«Freud is dead and the myth of unified inidividual has been destroyed.
We are each made up of many selves: de-centred, distributed, and
tele-schizophrenic. Our minds have an infinity of phreno-fractals
constantly creating alternative realities in wich every thread of
meaning is woven by us.» (THE A-Z OF INTERACTIVE ARTS, Roy
Ascott)Cibercultura é a cultura que emerge da rede computacional, quer
os seus fins sejam comunicativos, de entretenimento ou económicos.
Trata-se da união entre a cultura e a técnica, da telemática
enquanto
produtora de cultura. A cibercultura começou com os movimentos
cyberpunk onde se desenvolveu uma estética específica. E no final dos
anos 90 chega às universidades como objecto de estudo quer cultural,
quer tecnológico. A arte tecnológica começou nos anos 60. A primeira
etapa antes das artes interactivas foi produzir ambientes, obras
cibernéticas, uma arte que respondia ao utilizador e estava em
permanente mutação. Construíam assim processos de feedback
pré-determinados, no entanto, não evoluíam nos automatismos e na
evolução que a própria máquina pode fazer.
As artes tecnológicas promoviam uma nova linguagem: a linguagem
digital
que potenciou a existência da arte interactiva:
ConectividadeA conectividade é uma representação chave das ciências
cognitivas. Na arte digital também. O natural colabora com o
artificial, e o artificial com o natural, surgindo uma nova simbiose.
ImersãoNovos interfaces serão e estão a ser criados até existir um
perfeito: o interface que anula a existência de interface, ou seja,
quando se deixa de ter consciência do interface. Assim como ouvimos,
vemos ou sentimos na comunicação inter-pessoal, o mesmo irá
acontecer
nos outros tipos de comunicação. As paredes além de ouvirem também
falarão.
InteractividadeA realidade e aquilo que a mesma significa resulta das
interacções que actuam no nosso cérebro. Em complemento a essas
interacções, os nossos corpos transportarão tecnologia que nos
permitirá navegar na rede.
TransformaçãoOs nossos corpos estão a transformar-se. Novas
experiências concretizam-se quer de imersão dos corpos na rede, quer
de
imersão da rede nos nossos corpos. A arte interactiva coloca-nos
dentro
da mesma, do seu sistema. Por conseguinte, deixa de haver espaços
clássicos (2D ou 3D) pois a interacção dá-se a outro nível
biológico.
EmergênciaAs manifestações dão-se de forma inesperada. A arte
interactiva dá-se de forma não previsível e a experiência volta a
ocupar um lugar de destaque na arte que se apresenta no Ciberespaço -
o
novo espaço de exposição. Emerge também uma nova percepção: a
ciberpercepção; dá-nos uma consciência de que vivemos juntos num
espaço
que fica entre o virtual e o real, quase uma mundivisão.
A arte trabalhava o aspecto das coisas, o aspecto do mundo e o aspecto
da pessoa. Mesmo com uma máquina fotográfica, o objecto da arte
trabalhava sucessivamente o aspecto. As artes interactivas trabalham o
que está para além da imagem, o que constituí a imagem e as
conexões
por detrás da mesma. Trabalha os sistemas, e as conexões do mesmo, a
nova estética dos sistemas. A cibercultura fez emergir uma nova arte
que se baseia no híbrido, no interactivo, na montagem, no hipermedia,
e
no interface, no futuro do homem (política).
O Self sempre foi fechado, determinava o homem e constituía a
determinação do indivíduo, o seu instinto estava aprisionado pelo
corpo. Bolter escreve que o a cibercultura, enquanto mistura da
técnica
e da cultura, pode libertar o Self do corpo e assim potenciar novas
descobertas para o individuo. Questões políticas colocam-se e
colocaram-se no início da Cibercultura com o Cyberpunk e explicam-se
através desta libertação do Self. A questão da relação entre
corpo e
Self pode ser ultrapassada pela cibercultura. A escrita sempre foi uma
forma de se ultrapassar a barreira corpo e a forma de entendermos o
Self, com a Cibercultura a potência aumenta.
«Self - isolated, unconnected, alienated - is no longer a satisfactory
modem of our being.» Homo Telematicus In The Garden of A-Life - Roy
Ascott
O indivíduo, e a arte como reflexo do mesmo, potencia um movimento
esquizofrénico de transformação do self, daquilo que nos determina
para
além do corpo. O corpo fica obsoleto perante esta transformação, e
pretende-se como finalidade ligar o self à rede, e partir daí para
novas formas de conhecimento e de existência. Roy Ascott defende que
os
artistas e os cientistas se devem unir pela criação de um mundo
virtual
onde a vida seja definida pelo homem e não pela natureza. Um mundo que
seria esquizofrénico, onde a libertação de todos os Selfs em rede
possivelmente geraria o caos num mundo que é ordenado.
- Roy Ascott - «The A-z of Interactive Arts»
- David Bolter - «Writing Space»
- Is There Love in the Telematic Embrace?
- IS CYBERSPACE A SPIRITUAL SPACE?
- THE ARCHITECTURE OF CYBERCEPTION
- De l'apparence à l'apparition : communication et conscience dans la
cybersphère
- HOMO TELEMATICUS IN THE GARDEN OF A-LIFE
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Postado por Luís Rijo no Loucos de Lisboa em 1/21/2007 09:10:00 PM