Fw: Publicações JC 25/05 - Mendigos por toda parte

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IACE - Instituto Antônio Carlos Escobar

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May 28, 2007, 8:01:02 AM5/28/07
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Editor André Galvão   Editor-assistente Betânia Santana e Ricardo Novelino
 


ABANDONO

Mendigos em toda parte
Publicado em 25.05.2007

Pesquisa da UnB feita em quatro capitais revela que número de moradores de rua no Recife cresceu 84%, entre 2004 e 2005

Ciara Carvalho

[EMAIL]ci...@jc.com.br

[/EMAIL]A Praça Maciel Pinheiro, no bairro da Boa Vista, no Centro do Recife, parece um albergue ao ar livre. Em um dos bancos, uma roda de mendigos se forma em poucos minutos. São mulheres, homens, velhos e crianças morando na rua como se fossem uma grande família. Uma família cada vez mais numerosa e que vive entregue à própria sorte. Um estudo comparativo da população de rua do Recife entre 2004 e 2005 revelou um aumento de 84% na quantidade de mendigos na capital pernambucana. Os dados mostram que o total de moradores com esse perfil pulou de 653 para 1.390 em apenas um ano. A pesquisa, realizada pela Universidade de Brasília (UnB), vai além e compara também a situação da capital com a de outras três regiões metropolitanas do País. E o resultado não poderia ser pior: os nossos mendigos chegam às ruas mais cedo, são menos escolarizados, possuem uma taxa de ocupação mais baixa e recorrem mais à mendicância como atividade para conseguir alguma forma de sustento.

Luzitânia Maria da Silva, 32 anos, nem lembra mais direito quando chegou à rua. “Bota janeiro nisso”, responde, para depois arriscar que já devem ter passado mais de 20 anos. Ela não sabe ler nem escrever. Diz que tudo o que aprendeu foi pelos becos e calçadas do Recife. Foi na rua que deu à luz a filha, que, agora, lhe faz companhia nos bancos de praça. A garota tem 8 anos e nunca pôs os pés na escola. “Vai se formar na mesma faculdade em que eu me criei”, conforma-se a mãe. Luzitânia não sabe o que é carteira assinada e vive de “vigiar” os carros estacionados perto da Praça Maciel Pinheiro. Os trocados que junta usa para dar comida à filha e comprar remédios. “Vivi e vou morrer na rua”, decreta.

Sobre o crescimento da população de rua, a cidade também possui o dado mais preocupante. Nas outras capitais, o percentual não chegou a 30%. Maria Lúcia, no entanto, faz questão de ressaltar dois fatores que devem ser considerados na comparação entre as estatísticas de 2004 e 2005. O primeiro é o período da pesquisa. No primeiro levantamento, o censo foi feito em outubro, e no segundo, em novembro. “Isso influi, porque a população aumenta muito quando se aproxima o fim do ano”, explica. Outro ponto é o fato de que apenas a segunda contagem incluiu os moradores de albergues. “Essas variáveis devem ter contribuído para dar uma certa distorção no percentual, mas a situação do Recife, de fato, é a mais complicada”, analisou a pesquisadora.

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