Para trabalhadores de dez setores da economia paulista, a crise já ficou para
trás. Nesses ramos, as demissões ocasionadas pela retração que o mercado global
sofreu a partir de setembro de 2008 já foram superadas pela abertura de vagas
(veja quadro), fazendo com que a região metropolitana de São Paulo contabilize
hoje 25 mil postos de trabalho a mais que os registrados antes da crise. Os
dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Entretanto,
como a retomada do emprego se deu de forma concentrada, nos outros 15 setores da
economia paulista, o saldo entre as
vagas encerradas e as abertas ainda continua negativo. Pior: na maioria dos
casos, não há previsão de que os empregos perdidos na crise sejam repostos tão
cedo (veja no texto ao lado).
O paradoxo da recuperação do mercado de
trabalho de São Paulo se explica pelo contraste entre o mau desempenho da
indústria - que foi duramente afetada pela crise e ainda sofre para recobrar o
fôlego - e os bons resultados do comércio e do setor de serviços (que contaram
com a ajuda do mercado interno para atravessar a turbulência e, em alguns casos,
até voltar a ter crescimento).
O setor de serviços - que, pela
classificação do Caged, engloba seis ramos de atividade - abriu mais de 68 mil
vagas de setembro de 2008 a junho de 2009. “Como fomos o último setor a sentir
os impactos da crise e o primeiro a se recuperar, as empresas do ramo repuseram
rapidamente as vagas que haviam sido fechadas e empregaram também trabalhadores
da indústria, que não encontraram vagas na sua área de atuação”, analisa Paulo
Lofreta, presidente da Central Brasileira de Serviços (Cebrasse).
Corretoras, imobiliárias, hotéis, bares e restaurantes foram os que mais
contrataram. “Especialmente em São Paulo, que é uma cidade forte em serviços, o
setor ajudou muito a conter o desemprego na região.”
O comércio também
deu uma contribuição significativa: criou quase 18 mil postos de trabalho em
plena crise. “Como as famílias continuam consumindo, as vendas têm aumentado. E
como as empresas do ramo são intensivas em mão de obra, quando há crescimento
elas necessariamente precisam contratar mais funcionários”, afirma Fábio Pina,
economista da Federação do Comércio (Fecomercio). Segundo ele, os trabalhadores
da indústria também podem ser facilmente incorporados pelo comércio. “Além do
pessoal administrativo, que tem condições de trabalhar em qualquer tipo de
empresa, é preciso lembrar que a indústria também tem área de vendas”, ressalta
Pina.
Embora isso tenha ajudado a mitigar parte das demissões da
indústria, o fato de as vagas surgidas em meio à crise terem sido criadas
majoritariamente pelo comércio e pelo setor de serviços traz algumas
consequências negativas para o mercado de trabalho. “Os salários pagos pelas
empresas desses dois setores costumam ser mais baixos que os da indústria,
porque em geral o perfil das vagas exige menos qualificação”, argumenta Sérgio
Amad, professor de Relações do Trabalho e Emprego da FGV-SP. “Ou seja, o emprego
que está sendo criado agora é de baixa qualidade. ”
Paulo Lofreta, do
Cebrasse, confirma a tese. “O setor de serviços emprega a grande massa. Na
maioria dos casos, são vagas para pessoas de baixa escolaridade e com salários
compatíveis a esse perfil”, diz. “Assim, quem veio da indústria para o setor de
serviços provavelmente fez isso porque não encontrou emprego na sua área e
precisou se recolocar, aceitando ganhar menos.”
Mas pior que topar uma
remuneração menor é não ter opção para mudar de ramo e se recolocar. Essa é a
situação enfrentada hoje pelos profissionais de formação técnica que foram
demitidos pela indústria.“Quem exercia uma atividade mais específica, como os
metalúrgicos, encontra dificuldades de se inserir no mercado”, reconhece Pina,
da Fecomercio.
Hoje, as boas notícias para
quem trabalhava na indústria e tem uma formação técnica vêm da construção civil.
Essa cadeia produtiva, por sua diversidade, tem potencial para abrigar
profissionais de várias áreas e diferentes perfis. Com estímulos do governo -
como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos materiais de
construção e a criação do programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida” -, o
setor retomou rapidamente o crescimento e já abriu 9.298 vagas na região
metropolitana de São Paulo desde setembro.
De acordo com o Conselho
Federal de engenharia, arquitetura e Agronomia (Confea), a disputa por engenheiros - que
atormentava as empresas quando o mercado estava em plena ascensão - já voltou a
acontecer.
Antonio de Sousa Ramalho,
presidente do sindicato dos trabalhadores do setor (Sintracon-SP), prevê que em
breve o setor vai sofrer com a falta geral de mão de obra qualificada.
“Projetamos criar 30 mil vagas no Estado de São Paulo até o fim do ano, mas para
isso precisamos de profissionais capacitados”, diz.
O QUE
FAZER
Para quem, durante a crise, perdeu o emprego no comércio ou no
setor de serviços, fica mais fácil voltar ao mercado, uma vez que as empresas do
ramo dão sinais ter superado as dificuldades e continuam em expansão
Já
quem foi demitido pela indústria deve ter que batalhar mais para voltar ao
mercado, uma vez que muitos trabalhadores do setor foram dispensados e as
empresas ainda não se recuperaram
Para quem tem pouca experiência ou
baixa escolaridade, uma opção é mudar de área. Hotéis, restaurantes, bares e
lojas têm aberto muitas vagas
Profissionais mais qualificados, desde que
não tenham uma formação muito específica, também encontram menos dificuldade
para pleitear emprego em outro setor - especialmente se exerciam cargos
administrativos
Já os profissionais técnicos vão precisar de paciência.
Como a mudança de área é mais difícil, o jeito é manter contato com os colegas
que continuam empregados, aproveitar o período para fazer cursos de atualização,
e esperar que o setor volte a crescer e contratar
Mas nunca é demais
pesquisar outras áreas. Seu conhecimento pode ser aplicado em setores que você
sequer havia cogitado
----- Original Message -----Sent: Saturday, August 08, 2009 6:51 PMSubject: [Clube dos Engenheiros Civis] Re: Atribuições do Engenheiro Civil
2009/8/7 Wagner <wfe...@yahoo.com.br>
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Atualizado em 07/08/2009