

Os mortos caiem na sua tentativa de conservar a liberdade de um lugar, de um tempo, acima de tudo do corpo. O corpo como única pátria possível fora de sistemas inventados para perpetuar falsas ideias de poder.
Nunca te irão perdoar é um espetáculo de teatro coreográfico, que cria paisagens que surgem em simultâneo, que se aproxima da escultura, do cinema, da arquitetura. Nunca te irão perdoar é, acima de tudo, um elogio ao teatro universitário que durante décadas serviu como resistência à ditadura e que hoje, sobretudo hoje, não deve esquecer nunca o seu fundamental discurso de experimentação, de independência e democratização da arte.
Este espetáculo é dedicado aos corpos de amanhã.
Nota: Foi na piscina do Instituto Superior Técnico (IST) que, entre 17 e 19 de Fevereiro e 23 e 24 de Março de 1968, decorreu o IV Seminário dos Estudos Associativos. Tirada a água do enorme tanque, hoje já desactivado, foram instaladas três mesas e uma plateia de cadeiras para discutir a situação do movimento estudantil contra a ditadura. A escolha do local não foi capricho ou acaso. A piscina era então, como continua a ser, uma das propriedades da Associação de Estudantes do IST. Assim era contornada a necessidade de pedir autorização à direcção do Técnico e evitar uma hipotética recusa.
- Ficha técnica -Encenação e Dramaturgia: Tiago Vieira
Coordenação e Produção executiva: GTIST - Grupo de Teatro do IST
Espaço cénico: Piscina do IST - Campus Alameda
Figurinos: Tiago Vieira
Espaço sonoro e paisagem cinematográfica: Tiago Vieira
Desenho Coreográfico: Tiago Vieira
Produção gráfica: GTIST
Interpretação: GTIST (Diogo Gomes, Duarte Ruas, Emanuel Frazão, Fábio Santos, Filipe Isidoro, Francisco Peres, José Miguel Santos, José Pedro Fernandes, Maria Patrícia Couto, Ricardo Gerardo e Sara Mesquita)
Texto da peça: adaptação livre de Tiago Vieira a partir de textos de Raúl Brandão, Brecht, Nietzsche e Rimbaud.
Duração do espetáculo: 80 minutos.