Caros amigos e colegas,
Com profunda alegria e sincera gratidão, compartilho um momento muito especial vivido nesta terça-feira, dia 16, quando tive a honra de estar com os estimados irmãos da Associação de Juristas Cristãos – AJUCRI. Atendendo ao gentil convite de seu presidente, o Desembargador Edson Jorge Cechet, participei da última reunião deste ano para ministrar a preleção que encerra um ciclo tão significativo.
O tema escolhido foi o livro do profeta Ezequiel, especialmente o capítulo 37, que trata do “Vale dos Ossos Secos”, uma passagem de extraordinária relevância para os nossos dias.
Ezequiel é amplamente reconhecido como o profeta da esperança, não por ignorar a gravidade do pecado e do juízo, mas por anunciar, mesmo em meio ao exílio e à ruína, a possibilidade real de restauração promovida por Deus.
Sua mensagem se sustenta em pilares que permanecem atuais e profundamente desafiadores.
Em primeiro lugar, a responsabilidade individual: Ezequiel rompe com a ideia de culpa herdada e afirma que cada pessoa responde diante de Deus por suas próprias escolhas — “a alma que pecar, essa morrerá”.
Em segundo lugar, a esperança da restauração: Deus promete transformar corações endurecidos, substituindo o coração de pedra por um coração de carne, sensível à Sua vontade.
Por fim, destaca-se o papel do profeta como sacerdote e vigia, chamado a alertar, exortar e oferecer ao povo a oportunidade do arrependimento e da vida.
Ezequiel foi testemunha do colapso moral e institucional de sua época. A corrupção havia se infiltrado no clero, no sistema de justiça e na liderança política, enquanto a violência e a injustiça se espalhavam pela sociedade. Ainda assim, sua mensagem não se limitou à denúncia. Ele apontou caminhos de esperança, lembrando que Deus não abandona o Seu povo, mesmo nos cenários mais sombrios.
Essa palavra ecoa fortemente em nossos dias. Somos desafiados a olhar para nossa própria vida e para a realidade social com honestidade e coragem, assumindo responsabilidade por nossas ações e rejeitando toda forma de indiferença diante da injustiça.
A mensagem de Ezequiel nos convoca a sermos agentes de transformação, guiados por uma fé viva e por um compromisso inegociável com os valores do Reino de Deus.
Assim como o profeta anunciou a restauração de Israel, somos chamados a promover renovação espiritual, ética e social em todos os espaços que ocupamos — na família, no trabalho, na advocacia, na magistratura e na vida pública. Confiamos que Deus continua transformando “ossos secos” em vida plena.
Mesmo em meio à violência, ao crime organizado e à corrupção que assolam nosso país, a esperança permanece firme. Deus continua soberano, atuando na história e levantando instrumentos para restaurar o que parecia perdido. Que essa mensagem nos fortaleça a viver com propósito, responsabilidade e amor ao próximo.
Por fim, expresso minha sincera e profunda gratidão ao nosso presidente, Des. Edson Cechet, pela confiança, pela liderança inspiradora e pelo compromisso incansável em manter vivo este grupo abençoado e abençoador de juristas cristãos, verdadeiro espaço de comunhão, reflexão e fortalecimento da fé entre irmãos e irmãs que unem vocação profissional e compromisso com o Evangelho. Sua dedicação tem sido fundamental para que possamos, juntos, buscar a excelência no exercício do Direito, sempre iluminada pelos valores cristãos.
Estendo, igualmente, meu agradecimento a todas as irmãs e a todos os irmãos que estiveram presentes nessa reunião tão especial. A comunhão fraterna, o espírito de unidade e o ambiente de profunda reverência tornaram aquele encontro ainda mais significativo.
De modo especial, registro minha gratidão pelo louvor primoroso que elevou nossos corações a Deus, conduzindo-nos a um tempo de adoração sincera, sensível à presença do Espírito Santo. Cada gesto, cada palavra e cada expressão de fé contribuíram para que aquele momento se tornasse memorável e edificante para todos nós.
Que o Senhor recompense a cada um, fortalecendo-nos na caminhada, renovando nossas forças e mantendo acesa a chama da fé que nos une.
Às portas do Natal, que a luz que irrompe na manjedoura dissipe as sombras do cansaço, reacenda a esperança adormecida e nos recorde que Deus escolheu habitar entre nós.
Que o Ano Novo de 2026 se apresente como um caminho aberto, regado por paz, sabedoria, saúde e frutos duradouros na presença do Senhor.
Permaneçamos à sombra do Onipotente, confiantes de que Aquele que faz brotar vida no deserto continua a escrever nossa história com misericórdia e fidelidade. Em Cristo, somos mais que vencedores.
Fraterno abraço.
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ROGOWSKI, João-Francisco
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