Olá pessoal tudo bem,
Esses dias estava pensando em escalas para improvisação e como é difícil explicar a utilização de cada uma delas “de pronto”, sem ter que “pensar” nos intervalos, na estrutura das escalas e tal.
Então comecei procurar seqüências (padrões) de intervalos que “coubessem” nas escalas mais usadas, afim de encontrar os padrões melódicos ou, pelo menos, fragmentos melódicos com maior incidência em nas escalas e que pudessem ser utilizados intuitivamente. Assim como ocorre com os grandes improvisadores como Django Reinhardt, Miles Davis e tantos outros do jazz, do rock, MPB, pop, blues... que tinham e tem muita fluência na improvisação e precisão absurda no fraseado e, portanto, na utilização das escalas.
Observando as escalas tradicionais de improvisação (Natural, Harmônica, Melódica, Tons inteiros e Dom-dim) é possível notar que:
1. São formadas por intervalos de 1 tom e 0,5 tom (meio tom ou semi-tom). Com exceção da escala menor harmônica que tem um intervalo mínimo de 1,5 tons.
2. A natural apresenta 2 semi-tons entre seus intervalos constituintes (como mi-fá e si-dó), a harmônica 3, a melódica 2 e a Dom-dim 4.
3. Não há dois ou mais semi-tons seguidos.
4. A harmônica possui o máximo de 2 tons seguidos, natural 3, a melódica 4, a de tons inteiros 6.
Aí foi melhor fazer uma tabela:
O padrão \ Incidência natural harmônica melódica Dom-dim. Tons inteiros Total
1 0,5 tom + 0,5 tom X X X X X X
1,5 1 + 0,5 ou 0,5 + 1 tom 2 2 2 4 X 10
2 1 tom + 1 tom 3 2 3 X 6 14
2,5 1 tom + 1 tom + 0,5 tom 2 1 1 X X 4
2,5 1 tom + 0,5 tom +1 tom 2 1 2 X X 5
2,5 0,5 tom +1 tom + 1 tom 2 1 1 X X 4
3 1 tom + 1 tom + 1 tom 1 2 X X 6 9
3 1 + 0,5 + 1 + 0,5 tom X X 1 6 X 7
3 0,5 + 1 + 1 + 0,5 tom 1 1 X X X 2
3,5 1 + 1 + 1 + 0,5 tom 1 X 1 X X 2
3,5 1 + 1 + 0,5 + 1 tom 2 X 1 X X 3
3,5 1 + 0,5 + 1 + 1 tom 2 1 1 X X 4
3,5 0,5 + 1 + 1 + 1 tom 1 X 1 X X 2
4 1 + 1 + 1 + 1 tom X X 1 X 6 7
4 1 + 0,5 + 1 + 1 + 0,5 tom 1 1 X X X 2
4 0,5 + 1 + 1 + 0,5 + 1 tom 1 X X X X 1
4 1 + 1 + 0,5 + 1 + 0,5 tom X X 1 X X 1
4 1 + 0,5 + 1 + 0,5 + 1 tom X X 1 X X 1
4 0,5 + 1 + 0,5 + 1 + 1 tom X 1 1 X X 2
TOTAL 21 13 19 10 18
Então me parece que:
Dado um acorde qualquer numa tonalidade qualquer, ou seja, não sabemos de nada para a improvisação, e partindo de uma nota qualquer que julgamos “soar bem” (de ouvido ) existe uma grande probabilidade de que outras notas das escalas compatíveis estão 1 tom ou 0,5 tom acima ou abaixo.
Caso esteja 1 tom acima, então a próxima nota pode estar 1 ou 0,5 tom no mesmo sentido (1 tom + 1 tom ou 1 tom + 0,5 tom). Caso a nota mais “afinada” esteja 0,5 tom acima da nota de partida é 100% de certeza que a próxima nota esteja 1 tom acima (0,5 tom + 1 tom) e jamais 0,5 tom novamente.
Outra coisa, a escala natural é a que tem o maior número que incidências nesses padrões. A que mais se acomoda aos diversos padrões. E que quanto maior a frase menor a incidência em qualquer uma das escalas.
Isso pode ser muito útil quando formos improvisar e talvez isso explique o fraseado curto e a sonoridade característica da improvisação do blues, jazz e MPB onde a mudança harmônica exige maior atenção na improvisação.
Vamos pensando mais!!
Abraço
