Sobre o futuro do abnTeX

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Ophir Neto

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Feb 16, 2026, 5:31:48 AMFeb 16
to abnTeX2
Prezados,

Venho por meio desta conversa tentar estimular uma discussão a respeito do futuro do projeto abnTeX. Eu utilizo o abnTeX 2 desde 2018 durante minha graduação, e devo muito a este projeto por ter me permitido usar LaTeX nos meus trabalhos acadêmicos. Tenho dado uma olhada no projeto, na documentação e nos modelos canônicos e isso me gerou uma certa preocupação a respeito do futuro do projeto. Aqui vão alguns pontos que tenho visto que acho importante levantar tendo em vista meu desejo pela continuidade do projeto:

1- O último commit foi feito em 2023;

2- O projeto em si parece que não recebe grandes atualizações desde 2018. No github, ainda consta que ele suporta padrões ABNT até 2018, ficando implícito que atualizações pós-2018 não necessariamente foram implementadas;

3- Há atualizações nas normas que regem os tipos de documentos que o abnTeX abrange após 2018, inclusive em 2024;

4- O abnTeX2 ainda utiliza como base o pdflatex e o bibtex. Hoje em dia, o padrão já passou a ser o luaLaTeX (projeto que coincidentemente também foi iniciado por um brasileiro, e utilizando a linguagem Lua, que também é br) como engine e o biblatex como engine de citação, o que muda significativamente a lógica de como o abnTeX funciona. Compilar com luaLaTeX é até simples, mas eu não consegui implementar com sucesso o biblatex-abnt com o template de trabalho acadêmico, infelizmente. E apesar de oficialmente fazer parte do projeto, parece não haver modelos canônicos que utilizem-o.

5- Não existe um roadmap bem definido do que funciona, do que precisa ser consertado e do que precisa ser implementado. Fica difícil de contribuir para o projeto sem listar claramente as tarefas necessárias.
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No geral, o projeto parece que está um pouco sem direção. Portanto eu vim aqui na esperança de promover uma discussão sobre como o abnTeX pode seguir adiante. Gostaria de conversar com pessoas mais experientes antes de simplesmente tentar resolver tudo por conta própria e gerar uma solução que talvez não seja a mais ideal.
Aqui vão algumas sugestões de próximos passos. Por favor me digam o que acham:

1- Verificar quais o principais motivos de uso do abnTeX2 e focar o desenvolvimento para estes fins. Acredito eu que ele seja primariamente utilizado para escrever trabalhos acadêmicos;

2- Para cada norma suportada pelo abnTeX, desenvolver um texto .tex que implemente todos os requisitos da norma. Estes textos podem ser utilizados como testes unitários no desenvolvimento dos pacotes para garantir que eles estejam obedecendo às normas corretamente. Isto de certa forma já é feito nos modelos canônicos, e nada impede de utilizá-los também, porém não fica tão claro quanto separar vários testes, cada um contemplando um aspecto das normas. Acredito que isto facilitaria as verificações do código. Algo parecido é feito no projeto biblatex-abnt;

3- A criação destes testes unitários facilitaria a implementação das ABNT em outros formatos como Typst ou HTML, o que é um ganho importante;

4- Organizar um roadmap com os principais ajustes que devem ser feitos;

5- Resolver issues pendentes do github;

6- Atualizar o pacote para ser compatível com lualaTeX e biblatex-abnt por padrão.

7- Implementar as normas mais recentes.
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No mais, gostaria de saber o que vocês acham que poderia ser feito.

P.S.: Sobre a normatização de trabalhos acadêmicos, uma breve pesquisa na internet me revelou manuais aparentemente muito bons e simples elaborados pela biblioteca da PUC SP, para quem se interessar:




Emílio Kavamura

unread,
Feb 27, 2026, 8:15:24 AM (8 days ago) Feb 27
to abnTeX2
Prezados,

Concordo plenamente com suas colocações. Apesar de minhas limitações de conhecimento do LaTeX, tenho atuado na linha de frente "apagando incêndios" na customização da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e essa experiência prática me fez perceber alguns pontos que dialogam diretamente com sua mensagem.

Percebo que a flexibilidade inerente às normas — ou melhor, as diferentes interpretações delas estabelecidas pelos cursos e programas de pós-graduação — tem tornado o código de customização excessivamente extenso e volumoso. Tenho conseguido manter a customização da UFPR atualizada em relação às principais demandas, mas confesso que estou aquém da norma mais recente sobre a remoção da palavra "capítulo" e a correta nomenclatura das divisões do documento. A NBR 14724, atualizada em dezembro de 2024, é clara ao estabelecer que "o trabalho acadêmico não pode ser dividido em capítulos; deve ser organizado em seções" . Isso implica que, ao referenciar partes do texto, devemos escrever "na seção 4" e não "no capítulo 4" . Porém, até onde sei, ainda não há uma normativa consolidada de como implementar isso na formatação dos trabalhos — pelo menos até o ano passado não havia diretrizes claras sobre a transição.

Essa mudança conceitual é um exemplo perfeito do desafio que temos: não se trata apenas de maquiar a numeração, mas de repensar a nomenclatura e a lógica de referências cruzadas que muitos documentos já estabelecidos utilizam.

Sobre a adaptação para o LuaTeX, que você mencionou, acredito que seja um caminho não apenas interessante, mas necessário para a longevidade do projeto. No entanto, precisamos fazer isso de forma progressiva e bem planejada, para que as customizações institucionais já existentes — muitas delas extremamente complexas e baseadas em décadas de macros LaTeX — possam ser reaproveitadas ou adaptadas com o mínimo de dor de cabeça possível.

A criação de testes unitários, como você sugeriu, baseados em textos que implementem cada aspecto das normas (incluindo essa nova orientação sobre seções), seria um passo fundamental para garantir que, durante essa modernização, não percamos de vista a conformidade com as regras que justificam a existência do abnTeX.

Estou à disposição para contribuir no que for possível, especialmente no levantamento dessas necessidades práticas que emergem das customizações institucionais.

Um abraço
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