo ou mais tarde, envenenará solos e águas.

A hipocrisia não se esgota aí, como bem sabes. Muitos países ditos de “primeiro mundo” apontam o dedo ao Brasil, acusando-o de negligência ambiental, enquanto ignoram deliberadamente um fato objetivo: o Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta. Hidrelétricas, biomassa, etanol, eólica, solar — construiu-se, com todas as dificuldades, um sistema relativamente equilibrado.

Ainda assim, quando se trata de apoio financeiro concreto para a preservação ambiental, esses mesmos críticos se esquivam. Cobram como credores morais, mas não contribuem como parceiros.

É impossível não notar, também, a contradição entre discurso e orçamento. Países que se apresentam como líderes ambientais investem somas obscenas em armamentos, tecnologias de destruição e guerras de alta intensidade. Ao mesmo tempo, destinam recursos modestos — quando os destinam — à investigação profunda de novas fontes de energia verdadeiramente limpas, eficientes e acessíveis. Às vezes tenho a impressão de que destruir continua a ser mais estratégico do que preservar.

O Brasil, por sua vez, carrega uma história raramente lembrada nesses debates. Foi pioneiro, ainda na década de 1980, na tecnologia do carro a álcool — um biocombustível renovável, de baixa emissão líquida e produção local.

Muito antes disso, durante a Segunda Guerra Mundial, já se conhecia o uso do gasogênio veicular, produzido a partir da combustão controlada da madeira. Não é a solução perfeita — nenhuma o é —, mas mostra-se significativamente menos poluente do que o petróleo e capaz de aproveitar resíduos florestais.

Como defendi em Gasogênio: Geração de Biocombustível Renovável, o Brasil possui áreas degradadas equivalentes a dez vezes a superfície do Estado do Rio de Janeiro e a cerca de duas vezes o território da França.

A recuperação ecológica dessas áreas, com florestas plantadas e manejadas de forma sustentável para fins energéticos, poderia tornar o país autossuficiente em combustíveis carburantes e ainda um grande exportador. Não se trata de fantasia ideológica, mas de possibilidade técnica ignorada por não se ajustar aos interesses do mercado global dominante.

Some-se a isso o avanço brasileiro na investigação do hidrogênio. O veículo elétrico a hidrogênio — baseado em células de combustível — converte energia química em eletricidade, produzindo como subprodutos apenas eletricidade, calor e água.

É uma alternativa promissora, sem dúvida, mas que exige investimento pesado em investigação, infraestrutura e, sobretudo, tempo — precisamente o que falta quando a pressa política prefere soluções de vitrine.

Tudo isso me conduz — e imagino que te conduza também — a uma constatação incômoda: não existe energia “limpa” em sentido absoluto. Toda fonte energética terrestre produz algum impacto ambiental.

Até mesmo veículos movidos a álcool ou hidrogênio liberam vapor de água na atmosfera. Hoje isso parece irrelevante. Mas, em escala planetária e no longo prazo, quem poderá afirmar, com absoluta certeza, que não haverá efeitos climáticos cumulativos?

Não seria a primeira vez que a humanidade subestima as consequências da própria engenhosidade. Às vezes pergunto-me — mais como metáfora do que como previsão — se não corremos o risco de provocar, por excesso de confiança técnica, um novo “dilúvio”, não bíblico, mas ambiental.

Por isso, meu amigo, creio que a questão central não é escolher entre direita ou esquerda, entre mercado ou Estado, entre crescimento ou preservação. Essas dicotomias já não dão conta da complexidade do mundo que ajudámos a criar.

A questão é mais funda, quase silenciosa: abandonar a hipocrisia confortável, reconhecer os limites da técnica, investir seriamente em ciência e aceitar — com humildade rara — que não existem atalhos morais para problemas físicos. A natureza não negocia com slogans, não se comove com certificados, nem se ilude com vitrines verdes.

O planeta não se salva com discursos bem-intencionados, nem com carros caros, nem com a estética da virtude. Salva-se com lucidez, cooperação real e um respeito que nasce do reconhecimento dos limites humanos. Como lembrou Mahatma Gandhi, com a clareza dos que enxergam além do ruído do seu tempo: “A Terra fornece o suficiente para satisfazer as necessidades de cada homem, mas não a sua ganância.

Talvez o drama contemporâneo não seja a falta de soluções, mas o excesso de soberba. Avançamos como quem corre sobre gelo fino — como diria Bauman —, confiantes demais na própria engenharia, surdos aos estalos que vêm de baixo.

E se, por vezes, evoco a imagem de um novo dilúvio, não o faço como profecia, mas como metáfora: a água que pode submergir-nos virá das consequências acumuladas de escolhas feitas sem prudência.

Escrevo-lhe esta carta porque sei que compreendes: defender o meio ambiente não é repetir o catecismo da época, mas ousar pensar contra a corrente, inclusive quando a corrente se anuncia virtuosa. Em tempos de consensos fáceis, talvez o gesto mais ecológico que ainda nos reste seja esse — pensar com rigor, discordar com honestidade e lembrar que cuidar da Terra começa por conter a nós próprios.

Com estima e inquietação,
Um amigo que ainda acredita que pensar é uma forma de cuidar.

--


Em qua., 4 de fev. de 2026 às 07:43, Franklin Cunha <franklin...@gmail.com> escreveu:

La derecha habla el idioma de la unidad global -competitividad planetaria, fuga, movilidad del capital- y la izquierda se atrinchera en la defensa del Estado-nación como si la frontera pudiera contener al algoritmo y como si el fisco pudiera perseguir con papeles a un poder que se volvió nube. No se trata de renunciar al Estado: sin Estado, no; con este Estado, tampoco

Por eso hay algo insidioso en la moda de la “industrialización verde” cuando el adjetivo pretende resolver la estructura. Pintar de verde el engranaje no cambia la lógica de apropiación. La pregunta no es si producimos baterías o paneles: la pregunta es quién controla la renta, quién controla la tecnología, quién controla la cadena de valor, quién captura el excedente y dónde se fuga. La historia regional conoce de memoria esa escena: acumulación nacional y desacumulación en paraísos fiscales. La élite aprende el idioma del futuro y guarda el dinero en un lugar donde el futuro no tiene ciudadanía. “Verde”, así, puede ser apenas una nueva coartada del mismo sacrificio: territorios convertidos en zona de extracción, vidas convertidas en insumo, ecosistemas convertidos en “compensaciones”.

¿Y qué tiene que ver esto con la izquierda y su apuesta por (re)distribuir? Todo. Porque, incluso cuando la (re)distribución funciona, puede estar (re)distribuyendo dentro de una sociedad organizada para el desgaste. (Re)distribuir tiempo en un orden alienado no es devolver vida: es repartir mejor la falta. Es democratizar el cansancio, la alienación, la explotación; hacerlas más equitativas, sí, pero sin cambiar la máquina que las produce. La radicalidad, en ese caso, corre el riesgo de volverse una perfección amarga: una sociedad democráticamente cansada, democráticamente ansiosa, democráticamente expropiada de sí. Menos injusta, sin duda -y eso importa-, pero injusta al fin: porque el principio que produce la expropiación del tiempo sigue intacto. Por eso no alcanza con (re)distribución: hace falta producir otro tiempo, un tiempo que no sea únicamente tiempo para rendir, sino tiempo para la vida buena. Ahí empieza la revalorización del valor: cuando la riqueza deja de ser cosa y vuelve a ser vida vivible; una vida plena, vida digna. 

Si la vida es el fin, entonces la acción política no puede evaluarse solo por cuánto redistribuye, sino por qué tiempo recompone. No toda política redistributiva es emancipadora: lo es únicamente aquella que desmercantiliza el tiempo y lo devuelve como vida habitable. Cuando el tiempo sigue organizado como costo, rendimiento o sacrificio, incluso la justicia se vuelve administración del desgaste. Revalorizar el valor implica, por tanto, que toda decisión programática -fiscal, productiva, social o ambiental- se mida por su capacidad de ampliar tiempo de vida buena y no solo por aumentar ingresos, bienes o consumo. Allí donde el dinero gana pero el tiempo se pierde, no hay transformación: hay contabilidad alienada.

Por eso la disputa del valor no puede quedarse en la fábrica ni en la mina: tiene que entrar en la casa, en el cuidado, en el tiempo robado que el capital llama “amor” cuando le conviene. En América Latina, colonialidad y patriarcado no son dos historias paralelas: se trenzan en la misma trama que convierte territorio y vida —selva y cuerpo— en insumo barato o gratuito

Prof. PADilla UFRGS Transdisciplinar Research

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Feb 12, 2026, 3:32:25 PM (10 days ago) Feb 12
to ROGOWSKI, J.F - jurista, Franklin Cunha, Grupo Advocacia e Justiça, Je Degrazia, Deonisiosilva, Luiz Antonio de Assis Brasil, Dgfeil, Daiello, Dione Kuhn, Paulo Da Cunha, Gilberto Schwartsmann, Adeli Sell, Luiz Octavio Vieira, Humberto Trezzi, Elviofunck, Walpicci, Jane Tutikian, Joaocafruni, Wmanfroi, Lucas Aroldi, Jaime Cimenti, Marta Sfredo, Jacques Alfonsin, Manoel Brum, Zilabster, Fernando Albrecht, José Brasil Teixeira Filho, Tito Guarniere, Telmo Kiguel, Tbrunetto, Tarsopd, Titoguarniere, Ruy, Rosane Oliveira, Rodrigo Lopes, Olívio Dutra, Flavio Tavares de Lyra
Porto Alegre, 11 de fevereiro de 2026, análise do Dr. Fernando Malheiros Filho:
Ouço o rouco suave do ar-condicionado. Lá fora muito calor já faz três dias. Ondas de calor, como é comum por aqui, ainda que, neste ano, de menor duração. Lembro de uma, no ano de 2016, que se estendeu por quarenta dias. Foi quando a capital mereceu seus epítetos: “forno alegre” ou “Dakar latino-americana”.
🥵
Fora do tempo meteorológico também faz calor, apesar do frio inclemente no hemisfério norte. E assim está em ambas as porções do planeta: ao Sul e ao Norte. Por aqui o enésimo escândalo financeiro. Roubalheira em estado puro, do Banco Master. Tudo cheira à mais rematada sem-vergonhice de um inescrupuloso “homem de negócios” em conluio com autoridades de todos os quadrantes, com larga e profunda penetração no Poder Judiciário, este outrora impoluto guardião das leis de dos bons costumes. Não é mais, e já faz anos. O que dizer? Era previsível quando as elites nacionais se reuniram em agradável convescote para inocentar o gangster de nove dedos, e pior, pô-lo no zênite da hierarquia do executivo.
🤔
Como alguém minimamente informado poderia imaginar algo diferente? O problema não está na obviedade, mas naqueles que teimaram em não a ver. Assim ficaram os banqueiros, chamados a atender à tunga de várias dezenas de bilhões de reais deixada no rastro do escândalo. Trabalharam para subverter a ordem natural de uma democracia, com a eleição pelo voto, e foram surpreendidos pela calamidade para a qual contribuíram. É claro que teriam que reagir. Homens do dinheiro não aceitam ser enganados e, ainda pior, suportar enorme prejuízos sem agir. É assim: eles agem, e silenciosamente. Finalmente, a imprensa, mesmo que movida por impulsos ($) conhecidos, voltou a noticiar aquilo que é de interesse público. Sem afetações, sem lentes generosas em favor daqueles para os quais costuma trabalhar. Foram ao ponto, o que prova que ainda sabem encontrar a verdade. Não o fizeram nos últimos anos, não por preguiça, mas por soldo pago por aqueles a que servem. Ficamos sabendo de circunstâncias muito mais do que constrangedoras: de um certo ministro cuja esposa foi contratada ao custo de R$ 130 milhões (talvez, R$ 129 milhões) para não fazer nada. E de outro que é dono oculto de um lindo resort, não tendo o pudor sequer de esconder a condição, comportando-se como senhor daquela Capitania Hereditária. Não vale mais dizer que, se fosse em um país sério ... Não há mais países sérios. Essa seriedade que imaginamos existir no período pós-guerra sempre foi fruto da imaginação borbotoante dos meios que nos informam e constroem a verdade que devemos ver. O país convulsiona. Ninguém pode antecipar o que teremos em dias, semanas ou meses. Só é seguro dizer que vai piorar. As informações já disponíveis revelam o mais acinzentado dos cenários. Rouba-se em tudo: me todos os níveis dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, em créditos consignados, em benefícios previdenciários, em precatórios e, agora, também na venda de CDB’s superfaturados com a promessa de pagar rendimentos que jamais seriam pagos, ficando a conta para o “Sistema” (leia-se FGC). E o “Sistema” não gostou. Reagiu e decidiu expor as vísceras em putrefação: daí o mau odor que nos invade às narinas. O certo é que, para o observador minimamente atento, isso tudo era previsível. Não se trata de pôr a raposa no galinheiro, mas de ir para o inferno de sobretudo, luvas e chapéu. De pouco vale lembrar que este ano teremos eleições. Não há o que se faça para frear o cataclisma que nos cerca. Este armagedon é imparável, e começo a desconfiar que não me restam anos de vida suficientes para que mudanças significativas se produzam. Estamos doentes e confundimos a doença com saúde. Deixamos ao alvedrio dos burocratas tocar nosso destino, e este parece estar chegando: escuro como a noite. Não é pouco. Estivéssemos apenas envolvidos em escândalos financeiros até poderíamos sobreviver, mas o mal enraizou-se em camadas muito mais profundas: nos jovens que idolatram o errado. Não que seja fácil a distinção. Mesmo homens (e mulheres – concedo licença ao feminismo) experimentados têm dificuldades em fazê-lo. Mas nisso estamos no campo das sutilezas, no qual tudo pode ser de alguma forma defensável. Refiro-me ao indefensável: aos jovens que se acham o centro do mundo (do Universo) para os quais tudo se pode, inclusive matar um cão dócil (orelha), apenas pelo prazer de vê-lo agonizar. E foi assim: torturaram-no. Sequer permitiram-lhe a morte rápida. O bicho agonizava quando chegou às mãos do veterinário que constatou: mais nada se poderia fazer. Eutanásia. Sim, a reação foi imensa, o que demonstra não termos perdido inteiramente a razão. Mas alguém duvida que, passado o choque, voltaremos para a habitual pasmaceira? Uma sociedade doente, como passa com muitos doentes crônicos, talvez não possa se regenerar sem atuação externa. E vamos dependendo de outros povos, e de suas idiossincrasias. Sina! Quem olha para tudo isso sente a passividade pesando o ar, enquanto mísseis varam os céus no oriente próximo e entre os eslavos, além das tensões que só aumentam na espera do estopim que poderá nos levar para a próxima confrontação. Depois da Venezuela, e da captura cinematográfica do ditador carnavalesco, aguardamos que o aço americano vá em socorro os iranianos a pé, estes que, com coragem, e à custa de 50.000 mortos pela repressão (talvez “apenas” 40.000, não se sabe), foram às ruas para derrubar o regime. Esse é o risco enorme de se deixar um sistema fincar raízes. Na Venezuela, em Cuba, no Irã, são décadas de consolidação de meios, de décadas recrutando sequazes que, aos milhares, haverão de lutar pelo regime. Impossível que a solução seja interna. São raros os exemplos históricos de povos desarmados que puseram fim a regimes repressivos. Ou eles caem pela falta de sustentação, podridão e inanição, ou são forçados a capitular ante forças externas. Parece que esse será o destino de Venezuela, Cuba (talvez Nicarágua) e Irã. Pessoalmente torço por uma solução militar, mas reconheço as imensas (e talvez insuperáveis) dificuldades. O golpe tem que ser violento e capaz de fazer o tirano capitular. Foi assim no Japão em agosto/setembro de 1945, mas lá havia um Imperador ilustrado que percebeu a inutilidade na imolação coletiva. Na Alemanha nazista esse fim não foi possível. Foi necessário subjugá-la. Tocou aos Soviéticos o custo em cadáveres. Ninguém, no mundo atual, está disposto a pagar o preço, em vidas e dinheiro, que os aliados pagaram em meados no século que passou, em que pese seja possível dizer que, para os americanos, foi um bom negócio. Derrubar ditaduras transformou-se em um complicado xadrez, nem sempre perceptível a olho nu. É necessário encontrar suas vulnerabilidades e intensificá-las. Espero que israelenses e americanos saibam fazê-lo.

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