Olá a todos,
Em razão da diversidade de obras e peças musicais que podem nos interessar, decidimos abrir um tópico para falar sobre o que pode ser analisado.
A princípio, qualquer música pode ser analisada. A etnomusicologia, que estuda a música dentro de diversos valores culturais, comprova que a música tem algum significado, independente da sua origem.
Numa determinada tribo do oriente, que não me lembro o nome, a música começa com uma grande fogueira, as pessoas usam roupas apropriadas e dançam todo o tempo. A entrada de cada instrumento de percussão, segundo eles próprios, significa a presença de uma entidade, um “deus” ou um elemento da natureza. Assim, mesmo para a música instrumental, existe um significado extra-musical para cada evento musical.
Olhando por esse ângulo, a “nossa” música, a música ocidental, parece não ter significado algum. Mas há, é muito sutil, mas existe. Ao estilo de nossa preferência, está associada uma determinada escala, instrumentação, condução harmônica e melódica, performance, escrita, acompanhamento etc... E estes elementos são justamente os “nossos” objetos de significado. São eles que dirão se o que estamos fazendo é valsa, rock, blues, jazz, MPB, erudito, etc.
O que muda de um estilo para outro e o que determina um estilo é alguma coisa que a teoria musical observa: o ritmo, a tonalidade (ou a atonalidade), a orquestração, etc. E pra ser criar algo novo é preciso conhecer o que foi criado, conhecer a fundo a músicas que nos agrada. E a nossa melhor ferramenta, o que nos permite identificar cada elemento é a análise, que é a teoria da prática de se fazer música.
Cada período, estilo ou vertente musical tem um “segredo”. Tem um motor que faz aquilo funcionar como tal. E não é difícil sacar esses elementos ou perceber no que ela difere daquelas que conhecemos. Pq os elementos são evidentes, imanentes, tão lá na música.
Alguns autores e grupos são clássicos e servem de ponto de partida:
Período barroco: Bach
Clássico: Beethoven ou Mozart
Romântico: Chopin ou Brahms
Pós romântico: Debussy ou Villa Lobos
Moderno, se alguém quiser: Pierre Boulez e Arnold Schoenberg
Agora, popular e mais recente: Beatles, Pink Floyd, Metallica, Rage Against the machine
Jazz: Miles Davis, Thelonious Monk…
Alguém conhece? Tem alguma idéia de repertório?
Aguardo a contribuição de todos
Abraço

Olá a todos,
Olá a todos,
Legal pessoal, gostei das sugestões.
Another brick in the wall – pink floyd
Cenas infantis nº1 – Schumann
Mais alguma idéia? O que vcs ouvem quando estão sós? O que lhes interessa observar mais de perto? É muito importante a sua sugestão, compartilhe conosco.
Abraços

Olá amigos tudo bem,
Concordo com vc Beto, é muito importante se ouvir e aprimorar sua técnica. Tocar, gravar, testar, errar, e tudo mais.
Mas discordo que Schumann ou Bach são muito além de nós. Schumann pode ser, no máximo, bom conhecedor e compositor da música até o ano de 1856, ano de sua morte. Bach (morreu em 1750) nem chegou a conhecer a música de Schumann. Ambos não conheceram Mahler (1860-1911), o mais importante maestro, que inclusive por seu perfeccionismo, encerra o período romântico. E, nem se fala na música de 1930 em diante. O rock, o pop, a MPB, o jazz, a musica erudita contemporânea, musica de cultura oriental etc. Nós temos a internet, o mp3, temos potencial pra conhecer infinitamente mais sobre música do que eles.
E, Sandi, Bach foi conhecido como um cara boêmio, assim como Mozart, que escapava pros bares pra tocar musica popular. Não sei se a teoria roubou sua sensibilidade, até pq uma música era trabalho e a outra diversão.
Quando vc toca no violão uma melodia que ouviu, faz isso pq conhece o instrumento e conhece música. Não sei a quanto tempo vc toca mas essa prática leva tempo pra se formar num músico. E só é alcançado separando-se a melodia do resto da música (ritmo, harmonia, interpretação, escrita), mediante a tentativa e erro. Estudando.
Na teoria musical, tbm separamos, treinamos e identificamos cada elemento. Assim quando o vemos novamente, falamos: olha uma terça aqui, olha uma escala tal ali, olha tal acorde acolá etc. A fazemos isso não por deficiência mas para aprimorar a audição musical, pra poder tirar de ouvido coisas como uma melodia complicada, um acorde ou um solo e, quando não conseguimos, lemos partitura.
Entende Sandi, um complemento. Não deixe de conhecer um pouco a partitura pq alguns caras são totalmente dependentes dela. Essa dependência da partitura se deu pelo estudo do cara, aquilo que o cara fazia todo dia e está ligado à profissão, tipo músico de orquestra ou coralista.
Penso que o fundamental da análise é conhecer a música pura e simples, como o Sandi falou, e devemos nos aprofundar naquilo que nos interessa. E quando conhecemos e analisamos muitas músicas podemos propor algo novo. Não o que já foi usado, mas o "pra onde PODERIA IR agora?".
Mas para o nível de detalhe q vc busca, Sandi, um Am7, um Eb7-, ou um Xyz5%^1 é necessário saber como que vc quer da música. A princípio, a resposta mais completa para essa proposta (música começada aqui, com apenas 2 compassos, e a discussão de "pra onde poderíamos ir a partir deste ponto") seria simples: qualquer um, tanto se tratando de música popular como erudita.
O duro é vc malhar, transpirar conseguir algo solido, e outra pessoa dizer: olha é Bach. Num antigo ensaio meu o inicio era original mas cada vez que tentava continuar eu caía numa música conhecida, e não podia evitar.
Mas não queremos qualquer acorde, não queremos qualquer resultado, queremos uma sonoridade específica, estilo bem definido ou uma mistura e tal. Mas o que interessa a vcs? Quando ouvem música, o que vcs ouvem?
Abraço a todos

Oi tudo bem,
Diferente essa Amanda Palmer hein. A harmonia da musica é muito bonita mesmo.
Vai pra lista:
Cenas infantis nº1 – Schumann
Another brick in the wall – pink floyd
I Google you – Amanda Palmer
O que mais vcs ouvem?...vcs ouvem música, certo? Então compartilhe conosco!
Esta lista está aberta e podemos adicionar música a qualquer hora.
Mas agora já podemos escolher uma música e começar a ter contato com ela (ouvir, tirar, ler, improvisar, anotar, etc). Com calma, uma de cada vez, assim todos se concentram numa única peça, o que vcs acham?
Abraço

Olá pessoal,
Por ordem de chegada, a sugestão da Dalva pode ser a primeira: Cenas infantis nº 1 (partitura anexa e vídeo http://www.youtube.com/watch?v=nw6qs_KJdbo ).
Encontrei uma interpretação dessa música por um famoso pianista, Lang Lang, segue o link pra vcs ouvirem (http://www.youtube.com/watch?v=NIdZH-2FTKQ&feature=related ).
Para analisar uma música como esta, de um período diferente e distante do nosso, é preciso ouvir com bastante atenção, de preferência com a partitura, buscando uma visão geral da peça.
E quem quiser pode pesquisar sobre o compositor e o período em que viveu. Isso pode nos ajudar a entender a peça e o que estava acontecendo ao seu redor.
Abraço a todos!!
Olá pessoal,
Imagino que todos já tenham ouvido a música. Por isso, agora já temos embasamento para realizar a análise.
Mas percebendo a dificuldade de se escrever sobre música, que é uma arte tão técnica, vou demonstrar como faço. Vamos pegar os dois primeiros compassos:

1. A música está em 2 por 4. Ou seja um compasso com dois tempos. E, como sabemos e os ritmistas devem estar atento a isso, é formado por um tempo forte e um fraco - visto que não somos máquinas, alternamos entre forte e fraco assim como a batida do coração, naturalmente-. Isso já explica os acordes com alteração, estrategicamente, posicionados em tempo fraco.
2. A tonalidade é aquela que contém uma alteração (fa#), como indicado na clave de sol e de fá. Quem conhece o ciclo de quintas sabe que essa alteração aparece no tom de Sol Maior ou Mi Menor.
3. Observando o tempo 1 do primeiro compasso, a nota mais grave sol, seguido de si, re e sol, parece indicar que a música começa com o acorde de Sol (G), I grau. O acorde do segundo tempo, com suas alterações, parece realizar duas aproximações cromática (de sib para lá e de do# para ré), função de dominante da dominante ou V/V.
4. O primeiro acorde do segundo compasso, um ré seguido de lá, fa# e ré, forma o acorde de Ré (D), função de dominante ou V grau. No segundo acorde, o sinal de bequadro vem advertir que a nota dó, que antes foi alterada para dó#, é agora dó natural (acidente de precaução). Sendo assim, fa#, dó, ré e lá formam o acorde de Ré com sétima (D7), porém como o fá# é a nota mais grave, forma um Ré com sétima com baixo em fá# (D7/F#).
Os elementos em vermelho indicam a função do acorde e abaixo segue a cifra:

I V/V V
G D D7
Os compassos 1 e 2 são repetidos nos compassos 3 e 4, de forma literal, sem modificações:

Essas informações ajudaram? Com elas, alguém consegue continuar a análise?
Abraço a todos



Legal Stela,
Parabéns pela pesquisa, a doença de Schumann é uma disfunção do aparelho auditivo que provoca a sensação auditiva de freqüências específicas.
Porém, é possível sentir isso como mecanismo de defesa e proteção do sistema auditivo. Quando vamos à um evento com música muito alta, ou ficamos próximos do auto-falante, parte do ouvido interno se contrai e relaxa, dando sensação de audição que fica bem evidente, mais tarde, em ambiente silencioso.
Quanto ao acorde de dó com baixo em mi, Stela, a cifra correta é C/E (compasso 6). O restante está correto!!
E o acorde seguinte (compasso 7), alguém tem uma idéia de que acorde pode ser?
Abraço
