Nossas escolhas
“Lembro-me de quando criança ouvir a história de um navio que passava por uma grande tempestade. Todos os passageiros estavam apavorados, menos um garotinho que brincava tranquilamente enquanto tudo balançava e utensílios despencavam de seus lugares. Perguntado por que não tinha medo, ele respondeu: “Meu pai é o capitão do navio!”
Quem nunca passou por tempestades? Algumas podem ser causadas por problemas externos, como desastres naturais, miséria, perda de entes queridos ou até mesmo uma doença grave. Mas, pelo que tenho observado e aprendido na vida, os piores “temporais” surgem lá dentro, no fundo da alma. Às vezes, são resultados de uma reação emocional exagerada às circunstâncias; em outras, são os próprios medos e preocupações que nos trazem grande sofrimento. Mas uma coisa é certa: independente da causa é em nosso interior que a tempestade dói mais”. (Trecho retirado do livro Presente Diário)
A vida é repleta de idas e vindas, de sins e nãos, altos e baixos, mas mesmo sabendo disso e vivendo várias vezes estes momentos, ainda sim, temos dificuldade de fazer nossas escolhas. Sofremos em alguns momentos, outros fugimos, pois nossas escolhas abrirão ou fecharão portas e oportunidades. Isso significa que se escolhermos algo abriremos mão de outra coisa, também que se optarmos por determinada situação corremos o risco de sofrer por algum período. Mas se acreditamos ser o certo, qual o problema disso? Às vezes nossa preocupação está no que os nossos familiares pensarão sobre nós, quem sabe como meu gerente ou mesmo meu sócio me perceberá. Pensando nisso, sugiro uma reflexão antes de fazer a escolha:
1) Qual será o custo desta escolha? Exemplo: A) Sou solteiro, e agora quero me casar. Quais pontos positivos e negativos desta escolha? Realmente amo esta pessoa? Comprar ou alugar uma casa? Estou disposto a abrir mão de algumas coisas em pró do outro? B) Sou funcionário registrado em carteira, mas acredito que chegou a hora de montar meu negócio, neste caso são várias perguntas, como: Já analisei o mercado? Tenho capital para investir? Estou disposto a trabalhar mais? Tenho alguma experiência no negócio que quero abrir? Tenho pessoas qualificadas para me ajudar? Sei lidar com pessoas? C) Estou com vontade de mudar de religião, mas toda minha família acredita diferente de mim. Já estudei sobre o assunto? Estou baseando minha decisão no que? D) Escolha de minha formação profissional não tem nada a ver com a de meus pais e avós (que vem de gerações). Como defender minha posição?
2) Quanto tempo levará? A pergunta é importante, pois as coisas muitas vezes não ocorrem como um passe de mágica, em um dia está de um jeito e no outro tudo mudou. Você está disposto a esperar e trabalhar para que dê certo?
3) Quais serão as vantagens e as desvantagens de sua escolha? Reflita se valerá à pena.
4) Deu tudo errado, sua escolha não foi à melhor. O que fazer? Exemplo: Abri um negócio, mas não me preparei, não me capacitei, tive um prejuízo enorme. Você está disposto a tentar novamente, mas desta vez se capacitando? Ou se preferir, recomeçar em outro lugar como funcionário. Pense sobre esta hipótese, antes de fazer sua escolha.
Em nossa vida temos certeza do que? Que um dia morreremos, de mais nada. A vida é repleta de riscos e incertezas. Sendo assim, precisamos escolher um caminho e arcar com as conseqüências, muitas vezes boas e outras não tão boas assim. Ficar em cima do muro é uma escolha? Sim, que terá seu resultado também, muitas vezes a frustração.
Faça sua escolha, e lembre-se que caso não aconteça no tempo, da forma que você esperava, mas aconteceu, que bom. Caso contrário, aprenda com seus erros, valorize todo aprendizado adquirido, fortaleça seus pontos fortes e recomece.
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Marco Garcia
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