Colegas docentes, STAEs e estudantes.
Valho-me desta lista a fim de dividir com vocês uma situação que tem me tomado alguns neurônios e, talvez, trará mais cabelos brancos.
Alguns(as) de vocês poderão dizer: "não tenho nada com isso" ou "sinto muito, não me envolva nisso" ou quaisquer outros argumentos. Só sei que eu não consigo ficar indiferente.
Trata-se de uma circunstância vivida agora pela UFSC e que se repetirá nos próximos semestres e para a qual, assumidamente, a universidade não está devidamente preparada.
Como coordenador do Curso acompanhei a matrícula de todos os calouros 2013. É algo que faço questão de vivenciar. Para recebê-los com pompa e circunstância. Para acolhê-los e poder lhes dizer "sejam bem vindos", "sintam-se em casa" e frases deste tipo.
Entre todos os 49 que fizeram a matrícula pelo menos uma chamou a atenção. Acompanhada de pai e mãe - vários deles vieram com a família toda - foi aprovada na categoria de Escola Pública e renda familiar até 1,5 salários mínimos. Passou por uma comissão que validou documentos atestando a situação de absoluta carência - ou como preferem os "politicamente corretos" - de vulnerabilidade socioeconômica.
Pois bem: quando lhes informei que a PROGRAD havia agendado para terça, 19/02 (eles vieram na segunda, 18/02) a passagem dela pela comissão responsável por validar a situação de carência dos calouros do jornalismo, ouvi do pai da menina que não seria possível. Eles teriam que voltar no mesmo dia. Não tinham como pagar a hospedagem em Florianópolis. Ah: eles vieram de Cruz Alta - RS.
Passaram pela primeira etapa. Matriculada, a caloura deve se apresentar à UFSC no dia 18 e março.
Recebi, depois disso, dois telefonemas da mãe dela (ligando da casa da vizinha) perguntando o que poderia fazer para tentar uma solução para permanência da filha, uma vez que pretende vir acompanhá-la no dia 18, mas, claro e óbvio, não sabe onde ficará a menina.
Após o primeiro contato procurei a Coordenadoria de Serviço Social da PRAE e questionei que resposta poderia dar à mãe.
Atenciosas, as meninas da PRAE admitiram que não há soluções imediatas. Que todos nesta condição - mais de 500 - deverão se cadastrar, atender critérios formais, torcer para ser selecionados e, depois de um relativo período, poderão ser incluídos em algum programa da UFSC em apoio à permanência. Algo como bolsas, passes do RU, ajuda para aluguel, uma vaga na moradia, etc. Mas, colegas, isso deve levar algum tempo...
Hoje - 28/02 - a mãe me ligou de novo. Disse que a filha recebeu uma msg de uma das meninas da PRAE - cujo contato eu mediei - dizendo que antes de uns 30-40 dias a filha dela não conseguiria uma solução definitiva. Ela e os outros 500 e tantos.
Bom. Feita toda essa introdução já devem imaginar o que me move a procurá-los.
Gostaria muito que entre nós houvesse alguém disposto(a) a acolher a menina nos primeiros dias, semanas, sei lá. De alguma forma exercitando uma certa solidariedade, recebendo a caloura que, concordemos ou não, foi aprovada e espera cursar Jornalismo na UFSC.
Pode ser que alguns(as) de vocês digam "não tenho nada com isso" ou "sinto muito, não me envolva nisso". Entenderei.
Mas se algum(a) entre vocês tiver um espaço que por pouco tempo possa receber nossa caloura, seria muito legal. Enquanto se situa na UFSC, espero que a instituição dê conta de resolver em definitivo.
Peço que me desculpem pela extensão do texto. Aos que o leram até o final, obrigado.
Abs
Aureo Moraes