ASSALTO E MORTE II
entrevista » Acrísio Coutinho
Publicado em 15.05.2007
“Eu queria matar os dois”Revoltado com a forma banal como a esposa foi assassinada, o executivo Acrísio Coutinho quis entrar na viatura da PM para pegar os dois adolescentes, mas foi contido por parentes. “Queria matar os dois.”
JC – Como o senhor ficou sabendo o que aconteceu com sua esposa?
ACRÍSIO COUTINHO – Eu estava em casa. Mas nem em casa a gente consegue se sentir protegido, agora. Há menos de três meses assaltaram e mataram um aposentado na nossa rua. Mesmo assim, nada acontece. Para mim, os culpados por isso tudo são essas pessoas que defendem os direitos humanos. Por causa delas é que ninguém pode fazer nada com esses garotos que matam para roubar. Eu mesmo queria matar os dois, mas não deixaram. Ninguém pode encostar a mão num menino desses. Essa situação só vai mudar quando tragédias desse tipo começarem a acontecer na família desse pessoal.
JC – O que o senhor pretende fazer?
ACRÍSIO – Não faço idéia de como vai ser a minha vida daqui para a frente. Passamos o fim de semana em Gravatá. Comemoramos o Dia das Mães. Chegamos aqui às 7h e ela foi fazer uma feira rápida. De repente, aconteceu isso. Só quem está passando é quem sabe o tamanho da dor.
ASSALTO E MORTE IV
Sitiados pelo crime
Publicado em 15.05.2007
Boa Viagem é líder em estatísticas da Polícia Militar. O bairro tem maior índice de roubos e furtos e de assaltos a veículos
O bairro de Boa Viagem ostenta hoje uma posição nada agradável para os seus moradores. Ele lidera o ranking de furtos e roubos praticados no Recife, sendo palco de 14% de todas as ocorrências desse tipo de crime registradas pela polícia na cidade. É também o campeão em número de assaltos de veículos. Dos 811 carros furtados e roubados na capital, nos quatro primeiros meses deste ano, 12% foram levados de Boa Viagem. O mapeamento criminal feito pela Polícia Militar mostra que, nos crimes contra o patrimônio, muitos deles com desfecho trágico, o bairro tem sido o alvo preferencial dos bandidos. Tanto que o diretor-geral-adjunto de Operações da PM, tenente-coronel Eduardo Fonseca, afirma que o bairro é, hoje, a maior preocupação da polícia nessa modalidade de crime. Uma constatação que é reforçada pela declaração do comandante de Policiamento da Capital, tenente-coronel José Lopes: “Boa Viagem é hoje um bairro sitiado por favelas”.Fonseca aponta vários trechos de risco no bairro, que exigem do motorista e dos moradores uma atenção redobrada. Ele cita a Rua Fernando Simões Barbosa, que margeia o Canal do Jordão, como um dos pontos mais perigosos. Outro local de risco é a Avenida Domingos Ferreira, nas imediações do Empresarial Clinical Center. “O 2º semáforo da via é um dos locais recorrentes de assaltos”, diz.
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José Lopes adiantou que, na sua avaliação, o crescimento populacional
de Boa Viagem e o avanço da criminalidade já justificam a criação de um
batalhão para atender, exclusivamente, o bairro. “A demanda ficou grande
demais para o efetivo atual”, justificou. De fato, nos últimos anos, tem
sido crescente o número de casos de assaltos seguidos de morte no
bairro. Em dezembro de 2005, o psicanalista Antônio Carlos Escobar foi
assassinado com um tiro no pescoço, disparado por um adolescente de 17
anos, num semáforo da Avenida Domingos Ferreira, no Pina.
Em novembro do ano passado, o estudante universitário Rafael Dubeux
Andrade, 21 anos, foi morto durante assalto, na Avenida Boa Viagem,
quando tênis com o irmão e três amigos numa das quadras da beira-mar.
Este ano, no mês de março, o vigilante Marcos Antônio Tavares Costa, 46
anos, foi assassinado com um tiro, após reagir a um assalto na Rua
Magina Pontual, que fica ao lado do Restaurante O Laçador, localizado na
Avenida Domingos Ferreira, uma das mais movimentadas do bairro.
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