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Em todos os países civilizados (e mesmo em alguns nem tanto) as unidades de conservação são um fator de desenvolvimento econômico e melhoria nas condições de vida. Ter uma área natural perto de onde se mora é fator de valorização e status, o que aos poucos o mercado imobiliário começa a perceber.
E o fomento econômico atrelado a algumas áreas protegidas pode ser intenso a ponto de tornar o seu entorno em pólo de adensamento populacional, o que causa problemas, mas pode perfeitamente ser administrado se houver governança.
Apoio popular
Indo além do aspecto meramente econômico, ter um público usuário de unidades de conservação cria uma base de apoio às mesmas.
Vivemos a mercê dos desenvolvimentistas no comando, com a cabeça ainda na década de 1970, que desafetam, descriam e sabotam unidades de conservação como meros entraves aos projetos que querem nos fazer crer necessários ao futuro do país. Nesse contexto, faz falta aguda um público usuário das unidades de conservação que se faça ouvir.
Afinal, como a discussão do Código Florestal mostrou, as vozes da Ciência neste país são solenemente ignoradas. Na democracia disfuncional que criamos, os políticos só prestam atenção mesmo aos que pagam suas campanhas eleitorais e, apenas às vezes, aos que neles votam.
É interessante que haja aqueles, nas agências de governo encarregadas das unidades de conservação, que são contra o fomento à visitação (devidamente organizada), alegando desculpas como falta de capacidade de controle.
Burocratismo x Interessados
Outra desculpa frequente é a necessidade de elaborar dispendiosos e demorados planos de manejo para que qualquer atividade seja permitida e regulamentada, um reflexo de nossa cultura de burocratismo onde os rabos sempre abanaram os cachorros. Estudos bem mais simples, rápidos e feitos “em casa” podem normatizar atividades de visitação sem necessidade dos tais planos de manejo que, francamente, em geral só enfeitam prateleiras.
Tão importante quanto colocar protetores nas unidades de conservação é criar amigos das unidades de conservação, especialmente as federais. Isso só vai acontecer quando as unidades federais estiverem abertas e se tornarem locais onde pessoas tenham seus momentos de revelação (ou momentos Pqp, como dizem alguns). Assim, elas descobrem que o contato com a Natureza, seja caminhando, escalando, saltando, mergulhando, observando, fotografando ou o que seja, é algo importante na sua vida, e que as áreas protegidas que frequentam são preciosas.
Precisamos de mais acesso e mais facilidades para visitantes das Unidades de Conservação e menos regras infelizes como as que lá dentro inibem passatempos como a fotografia. Precisamos que gestores lá em cima percebam coisas óbvias. Um exemplo é o turismo de observação de aves ou científico, que não só é compatível como desejável em Unidades de Conservação de categorias restritivas, como reservas biológicas.
As unidades de conservação precisam de mais visitantes, ou, olhando pelo outro lado, o brasileiro precisa visitar mais as unidades de conservação para se civilizar e aprender a defender nosso patrimônio natural.
Falta os tomadores de decisão do governo perceberem isso.